Revista MultiAtual - ISSN 2675-4592

GESTÃO ACADÊMICA E DE DOCUMENTOS: O ESTADO DA ARTE DA PRODUÇÃO XAKRIABÁ NA FIEI/FAE-UFMG ENTRE 2016 E 2019

Adriana Maria Loureiro

Discente do Curso de Especialização em Gestão de Instituições Federais de Ensino Superior da Universidade Federal de Minas Gerais. Doutoranda do Programa de pós-Graduação em Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Colégio Técnico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. E-mail: adriana.loureiro@gmail.com.

 

Theles de Oliveira Costa

Doutor em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor Adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: thelescosta@ufmg.br 

 

RESUMO

Os saberes dos povos tradicionais e o conhecimento científico da academia dialogam entre si. A universidade assumiu o papel de manter esse diálogo e de levá-lo, assim como o conhecimento produzido a partir desse diálogo, a todos os segmentos da sociedade ao tornar público os resultados dos estudos. O objetivo deste trabalho é o de, a partir das noções de gestão acadêmica – com a criação de novos cursos – e de gestão de documentos – e como a universidade lida com a questão autoral para disponibilizar publicamente a produção de seus alunos – mapear o estado da arte de resumos de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) apresentados entre os anos de 2016 e 2019 de alunos da etnia Xakriabá da Formação Intercultural de Educadores Indígenas, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, com o intuito de, ao superar a lógica de uma pesquisa de laboratório, em que um objeto é observado por um sujeito, realizar um estudo com o referido povo a partir de seus próprios textos. Uma categorização dos trabalhos estudados foi feita e alguns elementos, tais como costumes, meio ambiente e história, que norteiam os TCC’s, são considerados como fundamentais para a existência e resistência desse povo.

 

Palavras-chave: Gestão Acadêmica. Gestão de Documentos. Formação Intercultural de Educadores Indígenas. Povo Xakriabá.

 

Introdução

Discutir a questão indígena é fundamental para permear na sociedade brasileira a noção de que o conhecimento e os saberes desses povos são a base da sua construção. Muitos dos saberes de povos tradicionais – indígenas, quilombolas, ribeirinhos etc. – não possuem a chancela da ciência, da forma como a sociedade entende ser feita, e talvez por isso sejam considerados menos importantes pelo senso comum. Além disso, predomina o conceito da ciência que especializa, que reproduz, em todas as suas áreas, a bancada do laboratório, em que um “objeto” é observado por um “sujeito”. Reconhecendo que essa é uma – e não a única – forma de fazer ciência, este trabalho, ao compreender que estudar a questão indígena como por um microscópio poderia reforçar a ideia de que os povos indígenas estariam, hierarquicamente, inferiores aos brancos em termos de conhecimentos adquiridos na academia, se propõe a fazer um levantamento da produção científica indígena na academia, dialogando com os resumos dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) escritos por graduandos da etnia Xakriabá da Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI) da UFMG.

Costa, Branquinho e Sánchez (2018) afirmam que

Se a verdade da Ciência, no singular e com letra maiúscula, pode oprimir as outras formas de conhecimento, por que não ficarmos próximos dos  “oprimidos”, tratando-os não como “objeto de um ‘tratamento’ humanitarista”, como coisas, mas como sujeitos narradores de sua própria história? (Costa, Branquinho e Sánchez, 2018, p. 86)

A opção por trabalhar com os resumos de TCC’s de alunos de uma licenciatura indígena deve-se à especificidade do curso e ao debate que tais trabalhos podem conduzir a partir da produção de conhecimento sobre a realidade que se apresenta à pesquisa. A proposta inicial foi a de trabalhar com resumos de pesquisas disponíveis no portal da CAPES sobre educação indígena, mas após o encontro com a FIEI/UFMG durante o percurso deste estudo, houve a compreensão de que um levantamento da produção acadêmica de alunos Xakriabá seria uma outra forma de estudar a questão, diferente de um que pudesse reforçar dicotomias e trabalhar com ausências.

Em recente publicação, Ailton Krenak afirma que

Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles os seus sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós liberamos esses lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial e extrativista. Do nosso divórcio das integrações e interações com a nossa mãe, a Terra, resulta que ela está nos deixando órfãos, não só aos que são chamados de índios, indígenas ou povos indígenas, mas a todos. (Krenak, 2019, p. 49-50)

Assim, este trabalho se mostra relevante ao buscar o diálogo com elementos que compõem a realidade estudada, além de categorizar trabalhos de uma das muitas etnias reconhecidas, e que possui grande relevância para o Estado de Minas Gerais.

Breves apontamentos sobre os Xakriabá

A Terra Indígena Xakriabá (TIX) está localizada no extremo norte do Estado de Minas Gerais, zona do Médio São Francisco, no município de São João das Missões, que tem sua origem no início dos anos de 1700, e é erguida com a força do trabalho indígena, após a chegada do bandeirante paulista Matias Cardoso de Almeida, que em sua missão, debelou aldeias indígenas ao longo do Rio São Francisco, levando muitas populações à perda de território e identidade.

O município, que possui um distrito e 43 povoados (sendo 31 aldeias na TIX), ocupa uma área de 679,82 Km2, de acordo com a página da Prefeitura[1] na internet, e sua população é estimada em torno de 12.000 pessoas. A Reserva Indígena ocupa 78% da área do município, com 530,74 km2, como pode ser observado na Imagem 1.

Imagem 1: Terra Indígena Xakriabá (Fonte: Google Maps)

 

A principal atividade econômica do município é a agropecuária, mas a região sofre muito com a seca, que leva à população doenças e um limite de extrema pobreza.

A Terra Indígena Xakriabá fez parte do Programa de Implementação de Escolas Indígenas de Minas Gerais (PIEI-MG) desde o seu início. O processo foi acompanhado de perto pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG) – mostrando que há tempos existe o diálogo entre a FaE e esse povo, conforme trabalhos de pesquisa em nível de pós-graduação consultados[2]. Em um desses trabalhos, o autor descreve que os projetos de escola indígenas se dividem em dois: um que contemple o conhecimento do branco e outro que não descarte os conhecimentos tradicionais, o que fez surgir a necessidade de um Projeto Político Pedagógico específico para essa escola, pois ela deve preparar para a vida dentro e fora da aldeia, ensinando, por exemplo, o uso da Língua Portuguesa (Silva, 2011).

Os trabalhos consultados apontam que os Xakriabá tiveram dificuldade em se afirmar indígenas de acordo com as diretrizes do PIEI-MG por serem considerados índios muito “misturados”, o que os teria levado a uma “perda cultural”.

A formação do grupo não implicou justificativas identitárias, mas houve a necessidade de uma “prova de cultura” para garantia de seus direitos. Silva (2011) descreve que o Toré, um ritual considerado um emblema de alteridade dos índios do Nordeste, foi apresentado a um leigo, dentro do processo de demarcação da TIX. Essa territorialização reorganizou o grupo, permitindo a reconstrução de uma identidade indígena, como explicitado por Gomes, em trabalho sobre os Xakriabá. A autora afirma que

a luta pela terra nas décadas de 1970 e de 1980 levou a população a dividir-se, permanecendo na reserva aqueles que escolheram a afirmação da própria ancestralidade indígena. Assiste-se assim a um processo crescente de reconstrução da identidade indígena, processo que tem estreita relação com a própria escola e que muito tem influenciado em suas dinâmicas. (GOMES, 2006, p. 320).

Em 1979 houve a homologação da área onde se formaria, futuramente, a TIX. A FUNAI, após algumas pesquisas, encontrou as origens históricas e passou a atribuir o etnômio Xakriabá ao grupo remanescente e herdeiro dos indígenas que ocupavam aquela região. O grupo não se formou a partir de uma unidade étnica, mas sim, de uma unidade política entre os que defendiam aquela terra.

Revisão Bibliográfica

O levantamento dos registros escritos em trabalhos acadêmicos acerca de um assunto é uma forma de compreender a realidade que se apresenta e se constrói sobre ele. Morosini e Fernandes (2014) afirmam que

faz-se necessário considerar que a construção de uma produção científica está relacionada não só à pessoa/pesquisador que a produz, mas à influência da instituição na qual está inserida, do país em que vive e de suas relações com a perspectiva global (MOROSINI e FERNANDES, 2014, p. 156).

Dessa forma, considera-se que um estudo sobre a produção acadêmica de estudantes indígenas pode ser relevante para a compreensão e construção de um retrato do povo com o qual essa pesquisa se desenvolve, além de dar a outros pesquisadores uma noção a respeito de aspectos que categorizam essa produção.

Morosini (2015) afirma que

estado do conhecimento é identificação, registro, categorização que levem à reflexão e síntese sobre a produção científica de uma determinada área, em um determinado espaço de tempo, congregando periódicos, teses, dissertações e livros sobre uma temática específica (MOROSINI, 2015, p. 102)

Ao discorrer sobre o que mobiliza uma pesquisa “estado da arte”, Ferreira (2002) afirma que

a sensação que parece invadir esses pesquisadores é a do não conhecimento acerca da totalidade de estudos e pesquisas em determinada área de conhecimento que apresenta crescimento tanto quantitativo quanto qualitativo, principalmente reflexões desenvolvidas em nível de pós-graduação, produção esta distribuída por inúmeros programas de pós e pouco divulgada (FERREIRA, 2002, p. 258-259)

Em relação ao estudo dos resumos, a autora afirma que eles

mostram uma rede de motivos implicada em operações de selecionar e organizar o material a ser divulgado, que os tornam diversificados e multifacetados, resultados de diferentes operações (cortes e acréscimos) feitas a muitas mãos, por diferentes motivos totalmente desconhecidos do leitor. [...] então, ao assumirmos os resumos das dissertações e teses presentes nos catálogos como lugar de consulta e de pesquisa, é que sob aparente homogeneidade, há grande heterogeneidade entre eles (os resumos) explicável não só pelas representações diferentes que cada autor do resumo tem deste gênero discursivo, mas também por diferenças resultantes do confronto dessas representações com algumas características peculiares da situação comunicacional, como alterações no suporte material, regras das entidades responsáveis pela divulgação daquele resumo, entre outras várias. (Ibid., p. 263-264)

Este estudo, ao se debruçar sobre resumos de TCC’s, espera contribuir para a composição de uma rede da produção do conhecimento sobre a realidade do povo Xakriabá a partir de pesquisas que, desenvolvidas por meio da pesquisa-ação, objetivam apresentar propostas de participação coletiva em diferentes áreas das aldeias.

Segundo Thiollent,

A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação da realidade a ser investigada estão envolvidos de modo cooperativo e participativo. (THIOLLENT,1985, p.14)

A realização de um estudo sobre os resumos de alunos Xakriabá da FIEI, conduz a um levantamento dessas propostas de ações cooperativas e à possibilidade de se aprender com eles a partir da compreensão de como a rede de saberes desse povo é construída e mobilizada.

            O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), estruturado pelo Decreto 6.096/2007, teve por objetivo a ampliação do acesso e permanência do estudante no ensino superior. Dessa forma, as universidades foram fundamentais no processo de diminuição de desigualdades históricas. Segundo Karworski e Rosa (2019), após o REUNI houve o início de uma nova fase da educação superior brasileira, pois passou-se a esperar por

propostas inovadoras de matrizes curriculares em nível de graduação, com projetos pedagógicos menos monodisciplinares; projetos de cursos com viés flexível inter, trans e multidisciplinar; propostas de cursos mais contextualizadas com a realidade social e o mundo da empregabilidade (KARWORSKI e ROSA, 2019, p. 344)

            Compreende-se que a gestão de uma licenciatura indígena por parte da Universidade Federal de Minas Gerais se encaixa nessa demanda por propostas pedagógicas inovadoras que vão além das características puramente disciplinares e que visam ao reconhecimento de saberes específicos da realidade desses povos.

A Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI)

Com um enfoque intercultural e com o objetivo de formar, além de habilitar professores indígenas que não tiveram a oportunidade de cursar o ensino superior para lecionar em escolas de ensino fundamental e médio nas áreas de Língua, Arte e Literatura; Matemática e Ciências da Natureza, e Ciências Sociais e Humanidades[3], a Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI) é uma iniciativa da Universidade Federal de Minas Gerais na busca por um diálogo entre os saberes da academia e os saberes desses povos, como demostra o próprio Projeto Pedagógico do Curso (PPC)[4] do curso, que nos aponta, por exemplo, que há

uma coordenação colegiada, composta por um professor da UFMG, escolhido entre o corpo docente e um representante do movimento Indígena, escolhido entre os membros da Coordenação de Etnia das escolas indígenas de Minas Gerais. Além da coordenação geral, o curso tem coordenadores de eixo, formando, assim, o Núcleo Docente Estruturante do Curso. O Colegiado está composto por representantes da coordenação, do Movimento Indígena, do corpo docente, do corpo discente e dos monitores (Projeto Pedagógico do Curso de Educação Básica Indígena: Formação Intercultural de Educadores Indígenas, p. 5)

Além disso, o referido documento que norteia as ações do curso da UFMG explicita que lecionam no curso, professores da UFMG, além de profissionais com experiência em educação indígena e até mesmo docentes indígenas de outras regiões que possuam saberes muito específicos e que são convidados para contribuir com a formação desses novos educadores, o que reforça a ideia da troca entre esses saberes para a construção de conhecimento.

Ainda segundo o PPC da FIEI, os alunos realizam, ao longo dos cinco anos do curso, percursos acadêmicos diferenciados quando passam pelas etapas Intensiva e Intermediária. A etapa Intensiva (que são dez durante todo o curso) é caracterizada por encontros presenciais e de trocas com docentes e discentes no campus da UFMG, sempre nos meses de maio e setembro. A etapa Intermediária (que são nove durante todo o curso) ocorre na escola de origem dos estudantes, que retornam às suas comunidades com o objetivo de desenvolver trabalhos que dialoguem com seus estudos da etapa Intensiva e formar, assim, um professor-pesquisador.

Pode ser observado, assim, que a teoria e a prática caminham juntas na proposta de trabalho com o processo de pesquisa-ação, que é uma metodologia participativa que visa à intervenção e à contribuição para uma melhoria no locus da pesquisa.

Metodologia

A proposta de trabalhar especificamente com resumos de TCC’s de estudantes indígenas se encaixa nessa metodologia denominada “estado da arte” ou “estado do conhecimento” devido à sua característica de ser um levantamento de trabalhos que possuem aspectos convergentes.

Assim, ao pesquisar (sobre), pretende-se aprender com os indígenas. Inicialmente, pensou-se em fazer um levantamento, na base de dados da CAPES[5] de dissertações e teses escritas e defendidas sobre a questão indígena. Para estratificação dos dados, a primeira proposta foi a de utilizar o descritor “indígena” na busca, e foram identificados um total de 6.296 trabalhos, sendo 1.414 teses de doutorado, 4.309 dissertações de mestrado, 255 dissertações de mestrado profissional e 73, de profissionalizante. Aplicou-se, então o primeiro filtro: o temporal, com a proposta de realizar o estudo com pesquisas realizadas entre 2009 e 2018. A opção por esse período deveu-se ao fato de compreender os dez anos seguintes à promulgação da Lei 11.645/08, que alterou a LDB 9.394/96, já modificada pela 10.639/03, ao incluir o ensino obrigatório da temática História e Cultura afro-brasileira e indígena no currículo oficial dos ensinos fundamental e médio em todas as redes de ensino do país. Dessa forma, o estudo localizou 4.409 trabalhos, sendo 1.021 teses de doutorado, 3.056 dissertações de mestrado, 255 dissertações de mestrado profissional e 54, de profissionalizante. Novos filtros foram aplicados nos seguintes termos: grande área de conhecimento (Ciências Humanas), área de conhecimento (Educação), área de avaliação (Educação), área de concentração (Educação) e programa (Educação). Foram identificados 237 trabalhos, sendo 162 dissertações e 73 teses. Finalmente, foi aplicado o filtro para pesquisas realizadas em Universidades Federais, chegando ao quantitativo de 118 trabalhos: 81 dissertações e 37 teses.

Além da pesquisa no banco de teses da Capes, foram investigados trabalhos em outras bases. Dessa forma, o estudo chegou à Biblioteca Professora Alaíde Lisboa de Oliveira, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG), onde foram encontradas publicações dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC's) dos alunos da Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI). Na página da Biblioteca, estão disponibilizados os 160 trabalhos apresentados entre 2013 e 2019[6], sendo apenas as referências dos trabalhos concluídos entre 2013 e 2015 e a íntegra dos trabalhos de 2016, 2017 e 2018. Em relação às pesquisas de 2019 – que totalizam 28 – nem todos os arquivos estão disponíveis, pois a Biblioteca não teve acesso aos textos finais de todos os estudos.

Na busca pelos textos de 2013 a 2015, verificou-se que, de acordo com a tabela de temporalidade e destinação de documentos de arquivo relativos às atividades-fim das instituições Federais de Ensino Superior - IFES, aprovada pelo Arquivo Nacional, nos termos da Lei 8.159, de 8 de janeiro de 1991, trabalhos de conclusão de cursos de graduação devem ser devolvidos aos alunos no prazo de um ano após a conclusão do curso. Após esse prazo, os documentos não retirados pelos autores devem ser encaminhados para eliminação. Como não havia autorização dos formandos para a divulgação dos estudos na internet – prática que foi adotada a partir do ano de 2016 – os trabalhos concluídos entre 2013 e 2015 tiveram o destino determinado pela referida lei. Dessa forma, houve a opção pela realização de um estudo com os resumos dos 99 trabalhos concluídos entre 2016 e 2019. Ocorre que tais trabalhos envolvem indígenas de diferentes etnias, assim, decidiu-se por estudar trabalhos de alunos da etnia Xakriabá, de São João das Missões, no norte de Minas Gerais, devido à sua relevância para o Estado e pelo diálogo que a Faculdade de Educação da UFMG possui há tempos com esse povo. Assim, o estudo teve acesso a 36 resumos e suas palavras-chave.

A opção de mudança no foco do estudo justifica-se pois

Os homens que não têm humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser seus companheiros de pronúncia do mundo. Se alguém não é capaz de sentir-se e saber-se tão homem quanto os outros, é que lhe falta ainda muito para caminhar, para chegar ao lugar de encontro deles. Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão, buscam saber mais. (Freire, apud Costa, Branquinho e Sánchez, 2018, p. 86).

Assim, foram identificados na Biblioteca Professora Alaíde Lisboa de Oliveira, da Faculdade de Educação da UFMG, os seguintes trabalhos disponíveis na internet na íntegra:

·         No ano de 2016, em que a habilitação do curso foi em Línguas, Artes e Literatura, um total de 21 trabalhos de conclusão de curso de alunos indígenas da FIEI. Desse total, os resumos de seis trabalhos – escritos por alunos da etnia Xakriabá – participaram deste estudo.

·         No ano de 2017, em que a habilitação do curso foi em Ciências Sociais e Humanidades, um total de dezoito trabalhos de conclusão de curso de alunos indígenas da FIEI. Desse total, os resumos de dez trabalhos – escritos por alunos da etnia Xakriabá – participaram deste estudo.

·         No ano de 2018, em que a habilitação do curso foi em Matemática, um total de 32 trabalhos de conclusão de curso de alunos indígenas da FIEI. Desse total, os resumos de dez trabalhos – escritos por alunos da etnia Xakriabá – participaram deste estudo.

·         No ano de 2019, em que a habilitação do curso foi em Ciências da Vida e da Natureza, um total de 28 trabalhos de conclusão de curso de alunos indígenas da FIEI. Desse total, os resumos de dez trabalhos – escritos por alunos da etnia Xakriabá e disponíveis na internet – participaram deste estudo. Um décimo primeiro trabalho escrito por uma aluna Xakriabá não pôde ser estudado, pois a biblioteca não teve acesso ao texto.

Resultados e Discussões

Dentre os noventa e nove trabalhos de conclusão de curso defendidos entre os anos de 2016 e 2019 disponibilizados na internet pela Biblioteca Professora Alaíde Lisboa de Oliveira, foram identificados trinta e seis TCC’s escritos por alunos Xakriabá e integralmente disponíveis. Desses trinta e seis, vinte a quatro trabalhos foram escritos individualmente, oito foram escritos por duplas de alunos e quatro deles foram escritos por grupos de três autores, fazendo assim, um total de cinquenta e dois alunos Xakriabá formados pela FIEI entre os anos em questão.

Preliminarmente, foi feito um levantamento de palavras-chave nos resumos estudados e foram encontradas cento e oito palavras-chave diferentes. Muitas delas são diferentes, mas possuem aspectos em comum, dando condições de se fazer uma categorização.

Não é surpresa identificar que as palavras-chave que mais se repetem são “Povo Xakriabá” (seis vezes) e “Xacriabá/Xakriabá” (dez vezes). Dez trabalhos identificaram suas aldeias nas palavras-chave. Os termos “cultura” e “conhecimento(s) tradicional(is)” aparecem em oito trabalhos, sendo que em um nono trabalho há a expressão “cultura e modos de vida dos Xakriabá”, classificando todos dentro da mesma c/ategoria. O termo “luta” aparece em dois trabalhos, associado ao termo “Luta pelo Território”, que aparece em um terceiro estudo. Todos foram relacionados, a partir da história de formação da TIX, a termos como “Terra Indígena” e “Território (Xakriabá)”, que aparecem cinco vezes. O termo “memória” foi encontrado duas vezes, mas há também os termos “memória indígena” e “memória povo Xakriabá”, que foram relacionados com os termos “tradição Xakriabá” e “fortalecimento da tradição Xakriabá”. Como se trata de um curso de formação de professores, os termos “educação” e “escola” aparecem seis vezes: “educação diferenciada”, “educação especial”, “educação intercultural”, “escola indígena”, “escola indígena diferenciada” e “escola Xakriabá Kuhinan”.

O projeto pedagógico do curso da FIEI prevê, como já descrito neste estudo, que os alunos façam seu percurso trabalhando com a pesquisa-ação. A leitura dos resumos aponta que há uma busca por perpetuar a tradição desse povo, ou seja, eles parecem perceber uma lacuna com condições de ser preenchida a partir de elementos que dialogam com os saberes dos seus antepassados.

Após a análise, os trabalhos foram divididos em pequenos grupos, compreendendo que todos fazem parte do grande eixo da “Tradição” e se faz importante destacar que os trabalhos aparecem, quase que em sua totalidade, com características de pesquisas baseadas na oralidade.

Ao primeiro grupo foi dado o nome de “Costumes” e  foram identificados trabalhos que visam a um resgate dos cantos (ABREU, 2016) e dos versos (Lopes, 2016), da caça (FARIAS e OLIVEIRA, 2016), das brincadeiras e brinquedos antigos (SANTOS e SILVA, 2016), do casamento tradicional Xakriabá (SILVA e SILVA, 2017), da construção das moradias (BIZERRA, 2018), da construção dos carros de boi e da relação dos carpinteiros com a natureza (CRUZ, 2018), das roupas de palha tradicionais (OLIVEIRA, 2018b), do uso de plantas medicinais (ARAÚJO, 2019), do milho como meio de sobrevivência e formação da identidade Xakriabá (RIBEIRO, 2019b). Em todos esses trabalhos, o resgate da tradição do povo é apontado como a forma de perpetuar tais costumes.

O segundo grupo está relacionado especificamente a questões ambientais e há destaque para os trabalhos sobre a cera e o mel (MOTA, PIMENTA e RIBEIRO, 2017); sobre o manejo de feijão (OLIVEIRA, MOTA e SOUSA, 2017); sobre a produção da farinha de mandioca (OLIVEIRA, 2017b); sobre a questão da seca (OLIVEIRA, 2017c); sobre a importância do pequi para a região (SILVA, 2017 e SILVA, SANTOS e SANTOS, 2017), cuja utilização seria uma forma de superar o uso (condenado pelos mais velhos) de produtos industrializados; sobre a poluição do Rio Peruaçu (MOTA, 2018); sobre como as mudanças climáticas alteraram a vida e a cultura Xakriabá (SOUSA, 2018); sobre a situação do córrego Riacho do Brejo, que deixou de ser perene, devido à seca (BARROS, 2019); sobre a horta como proposta educativa (GONÇALVES, 2019); sobre a necessidade de preservação ambiental a partir do conhecimento da fauna e da flora da região (OLIVEIRA, 2019); sobre a criação de gado na TIX (RIBEIRO, 2019); sobre a análise do solo da região e seu uso de modo a melhorar o desenvolvimento agrícola (SANTOS, 2019); sobre o artesanato Xakriabá e uma possibilidade de produção e comercialização sustentável do mesmo (SILVA e MOTA, 2019). Esses trabalhos apontam que a tradição é vista como solução para a superação da crise ambiental.

O terceiro grupo é composto por trabalhos que tiveram como objetivo o estudo da história Xakriabá. Há destaque para trabalhos que buscam a história da escrita e do ensino da escrita (OLIVEIRA, 2016a); a história da luta pela terra (SANTOS e OLIVEIRA, 2017); a história da demarcação do território aliada à história de uma escola (SOUZA, 2017); a história da resistência do povo (ABREU, 2018); a história do futebol na TIX (OLIVEIRA, 2018); a história da língua Akwen, desde a sua proibição até a revitalização da mesma (SILVA, 2018); a história da Casa de Cultura Xakriabá (ALKIMIN e SANTOS, 2019). São identificadas propostas de ações, a partir desses estudos da história, para levar essa tradição aos mais jovens nas escolas, por meio, até mesmo, da produção de materiais didáticos, em alguns casos.

É importante destacar três trabalhos que seriam de um quarto grupo, mais voltado para ações pedagógicas e não tão relacionadas aos costumes do povo. Franco, Silva e Regina (2017) abordaram a questão da educação especial, com proposta de melhoria da qualidade desse tipo de atendimento nas escolas Xakriabá. Já o estudo de Oliveira (2016b) parece fazer uma comparação entre o ensino de Língua portuguesa em duas escolas, mas o resumo não está disponível no trabalho, não tendo sido alvo de nosso estudo. Finalmente, Santos e Nascimento (2019) abordam as novas tecnologias e o ensino de Artes.

A escolha por fazer o levantamento da produção Xakriabá na FIEI a partir dos resumos deve-se ao fato de que há a compreensão de ser esta uma pesquisa que não terá um fim em si mesma, podendo haver desdobramentos futuros que dialoguem com os textos completos dos trabalhos, além do entendimento da pluralidade de temas e aspectos metodológicos que podem se apresentar para a pesquisa.

Considerações Finais

O estudo de resumos de trabalhos escritos por indígenas na academia pode levantar alguns pontos. Primeiramente, a criação de uma licenciatura especificamente voltada para indígenas pode ser vista como uma ação pedagógica que pensa na inclusão. A universidade tem como uma de suas funções esse diálogo com a comunidade e tem assumido seu papel de manter ativo o debate sobre o tema, no caso específico desse estudo, por meio da criação de um curso voltado para indígenas, o que demanda uma gestão muito específica do ponto de vista acadêmico. O PPC da FIEI tem suas propostas muito claras e atende a uma demanda de um segmento da sociedade. Além disso, quando a universidade disponibiliza os textos na biblioteca na internet, é possível identificar outra função importante das Instituições de Ensino Superior, que é tornar o conhecimento ali produzido público a todos, a fim de dar um retorno à sociedade sobre as suas realizações e também para que novos trabalhos, novas pesquisas possam ser feitas a partir de inquietações que porventura surjam. Além disso, há legislação – a Lei 8.159, de 8 de janeiro de 1991, já citada neste trabalho – que trata da gestão dos arquivos regula essa divulgação dos textos e garante a questão autoral.

Em relação aos trabalhos estudados, é muito clara a marca da luta pela terra, pelo reconhecimento da identidade, pela manutenção das tradições, e a noção de que levar essas tradições aos mais jovens é a forma encontrada pelos, agora, professores, de manter a cultura, os saberes do seu povo e o meio ambiente. Mas é entendimento deste estudo que esses elementos não estão separados como a modernidade vem afirmando e não estão simplesmente interligados como a complexidade explica: eles são a mesma coisa dentro daquele contexto.

Ao trabalhar com comunidades tradicionais, dois aspectos chamam a atenção. Primeiro, é a forma de tratar os saberes desses povos, que são, muitas vezes, desconsiderados pela academia ou tratados como menores. O outro é o risco de lidar com o tema de forma a reforçar estereótipos ao realizar o estudo sob a ótica do homem branco, por isso esse estudo buscou o diálogo com os Xakriabá a partir de trabalhos escritos pelo seu povo. Há muito o que aprender com os indígenas e é impossível pensar o Brasil sem pensar neles e nas suas redes.

Prestar atenção aos sinais desses povos pode ser um caminho para a melhor compreensão a respeito da sociedade brasileira e os caminhos que podem ser escolhidos mais adiante.

Ciência e saberes tradicionais caminham juntos. Não existe a natureza em um lugar e os humanos em outro. Tudo funciona como algo único e múltiplo ao mesmo tempo. Entender, assim, que há uma outra forma de produzir conhecimento por meio do estudo com os saberes dos povos tradicionais pode ser uma forma de compreender que não existe uma coisa ou outra, nem uma coisa e outra, mas que uma coisa também é a outra.

 

 

Referências

BRASIL. Lei 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e dá outras providências. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8159.htm. Acesso em 15 set. 2019.

BRASIL. Decreto 6.096, de 24 de abril de 2007. Institui o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6096.htm. Acesso em 12 jul. 2020.

COSTA, Rafael Nogueira; BRANQUINHO, Fátima; SÁNCHEZ, Celso. O que podemos aprender ao seguir os passos da formiga-onça na ‘cidade de areia’? In: FERNANDEZ, Viviane; MACEDO, Joana; Branquinho, Fátima (org.) Pedra, planta, bicho, gente...coisas: encontros da teoria ator-rede com as ciências ambientais. Rio de Janeiro: Mauad X: Faperj, 2018.

FERREIRA, Norma Sandra de Almeida. As pesquisas denominadas estado da arte. Educação & Sociedade. Campinas, n. 79, p. 257-272, 2002.

GOMES, Ana Maria Rabelo. O processo de escolarização entre os Xakriabá: explorando alternativas de análise na antropologia da educação. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, v.11, n.32, p. 316-327, Aug. 2006.

KARWOSKI, Acir Mario; ROSA, Derval dos Santos. Gestão acadêmica de cursos de graduação em duas universidades federais: a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e a Universidade Federal do ABC (UFABC). Revista @mbienteeducação, [S.l.], v. 12, n. 3, p. 342-354, set. 2019. ISSN 1982-8632. Disponível em: <http://publicacoes.unicid.edu.br/index.php/ambienteeducacao/article/view/788/706>. Acesso em: 12 jul. 2020. doi:https://doi.org/10.26843/ae19828632v12n32019p342a354.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

MOROSINI, Marília Costa; FERNANDES, Cleoni Maria Barboza. Estado do Conhecimento: conceitos, finalidades e interlocuções. Educação por escrito. Porto Alegre, v. 5, n. 2, p. 154-164, jul-dez 2014.

MOROSINI, Marília Costa. Estado do conhecimento e questões do campo científico. Educação. Santa Maria, v. 40, n. 1, p. 101-116, jan-abr 2015.

THIOLLENT, Michel. Metodologia da Pesquisa-Ação. São Paulo: Cortez,1985.

 

 

 

Anexos

Lista de Trabalhos de alunos Xakriabá que fizeram parte deste estudo

Ano de 2016 – Habilitação em Línguas, Artes e Literatura.

ABREU, Jan Carlos Pinheiro de. Cantos tradicionais do povo Xakriabá. 2016. 53 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016. Habilitação em Línguas, Artes e Literatura. 

FARIAS, Claudinei Gomes; OLIVEIRA, Eudes Seixas de. Métodos de caçada do povo Xakriabá. 2016. 64 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016. Habilitação em Línguas, Artes e Literatura. 

LOPES, Luzionira de Sousa. Loas e versos Xakriabá: tradição e oralidade. 2016. 64 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016. Habilitação em Línguas, Artes e Literatura. 

OLIVEIRA, Anézia Rodrigues de Jesus. História da escrita e do ensino da escrita entre o povo Xakriabá. 2016. 66 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016a. Habilitação em Línguas, Artes e Literatura. 

OLIVEIRA, Eliana do Rosário Ferreira Gonçalves; BARBOSA, Regiane Costa. O ensino da língua portuguesa em duas escolas Xakriabá (Bukinuk e Uikitu kuhinã): português indígena e português padrão em foco. 2016. 52 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016b. Habilitação em Línguas, Artes e Literatura. 

SANTOS, Eliane Araújo; SILVA, Valdineia Moreira. Brincadeiras e brinquedos antigos e atuais das aldeias Sumaré I e III. 2016. 51 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016. Habilitação em Línguas, Artes e Literatura. 

 

Ano de 2017 – Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades

FRANCO, Celma Correa; SILVA, Antônio Lopes da; REGINA, Elizabete. A inclusão do aluno com necessidades educacionais especiais nas escolas Xakriabá: Xukurank e Uikitu Kuhinã. 2017. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

MOTA, Aline Fernandes da; PIMENTA, Elisandra Fernandes; RIBEIRO, GenivaldoFernandes. Cera e mel: as abelhas na cultura Xakriabá. 2017. 53 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

OLIVEIRA, Isamara Gonçalves de Sousa de; MOTA, Marcilene Ferreira Gama da; SOUSA, Romaria Gonçalves de. Plantio no brejo: o manejo do feijão na aldeia Barra do Sumaré, terra indígena Xakriabá. 2017. 41 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

OLIVEIRA, Olívia da Silva. Só quem entende de farinha pode peneirar aqui: a produção de farinha de mandioca na aldeia Tenda/Rancharia pelo povo Xakriabá (Minas Gerais). 2017. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017a. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

OLIVEIRA, Sheila Dos Reis Araujo de. Narrativas sobre a seca: problemas ambientais do povo Xakriabá e revitalização da lagoa da aldeia Tenda / Rancharia (MG). 2017b. 50 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

SANTOS, Ariclenes Ferreira dos; OLIVEIRA, Aparecido Rodrigues de. A memória da luta pela terra indígena do povo Xacriabá de Rancharia (MG). 2017. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

SILVA, Elizete Macedo Gama da. Mamona, pequi e galinha: óleos e banhas naturais da aldeia Sumaré III – terra indígena Xakriabá. 2017. 45 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

SILVA, Marco Antonio Pinheiro da; SANTOS, Marli Barboza dos; SANTOS, Terezinha Gomes dos. O pequi no território Xakriabá: processamento e usos na aldeia Caatinguinha. 2017. 53 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

SILVA, Naiara Rodrigues da; SILVA, Gesicar Aline Rodrigues da. Viva quem já casou. Vive quem quer casar: casamentos tradicionais Xakriabá. 2017. 30 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

SOUZA, Janaínna Ramos De. A história do território e da escola de Rancharia: aldeia Tenda/Rancharia. 2017. 32 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017. Habilitação em Ciências Sociais e Humanidades. 

 

Ano de 2018 – Habilitação em Matemática

ABREU, Werly Pinheiro de Abreu, (Dogllas). Onde houver Xakriabá, haverá resistência! violações dos direitos indígenas no caso Xakriabá durante a ditadura militar. 2018. 60 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018. Habilitação em Matemática.

ARAÚJO, Edilene dos Santos. Análise de uma atividade a partir do calendário sociocultural numa escola da aldeia indígena da Prata, povo Xakriabá. 2018. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018. Habilitação em Matemática.

BIZERRA, Edmar Gonçalves. Moradias tradicionais Xakriabá. 2018. 63 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018a. Habilitação em Matemática.

BIZERRA, Ednaldo Gonçalves. Meio ambiente, sustentabilidade e economia do povo Xakriabá e da aldeia Barreiro Preto. 2018. 53 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018b. Habilitação em Matemática.

CRUZ, Alípio Ferreira da. A carpintaria Xakriabá: proposta para manter a tradição da carpintaria Xakriabá. 2018. 79 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018. Habilitação em Matemática.

MOTA, Pollayne Leite da. Impactos da poluição no rio Peruaçu, território Xakriabá, sob o ponto de vista de moradores das aldeias Dizimeiro e Peruaçu. 2018. [58 p.].Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018. Habilitação em Matemática.

OLIVEIRA, Maiane Gonçalves de. Um percurso em rimas: histórias do futebol no território indígena Xakriabá. 2018. 62 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018a. Habilitação em Matemática.

OLIVEIRA, Neuza Rodrigues da Silva. Roupas de palha tradicionais Xakriabá. 2018. 51 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018b. Habilitação em Matemática.

SILVA, Manoel Antônio de Oliveira. “A única herança que um índio deixa para outro índio é a luta”: a história da língua Akwen do Povo Xakriabá. 2018. 47 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018. Habilitação em Matemática.

SOUSA, Abedias Pereira de. Mudanças na vida e na cultura do povo Xakriabá: das alterações econômicas e climáticas. 2018. 46 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura)–Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018. Habilitação em Matemática.

Ano de 2019 – Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza

ALKIMIM, Erick Correa de; SANTOS, Marilene de Oliveira. Casa de cultura Xakriabá: lugar de conhecimento, cultura, memória e história. 2019. 94 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.

ARAÚJO, Lindaura Gomes de. As plantas medicinais da aldeia Prata no território Xakriabá: resgatanso e valorizando os conhecimentos tradicionais. 2019. 54 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.

BARROS, Mailson Alves de. A relação da comunidade Xakriabá com o córrego Riacho do Brejo. 2019. 51 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.

GONÇALVES, Beatriz Dias. Plantio de horta na aldeia imbaúba como meio de sobrevivência visando a prática nas escolas. 2019. 36 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.

OLIVEIRA, Marilsa Lopo de. As transformações do meio ambiente no território indígena Xakriabá: os impactos causados na fauna e na flora. 2019. 51 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.

RIBEIRO, José Aparecido. Pecuária: histórico e reflexões sobre os impactos gerados pela atividade no território indígena Xakriabá, Minas Gerais - Brasil. 2019. 45 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019a.

RIBEIRO, Laurisaura da mota. O milho nas vidas e lutas do povo Xakriabá. 2019. 83 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019b.

SANTOS, Genilson Alves dos; NASCIMENTO, Maria da Paixão do. Usando as artes para conscientização e sensibilização do uso das novas tecnologias. 2019. 124 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019. 

SANTOS, Laura Caetana dos. Extrativismo, agricultura e construção: a diversidade dos solos da aldeia Prata (território indígena Xakriabá, Minas Gerais). 2019. 80 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.

SILVA, Edineia Moreira; MOTA, Janaine Nunes da. Artesanatos Xakriabá sustentabilidade, conhecimentos e desafios. 2019. 96 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural Para Educadores Indígena, Habilitação em Ciências da Vida e da Natureza.) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.



[2] Cf. 1. ESCOBAR, Suzana Alves. Os projetos sociais do povo indígena Xakriabá e aparticipação dos sujeitos: entre o ‘desenho da mente’, a ‘tinta no papel’ e a ‘mão na massa’. 2012. 216f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação. 2. PEREIRA, Verônica Mendes. A cultura na escola ou a escolarização da cultura? Um olhar sobre as práticas culturais dos índios Xakriabá. 2003. 138f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Universidade Federal de Minas Gerais, MG. 3. SILVA, Edinaldimar Barbosa da. Os Xakriabá: Escola e Cultura. 2011. 207 f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) – Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Universidade Federal de Minas Gerais, MG.

 

[3] O curso confere uma dupla habilitação: a de Professor do Ensino Fundamental e a de Professor do Ensino Médio em uma das áreas descritas.

[5] Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, cuja base de dados está disponível em https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/



Recebido em 05 de agosto de 2020
Publicado em 28 de agosto de 2020


Como citar este artigo (ABNT)

LOUREIRO, Adriana Maria. COSTA, Theles de Oliveira . Gestão Acadêmica e de Documentos: O Estado da Arte da Produção Xakriabá na FIEI/FAE-UFMG entre 2016 e 2019. Revista MultiAtual, v. 1, n.4., 28 de agosto de 2020. Disponível em: https://www.multiatual.com.br/2020/08/gestao-academica-e-de-documentos-o.html
GESTÃO ACADÊMICA E DE DOCUMENTOS: O ESTADO DA ARTE DA PRODUÇÃO XAKRIABÁ NA FIEI/FAE-UFMG ENTRE 2016 E 2019 GESTÃO ACADÊMICA E DE DOCUMENTOS: O ESTADO DA ARTE DA PRODUÇÃO XAKRIABÁ NA FIEI/FAE-UFMG ENTRE 2016 E 2019 Reviewed by Revista MultiAtual on agosto 17, 2020 Rating: 5
Tecnologia do Blogger.