Revista MultiAtual - ISSN 2675-4592

Resenha sobre a teoria dos Modelos Mentais

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Edilson Costa dos Anjos

Graduado e licenciado em Ci√™ncias Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro-RJ  (UERJ), com habilita√ß√£o em Sociologia; p√≥s-graduando em Doc√™ncia da Educa√ß√£o B√°sica pelo Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG).


1. Abordagens sobre Ciências Cognitivas na Educação

    Conv√©m saber que a origem das Ci√™ncias Cognitivas na Educa√ß√£o, remete-nos a uma tentativa multidisciplinar da compreens√£o da mente e do racioc√≠nio. Johnson-Lair, te√≥rico dos Modelos Mentais, fala-nos que a mente √© mais complicada do que qualquer teoria a seu respeito. De onde prov√©m as teorias dos Modelos Mentais? Depesquisas interdisciplinares em distintasa √°reas, a saber: Psicologia, Lingu√≠stica, Computa√ß√£o, Neurologia, Sociologia, Fisolofia etc, originando-se da√≠ a denominada Ci√™ncia Cognitiva, cujas estat√©gias residem no fato de estudarem o funcionamento da mente em termos de representa√ß√Ķes ,mentais e procedimentais que operam sobre eles normalmente com o uso de analogias com os computadaores (MOREIRA, 1998).

2. Representantes da corrente que explica a Ciências Cognitiva

Howard Gardner - descreveu em min√ļcias o hist√≥rico da evolu√ß√£o da Ci√™ncia da Mente no Simp√≥sio Hixon, evento que reuniu eminentes cientistas para debaterem os mecanismos cerebrais do comportamento. Ele definou a Ci√™ncia Cognitiva como um esfor√ßo contempor√Ęneo para responder quest√Ķes epistemol√≥gicas de longa data, sobretudo √†quelas atinentes ao conhecimento.

Neumann - matem√°tico que realizou compara√ß√Ķes consideradas extraordin√°rias entre o computador e o c√©rebro.

McCulloch - neurofisiologisla que explorou parelelos entre o sistema nervoso e máquinas lógicas.

Lashley - um dos primeiros discípulos de Watson que proferiu um discurso memorável desafiando alguns dogmas da psicologia herdados de modelos mecanicistas.

Alan Turing - considerado o pai da computação, contribuiu no campo lógico-matemático à Ciência Cognitiva, ao propor uma máquina que simulava o pensamento humano.

Shannon - engenheiro eletricista constatou que os princ√≠pios da l√≥gica (1 ou 0) poderiam ser usado para descrever estados (ligados ou desligado) em dispositivos eletromec√Ęnicos. Sugeriu, ainda, que circuitos el√©tricos continham opera√ß√Ķes similares √†quelas fundamentais do pensamento humano. Tornou-se um dos √≠cones das Ci√™ncias Cognitivas (GARDNER, 2003).

Wiener, Bigelow e Rosenblueth - publicaram um artigo intitulado "Comportamento, propósito e teologia" no qual sugeriram que os problemas de comunicação e da engenharia eram
inseparáveis, concentrando-se não apenas nas técnicas de automação, mas também na transmissão
de mensagens por sistemas nervosos.

3. Ciências Cognitivas / Modelos Mentais

    A Ci√™ncia Cognitiva foi reconhecida oficialmente em 1956 durante o Simp√≥sio sobre Teoria da Informa√ß√£o, realizado no MIT, onde trabalhos de fundamental relev√Ęncia foram publicados. Nesse evento, o f√≠sico Allen Newell e o cientista social Hebert Simon publicaram o artigo denominado "M√°quina da teoria l√≥gica"; e tamb√©m o linguista Noam Chomsky escreveu o artigo "Tr√™s modelos para descri√ß√£o da linguagem". Em que pese a Ci√™ncia Cognitiva seja multidisciplinar, muitos estudiosos/pesquisadores/cientistas da mente tentam unific√°-la. Uns consideram a intelig√™ncia artificial como disciplina central da Ci√™ncia Cognitiva; outros, os neurologistas, apontam que o estudo do c√©rebro dispensa estas analogias imperfeitas do modelo computacional; alguns defendem que s√≥ h√° uma forma de representa√ß√£o mental (proposi√ß√Ķes ou enunciados) que s√£o do tipo digital; outros cr√™m numa Teoria Mental baseada em representa√ß√Ķes proposicionais e anal√≥gicas; e, por fim, h√° os que acreditam na exist√™ncia de m√ļltiplas formas de repsenta√ß√Ķes e que √© imposs√≠vel determinar qual √© aquela realmente utilizada pelo c√©rebro. O estudo de Modelos Mentais propicia representa√ß√Ķes facilitadoras da cogni√ß√£o humana. Tal teoria n√£o nega as especificidades que devem ocorrer no processamento mental, por√©m, omite-as provisoriamente julgando como importante apenas o fato de se processar. Para Johnson-Laird, Modelo Mental representa um estado de coisas. Representa as solu√ß√Ķes mentais que as pessoas adotam para compreender e interagir com sistemas do mundo f√≠sico. Destarte, a analogia do
Modelo Mental pode ser total ou parcial, isto é, pode ser totalmente e analógico ou parcialmente
analógico e parcialmente proposicional.

    A par de tudo que foi apresentado acerca da Ci√™ncia Cognitiva, pode-se dizer que um Modelo Mental deve permitir a algu√©m responder a cinco perguntas que descrevem e explicam o sistema que ele representa:

    Ei-las:

  1. Como é o sistema (descreva o sistema)?
  2. De que o sistema é formado? (descreva a estrutura do sistema)?
  3. Como ele funciona (explique o funcionamento)?
  4. O que ele est√° fazendo (preveja ou explique o estado do sistema)?
  5. Para que serve (descreva o propósito do sistema)?

4. Considera√ß√Ķes Finais do Resumo

    Das abordagens acerca da Ci√™ncia Cognitiva e dos Modelos Mentais que estudamos nessa primeira unidade de ensino e do conte√ļdo do document√°rio que nos foi disponibilizado, podemos perceber o qu√£o complexo e misterioso √© as engrenagens da mente humana, pois podemos realizar infinitas combina√ß√Ķes cognitivas para chegarmos a diferentes resultados. √Č assim no reino animal, a exemplo dos macacos que vimos no document√°rio que, para exercer seu dom√≠nio territorial, tinham que conquistar a simpatia dos demais membros do grupo, utilizando-se de Modelos Mentais para chegar ao seu objetivo (ser l√≠der do bando); √© assim tamb√©m no reino dos seres humanos onde os processo cognitivos e os Modelos Mentais s√£o muitos mais complexos por envolver aspectos sociais, culturais, biol√≥gicos e fisiol√≥gicos, bem como representa√ß√Ķes no campo simb√≥lico e da linguagem para expressar sentido e significado aos seus processamentos cerebrais em busca de solu√ß√Ķes para quaisquer tipos de problemas no campo da conviv√™ncia humana, utilizando-se de distintos contextos proposicionais ou enunciados. O que nos leva a acreditar que a mente humana √© um emaranhado de processos interligados por v√°rias conex√Ķes neurais que pode nos levar a resultados inimagin√°veis.



Referencial Bibliogr√°fico

Apostila (Pós-Graduação em Docência) -- Instituto Federal de Minas Gerais, 2019.

Junior, Niltom Vieira. Ciências Cognitivas na Educação. Niltom Vieira Junior. Arcos, 2019.


Recebido em 02 de junho de 2020
Publicado em 26 de junho de 2020


Como citar este artigo (ABNT)

ANJOS, Edilson Costa dos. Resenha sobre a teoria dos Modelos Mentais. Revista MultiAtual, v. 1, n.2., 26 de junho de 2020. Dispon√≠vel em: https://www.multiatual.com.br/2020/06/resenha-sobre-teoria-dos-modelos-mentais.html
Resenha sobre a teoria dos Modelos Mentais Resenha sobre a teoria dos Modelos Mentais Reviewed by Revista MultiAtual on junho 26, 2020 Rating: 5
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