Revista MultiAtual - ISSN 2675-4592

Reflex√Ķes sobre modelos mentais

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Tatiany Michelle Gonçalves da Silva

Professora da Secretária de Educação do Distrito Federal, licenciada em Pedagogia e Biologia e mestranda em Ensino de Ciências Ambientais pela Universidade de Brasília - UnB.


Pode-se definir que modelos mentais s√£o estruturas de agrupamento de ideias criados pela nossa mente para a constru√ß√£o de modelos de identifica√ß√£o de estruturas f√≠sicas, podem usar ao mesmo para sua composi√ß√£o os modelos de proposi√ß√Ķes e de imagens. Esse tipo de modelo √© usado para nos auxiliar na compreens√£o de conceitos para a constru√ß√£o do conhecimento, a√ß√£o essa que busca parte da conceitua√ß√£o para a assimila√ß√£o, e essa a√ß√£o vem da defini√ß√£o dos modelos de conceitos por modelos metais. Mas como isso ocorre, esses modelos s√£o criados por nos atrav√©s de nossos conhecimentos inatos e pode ser aprimorado com a amplia√ß√£o de nosso intelecto e com as nossas viv√™ncias, podemos exemplificar esses modelos mentais com a√ß√Ķes simples rotineiras que criamos para melhor resinificamos, entendermos e repetirmos ou n√£o uma a√ß√£o em nosso dia-a-dia.

Os modelos mentais t√™m a finalidade de interpretar informa√ß√Ķes – as proposi√ß√Ķes e as imagens de forma conjunta, para a concilia√ß√£o do conhecimento que elas trazem para a nossa mente, sua a√ß√£o √© de criar caminhos para a aprendizagem. Com isso ela faz a representatividade de uma informa√ß√£o e constr√≥i o seu pr√≥prio conhecimento, os modelos mentais √© algo particular que cada um cria o seu pr√≥prio, atrav√©s de seu conhecimentos inatos e dos princ√≠pios do construtivismo - que define que esses s√£o criados por n√≥s de forma espont√Ęnea contendo elementos comum a n√≥s, que s√≥ a partir da vivencia e de outras informa√ß√Ķes (conhecimento) esse v√£o se aprimorando.

Segundo autores como Jhonson-Laird , o homem representa mentalmente tudo que est√° a sua volta, at√© como sua pr√≥pria mente funciona, por isso m√©todos como dos modelos mentais auxiliam pesquisas e o pr√≥prio ensino. Suas defini√ß√Ķes nos apresenta uma luz nesse tipo de ensino, para ele as representa√ß√Ķes dos modelos mentais s√£o internas, de cada um, representando como cada indiv√≠duo capta as informa√ß√Ķes externas (do mundo) para si. Informa√ß√£o essa que est√° ligada analogamente as informa√ß√Ķes dada a esse sujeito, j√° que essas podem ser  proposi√ß√Ķes – expressas de forma verbal e podem n√£o cont√©m todas as informa√ß√Ķes necess√°rias para sua interpreta√ß√£o, algo que n√£o acontece nas informa√ß√Ķes dadas pelas imagens- que podem ser carregadas de informa√ß√£o, mas que requer um olhar mais detalhado para sua interpreta√ß√£o.

Por isso os modelos mentais que mistura essas duas a√ß√Ķes ou n√£o, pode ser um recurso mais completo para a interpreta√ß√£o-representativa. Lembrando sempre que os modelos mentais mesmo que contenha informa√ß√Ķes anal√≥gicas, representa a vis√£o pessoal da informa√ß√£o dada e traz consigo o ponto de vista pessoal de cada um sobre cada assunto.

Modelos mentais auxiliam a fixa√ß√£o dos dados (informa√ß√£o) apresentados por modelos conceituais- que s√£o instrumentos que buscam definir os conceitos f√≠sicos de sistemas e da mat√©ria , segundo Gentner e Stevens. Para melhor entender isso, podemos definir modelos conceituais como estruturas de explica√ß√£o de conceitos, o mesmo √© usado para ensinar e fixar melhor conte√ļdos disciplinares. J√° os modelos mentais auxiliam na constru√ß√£o dessa fixa√ß√£o de aprendizagem.

Atualmente muitos blogueiros e coachs tem ensinado em suas aulas on-line, para melhor fixa√ß√£o e reten√ß√£o de conte√ļdos de concursos, para provas e para estudo em geral. Os mapas mentais – que s√£o processos gr√°ficos utilizados para melhor organiza√ß√£o de pensamentos e de conte√ļdos (conceitos), que buscam despertar formas de melhor assimila√ß√£o de conte√ļdos atrav√©s da criatividade. Com certeza esse √© um modelo mental  que associa os modelos de preposi√ß√Ķes e imagens, trabalhados com as m√ļltiplas intelig√™ncias de Gardner.

Para apontarmos meios da investiga√ß√£o de modelos mentais devemos ter claramente o entendimento do que √© modelos mentais. Conhecimento esse  que ainda estamos constru√≠do, j√° que o entendimento desse conte√ļdo requer um aprofundamento de nossas leituras e a amplia√ß√£o de nossos conhecimentos sobre o tema, levando em considera√ß√£o que assunto √© para n√≥s algo in√©dito – nunca antes estudado, n√£o dessa forma. Por isso at√© aqui criamos um modelo mental que representa esse tema de forma a estruturar e organizar as ideias, logo modelos mentais s√£o estruturas representativas de estruturas f√≠sicas que nos rodeiam e que para se alcan√ßar a constru√ß√£o de sua proje√ß√£o em nossa mente usamos dois modelos: de proposi√ß√Ķes e de analogia (por imagens).

A jun√ß√£o desses modelos cria os modelos mentais que estruturam todas as informa√ß√Ķes que recebemos e esquematiza sua compreens√£o, criando modelos simples de categoriza√ß√£o, esquematiza√ß√£o e de complexidade de cada uma dessas, de forma pessoal e com o grau de complexidade que temos individualmente do assunto/tema/objeto. O que n√≥s aponta a import√Ęncia de investigar os modelos mentais que cada um usa para entendermos por exemplo como devemos realizar ou conduzir um planejamento did√°tico que se atente para o tipo de entendimento que os alunos tem sobre um tema. 
Mas como vimos fazer esse tipo de investiga√ß√£o tamb√©m n√£o √© uma tarefa t√£o f√°cil de se realizar, entender os modelos mentais de algu√©m requer uma pr√°tica metodol√≥gica, n√£o √© s√≥ perguntar. J√° que as respostas podem ser confusas, de dif√≠ceis interpreta√ß√Ķes ou at√© mesmo il√≥gicas, por isso para se realizar um trabalho de investiga√ß√£o de modelos mentais usamos protocolos de registros dessas informa√ß√Ķes de formas – orais ou escritas, com uso de entrevistas semiestruturadas, narra√ß√Ķes de fatos e procedimentos (como passo a passo), transcri√ß√Ķes e grava√ß√Ķes. Para ent√£o podermos entender como esses tem estruturados seus conhecimentos – inatos e adquiridos.

Conhecimentos esse que foram divididos em n√≠veis , autores como Jhonson-Laird (1997) dividiu em quatro n√≠veis – que sintetiza entre o conhecimento b√°sico at√© o n√≠vel cientifico de um fato, o professor Nilton Vieira Junior (2019) categoriza a evolu√ß√£o dos modelos mentais tamb√©m em n√≠veis e subniv√©is – para melhor entendimento da constru√ß√£o individual desses modelos mentais e de suas complexidades. 
Portanto esse conhecimento nos d√° o entendimento de como nossa a√ß√£o did√°tica ao construir um modelo conceitual- que traz conhecimento conceituais de uma estrutura f√≠sica, pode ser err√īnea se nos mesmo n√£o temos definido corretamente, atrav√©s de um modelo mental esse conceito.  Por isso ensinar (lecionar) caminha com o aprender e ao realizarmos a an√°lise da constru√ß√£o de modelos mentais novamente resinificamos nossos conhecimentos e com certeza a nossa pr√°tica docente, partindo inicialmente para a investiga√ß√£o de nosso pr√≥prio modelo mental.

Para melhor entendimento de como os modelos mentais podem ser usados no dia a dia escolar , buscamos exemplo da literatura como os resultados apontados pelo  artigo Como evoluem os modelos mentais  que an√°lise a evolu√ß√£o das estruturas dos modelos mentais sobre conceitos de F√≠sica: eletricidade, magnetismo e eletromagnetismo,  de alguns grupos de alunos. Como metodologia foi utilizada uma entrevista que foi realizada durante a realiza√ß√£o de alguns experimentos com uso de materiais de circuitos el√©tricos e im√£s e como resultado o pesquisador avaliou que essa a√ß√£o diretamente ampliou a conceitua√ß√£o desses fen√īmenos e que essa pr√°tica resultou uma experi√™ncia educacional com grandes resultados.

Para entendermos melhor a evolu√ß√£o dos modelos mentais e sua aplicabilidade na educa√ß√£o, buscamos entender como essa pr√°tica pode aprimora nossa atua√ß√£o na √°rea da educa√ß√£o inclusiva, para isso buscamos arcabou√ßos te√≥ricos e, identificamos ent√£o a pr√°tica anal√≠tica descrita no artigo Atendimento Educacional Especifico: Doen√ßa mental, aprendizagem e desenvolvimento.  Onde o autor apresenta as ideias de  Feuerstein, Klein e Tannebaum (1991)  que diz “ que o aprender √© construir representa√ß√Ķes mentais a partir do autoconhecimento e do conhecimento” explicando as  formas de aprender do processo educativo inclusivo. Para ele a aprendizagem ocorre diretamente da a√ß√£o de realiza√ß√Ķes mentais e da media√ß√£o, para a consolida√ß√£o dessas a√ß√Ķes s√£o necess√°rios tr√™s fatores: a capacidade, a necessidade e a orienta√ß√£o, e ele define que:

A capacidade √© indispens√°vel para a intera√ß√£o da pessoa com o conte√ļdo presente. Potencialmente a capacidade est√° presente em todas as pessoas, cabe ao mediador verificar a capacidade naquele momento e buscar meios ou instrumentos de media√ß√£o que contribuam para seu desenvolvimento.
A necessidade de aprender é um fator energético-motivacional da aprendizagem, que contribui para dar significado ao objeto de conhecimento e levar a pessoa a realizar o esforço necessário para interagir com o meio e aprender.
A orientação diz respeito à ação do mediador e do mediado. Inicialmente o mediador é o responsável por prover os meios para que ocorra a interação do mediado com o meio. A intervenção do mediador deve contribuir para a construção da autonomia do mediado e sua presença deve ser cada vez mais dispensável, até que a pessoa, anteriormente mediada, oriente-se no seu processo de aprendizagem (Feuerstein; Klein ; Tannebaum, 1991, p.241).

Para finalizar a sua fala o mesmo reflete sobre a import√Ęncia do papel de atua√ß√£o do professor (mediador) que deve considerar fatores como os do processo de metacogni√ß√£o e das m√ļltiplas intelig√™ncias para a constru√ß√£o das estrat√©gias cognitivas (planejamento) de sua a√ß√£o docente, tendo sempre a consci√™ncia que suas a√ß√Ķes desperta habilidades mentais e ao mesmo tempo que pode limitar as condi√ß√Ķes de desenvolvimento de seus educandos, por isso o mesmo deve sempre se atentar para a import√Ęncia do desenvolvimento / evolu√ß√£o dos modelos mentais desses.Com isso encerramos por enquanto as  nossas reflex√Ķes sobre a import√Ęncia da investiga√ß√£o de modelos mentais no cotidiano escolar, na educa√ß√£o e na √°rea inclusiva.


Fontes bibliogr√°ficas

ABENHAIM, E. Defici√™ncia mental, aprendizado e desenvolvimento. In: D√ćAZ, F., et al., orgs. Educa√ß√£o inclusiva, defici√™ncia e contexto social: quest√Ķes contempor√Ęneas [online]. Salvador: EDUFBA, 2009, pp. 237-244. ISBN: 978-85-232-0928-5. Available from SciELO Books.

BORGES, A. Tarciso. Como evoluem os modelos mentais. Ens. Pesqui. Educ. Ci√™nc. (Belo Horizonte),  Belo Horizonte ,  v. 1, n. 1, p. 66-92,  June  1999 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-21171999000100066&lng=en&nrm=iso>. access on  21  May  2020.  http://dx.doi.org/10.1590/1983-21171999010107.

Investiga√ß√Ķes em Ensino de Ci√™ncias, Porto Alegre, v. 1, n. 3, pp. 193-232, 1996.  http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/N3/moreira.htm.  Revisado em 1999, atualizado em 2004. Trabalho apresentado no Encontro sobre Teoria e Pesquisa em Ensino de Ci√™ncias - Linguagem, Cultura e Cogni√ß√£o, Faculdade de Educa√ß√£o da UFMG, Belo Horizonte, 5 a 7 de mar√ßo de 1997.

Mapas mentais. Disponível em: < http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesaberta s/1012076_2012_cap_4.pdf > acessado em 19 de Maio de 2020.

Vieira Junior, Nilton. Ci√™ncias cognitivas da Educa√ß√£o/Nilton Vieira Junior. – Arcos, 2019.  Apostila  (p√≥s- gradua√ß√£o em doc√™ncia) - - Instituto Federal de Minas Gerais, 2019.


Recebido em 06 de junho de 2020
Publicado em 26 de junho de 2020


Como citar este artigo (ABNT)

SILVA, Tatiany Michelle Gon√ßalves da. Reflex√Ķes sobre modelos mentais. Revista MultiAtual, v. 1, n.2., 26 de junho de 2020. Dispon√≠vel em: https://www.multiatual.com.br/2020/06/reflexoes-sobre-modelos-mentais.html
Reflex√Ķes sobre modelos mentais Reflex√Ķes sobre modelos mentais Reviewed by Revista MultiAtual on junho 26, 2020 Rating: 5
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