Revista MultiAtual - ISSN 2675-4592

INCLUSÃO DOS SURDOS NA REDE DE ENSINO

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Alexandra Gomes Barreto

Bacharel em Psicologia com Licenciatura, Pós-Graduação em Psicopedagogia e Psicanalista.

 

Cynara Fiedler Bremer

Pós Doutora pela Universidad de Granada, Espanha (2019). Pós Doutora pela Universität des Saarlandes, Alemanha (2015). Doutora em Engenharia de Estruturas pela UFMG (2007). Mestre em Engenharia de Estruturas pela UFMG (1999). Engenheira Civil pela UFMG (1996)


RESUMO

Os Direitos Humanos consolidam √†s Pol√≠ticas P√ļblicas na Perspectiva Inclusiva no Brasil. A sociedade anseia por reestruturas inclusivas, seja de mobilidade urbana, de acessibilidade digital, no mundo do trabalho, na educa√ß√£o e segue na constru√ß√£o dessas pol√≠ticas que expressam √†s necessidades sociais da nossa √©poca hist√≥rica. A Educa√ß√£o Inclusiva √© um progresso humano e o presente artigo tem como objetivo aborda √†s a√ß√Ķes das Pol√≠ticas Inclusivas, a relev√Ęncia das tecnologias assistivas, a import√Ęncia da flexibilidade na constru√ß√£o do Projeto Pol√≠tico Pedag√≥gico e sua repercuss√£o social. A opini√£o p√ļblica sobre a educa√ß√£o bil√≠ngue para alfabetiza√ß√£o dos alunos surdos √© uma tentativa de ampliar a inclus√£o social do surdo na sociedade. √Č fundamental a produ√ß√£o de pesquisa sobre o tema da inclus√£o que fomente discuss√Ķes, caminhos e saberes sobre √†s pr√°xis profissional e a intera√ß√£o da sociedade no processo de inclus√£o. Para atingir o objetivo, a metodologia de pesquisa baseou-se na bibliografia sobre √†s Pol√≠ticas P√ļblicas Inclusivas articuladas √†s pr√°ticas de duas Escolas Estaduais no interior do estado de S√£o Paulo e pesquisa de opini√£o p√ļblica dirigida aos servidores ligados √† educa√ß√£o. As tecnologias s√£o ferramentas indispens√°veis e de grande relev√Ęncia na inclus√£o dos alunos surdos nas redes estaduais, sendo assim foram apresentados diversos recursos tecnol√≥gicos capazes de intermediar o aprendizado e dar voz social ao surdo tornando a defici√™ncia auditiva e suas implica√ß√Ķes na vida da pessoa surda mais difundida reduzindo o estigma trazido pelo desconhecido.

Palavras-chave: Políticas. Educação. Inclusão

 

 

1.INTRODUÇÃO

 

As pessoas deficientes t√™m conquistado espa√ßos jamais imaginados, devido aos esfor√ßos sociais organizados em Conven√ß√Ķes como a de Salamanca, Cochabamba a da Guatemala, al√©m de Debates, Confer√™ncias Nacionais e Internacionais - A Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas – ONU, 2006 (Decreto n¬ļ 6949/2009 [s.p]), firma compromisso com a educa√ß√£o para todos e com a universaliza√ß√£o do ensino tendo muitas na√ß√Ķes signat√°rias inclusive o Brasil.

Diante desse panorama de mudan√ßas educacionais o presente artigo tem como objetivo apresentar a relev√Ęncia das organiza√ß√Ķes sociais que se expressam em pol√≠ticas p√ļblicas, assim como as possibilidades advindas das pol√≠ticas de a√ß√Ķes afirmativas como as tecnologias assistivas e o papel fundamental das escolas para sociedade ao constru√≠rem com os seus projetos pol√≠ticos pedag√≥gicos comprometidos com a inclus√£o. O objetivo do artigo tamb√©m busca conhecer e divulgar a opini√£o p√ļblica de servidores ligados √† educa√ß√£o sobre o ensino bil√≠ngue – L√≠ngua Brasileira de Sinais e L√≠ngua Portuguesa na modalidade escrita como segunda l√≠ngua do surdo, visando o ensino da L√≠ngua Portuguesa desde a inser√ß√£o do alunado na rede regular de ensino.

Visando atingir estes objetivos aplicamos a metodologia de pesquisa bibliogr√°fica das Pol√≠ticas P√ļblicas Educacionais Inclusivas, a efetiva√ß√£o na pr√°tica destas pol√≠ticas executadas em dois Projetos Pol√≠ticos Pedag√≥gicos de duas escolas que trabalham com a inclus√£o na rede p√ļblica de ensino. Elas est√£o localizadas no interior do estado de S√£o Paulo. H√° uma pesquisa quantitativa descritiva de opini√£o p√ļblica realizada com servidores ligados √† educa√ß√£o.

O presente artigo n√£o se esgota e permanece aberto √† amplia√ß√£o e aprofundamento considerando que a constru√ß√£o das pr√°xis profissional necessita de constante investiga√ß√£o, discuss√Ķes e publica√ß√Ķes de saberes que auxiliam o conhecimento de interesse social.

 

 

2.POL√ćTICAS DE INCLUS√ÉO

Em v√°rias culturas e pa√≠ses, inclusive no Brasil os governos acataram propostas inclusivas para educa√ß√£o. Segundo o Estatuto da Pessoa com Defici√™ncia temos as Leis das Pol√≠ticas P√ļblicas sendo dever de toda sociedade (BRASIL, 2015 [s.p]).

[...] Art. 27. Par√°grafo √ļnico. √Č dever do Estado, da fam√≠lia, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educa√ß√£o de qualidade √† pessoa com defici√™ncia, colocando-a a salvo de toda forma de viol√™ncia, neglig√™ncia e discrimina√ß√£o[...] (CONSTITUI√á√ÉO DA REP√öBLICA FEDERATIVA DO BRASIL ARTIGOS 3 E 4 DO CAP√ćTULO IV – ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICI√äNCIA – ARTIGO 27 par√°grafo √ļnico)

 

√Äs pol√≠ticas reorganizam a sociedade com conquistas como a do Decreto n¬ļ.3.956/01 que resultou da Conven√ß√£o da Guatemala de 8 de outubro de 2001 onde estiveram v√°rios pa√≠ses. A Declara√ß√£o Mundial sobre - “Educa√ß√£o para Todos”, na Confer√™ncia de Jomtiem na Tail√Ęndia em 1990, o Brasil √© signat√°rio e s√£o as mudan√ßas nas leis que ao se efetivarem alteram a vis√£o da defici√™ncia na sociedade as leis influenciam a sociedade ao mesmo tempo em que √© influenciada por elas. Para Ciampa (1998) transformar √© viver.

      [...] cada indiv√≠duo reconhece no outro um ser humano e √© assim reconhecido por ele – sozinhos certamente n√£o podemos ver reconhecida nossa humanidade, consequentemente n√£o nos reconhecemos como humanos. Ter uma identidade humana √© ser identificado e identificar-se como humano. (CIAMPA, 1998, p.8)

 

No Brasil as Diretrizes Nacionais para a Educa√ß√£o Especial na Educa√ß√£o B√°sica segundo a Resolu√ß√£o 2, Artigo 2¬ļ “Os sistemas de ensino devem matricular todos os estudantes, cabendo √†s escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais” (MEC/SEESP, 2001 [s.p]). Sendo assim, cada institui√ß√£o educacional atender√° a lei conforme suas disposi√ß√Ķes e subjetividades, pois cada escola deve construir o seu Projeto Pol√≠tico Pedag√≥gico com proposta inclusiva, no entanto muitas vezes n√£o se efetiva.

S√£o √†s pol√≠ticas que impulsionam a inclus√£o conforme Decreto n¬ļ 5.296/04 regulamenta as leis n¬ļ 10.048/00 e n¬ļ 10.098/00, que disp√Ķe sobre a inclus√£o da pessoa deficiente em v√°rios √Ęmbitos sociais; s√£o muitas mudan√ßas legais, por√©m na pr√°tica a inclus√£o do surdo segue segregaria na educa√ß√£o, pois n√£o h√° acompanhamento por Institui√ß√£o Oficial que gere pesquisa e transpar√™ncia √† sociedade. N√£o certifica nem acompanha periodicamente o conhecimento adquirido pelo alunado surdo ou deficientes. Desconhecemos os avan√ßos efetivos do alunado em sua L√≠ngua Natural/Materna - Libras – e em sua segunda l√≠ngua na modalidade escrita - L√≠ngua Portuguesa. A produ√ß√£o de material did√°tico pedag√≥gico e liter√°rio √© fragmentada e dependente da subjetividade de cada gest√£o de ensino ou professor. Quando observamos no √Ęmbito social a inclus√£o do surdo √© √≠nfimo o n√ļmero de pessoas que conhe√ßam sinais b√°sicos da L√≠ngua Brasileira de Sinais – Libras sendo est√° falta de conhecimento b√°sico uma das barreiras para conviv√™ncia social e uso de servi√ßos b√°sicos, seja de sa√ļde, transporte entre outros.

Na Perspectiva da Educa√ß√£o Inclusiva, a Resolu√ß√£o (CNE/CP n¬ļ1/2002), que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a forma√ß√£o nas Institui√ß√Ķes de Ensino Superior a Libras √© ensinada como disciplina sendo parte integrante da grade curricular nos cursos de forma√ß√£o em Pedagogia e de Fonoaudiologia no Brasil. Na rede estadual do ensino b√°sico, n√£o h√° o conte√ļdo de Libras, nem a disciplina de Libras para incluir toda comunidade escolar. No sistema educacional do estado de S√£o Paulo e em todo o pa√≠s a estrutura dos materiais, da avalia√ß√£o da aprendizagem √© desenvolvida para o alunado ouvinte aprofundar suas habilidades lingu√≠sticas e o surdo realiza o acompanhamento das aulas e a avalia√ß√£o por interm√©dio do int√©rprete de Libras, uma conquista dos esfor√ßos sociais da comunidade surda conforme as Diretrizes Operacionais em sua resolu√ß√£o (CNE/CEB n¬ļ 4/2009).   

√Č poss√≠vel produzir materiais como livros liter√°rios, did√°ticos pedag√≥gicos aos surdos utilizando a impress√£o em L√≠ngua Brasileira de Sinais - Libras ou com o impresso em SignWriting que √© um sistema mediador do c√≥digo da escrita desenvolvida para aprofundamento da - Libras - em c√≥digo escrito que fortalece a identidade do surdo e no uso da sua l√≠ngua (BARRETO, M. e BARRETO, R., 2012), contudo essa amplia√ß√£o lingu√≠stica na inclus√£o n√£o ocorre, mas √† medida que ocorram produ√ß√Ķes de pesquisas, apresenta√ß√£o de propostas e esfor√ßos sociais √†s pol√≠ticas v√£o sendo melhoradas.

 

Muitos autores alertam a sociedade sobre as lacunas nos materiais voltadas para a perspectiva inclusiva conforme a publica√ß√£o do artigo dispon√≠vel em meio eletr√īnico com o tema: Material did√°tico digital, uma nova forma de o aluno surdo “ler” e “interagir” com os conte√ļdos educacionais conforme (MIRANDA, D. G., dez. 2016).

 

No ano de 2018 no m√™s de setembro o Governo Federal pelo portal do Minist√©rio da Educa√ß√£o e Cultura – MEC, disponibilizou aos professores da rede p√ļblica o acervo com mais de oitocentas obras √† serem escolhidas e utilizadas nas escolas p√ļblicas, n√£o houve oferta de nenhum livro publicado para o alunado surdo. (Decreto N¬ļ 91.542, de 19 de agosto de 1985, altera Instituto Nacional do Livro para Programa Nacional do Livro Did√°tico - PNLD). Percebemos a necessidade de mobilizar esfor√ßos na produ√ß√£o direcionados a inclus√£o principalmente para conceitos fundamentais das diversas disciplinas escolares.

 

2.1 As Tecnologias Assistivas

A Tecnologia voltada à aprendizagem e acessibilidade impulsiona a universalização da educação devido ao acesso em massa. Segundo Kleina (2012) a tecnologia tem um objetivo central na inclusão.

[...]Assim percebemos que as Tecnologias Assistivas têm como objetivo central promover as pessoas com algum tipo de deficiência maior autonomia e independência, melhor qualidade de vida e inclusão social e educacional, por meio do aumento de sua comunicação e mobilidade, do domínio do ambiente, do desenvolvimento de habilidades que auxiliem o aprendizado, o trabalho e a integração com a família, amigos e a sociedade [...] (Kleina, Cláudio 2012, p.34)

 

H√° aplicativos e softwares desenvolvidos que visam a inclus√£o do surdo; o VLibras que √© um programa que interpreta os textos no computador em libras, o Hand Talk √© um aplicativo gratuito que ensina os sinais de Libras aos ouvintes, Glide – V√≠deo Chat Messenger, Aplicativo banc√°rio m√≥vel e Aplica√ß√Ķes de viagem – Waze e National Rail, Vi√°vel Brasil √© um aparelho que intermedia a comunica√ß√£o do surdo atrav√©s de um interprete que aparece na tela do aparelho e comunica a mensagem para o ouvinte. A Tecnologia √© uma linguagem para inclus√£o no V Congresso da Bahia realizado em Feira de Santana, 2017 resultou em uma plataforma organizada com amplas publica√ß√Ķes inclusivas.

O uso da Tecnologia no ensino a dist√Ęncia √© uma modalidade de educa√ß√£o crescente e com Institui√ß√Ķes comprometidas com a boa qualifica√ß√£o profissional e sua responsabilidade social na forma√ß√£o do cidad√£o, al√©m de instrumentalizar possibilidades de ascens√£o social. (LITWIN, E. Tecnologia Educacional, 2001), contudo a capacita√ß√£o profissional mesmo com disponibilidade de forma√ß√£o continuada em plataformas oficiais para os professores a efetiva√ß√£o na pr√°tica educacional √© um desafio.

√Č da compet√™ncia do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An√≠sio Teixeira – INEP -  promover estudos, pesquisas e avalia√ß√Ķes peri√≥dicas sobre o sistema educacional brasileiro e ao observamos a import√Ęncia do Exame Nacional do Ensino M√©dio - ENEM consideramos a tend√™ncia contempor√Ęnea na perspectiva da universaliza√ß√£o do ensino com uso das tecnologias na produ√ß√£o das avalia√ß√Ķes. Foi divulgado no site da Ag√™ncia Brasil em 17 de dezembro 2019 uma nota do porta voz do INEP

[...] O Inep passou a oferecer a videoprova em Libras em 2017 como parte da pol√≠tica de inclus√£o do instituto. Em 2018, foi lan√ßado o selo Enem em Libras, com todo o conte√ļdo dispon√≠vel em L√≠ngua Brasileira de Sinais. No mesmo ano foi lan√ßada a Plataforma Enem em Libras, na qual a videoprova pode ser acessada em plataforma similar √† adotada na aplica√ß√£o da prova [...] (AG√äNCIA BRASIL, 2019, [s.p])

 

O uso da Tecnologia voltado para educação e em especial dos surdos de forma planejada, estruturada, sistematizada ainda é um desafio nas escolas (MAZZOTTA, J.S.M., 2003).

 

2.2 As Escolas com Projetos Políticos Pedagógicos Inclusivos

 

As escolas estão no interior de São Paulo - Escola Profª Maria Aparecida Dos Santos Ronconi e Escola Profª E.E Castinauda de B.M e Albuquerque, são escolas em que a reestruturação é permanente.

A a√ß√£o realizada pela Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof¬™ Maria Aparecida Dos Santos Ronconi, situada √† rua: Ana Gon√ßalves da Cunha, 400 - Jardim Jussara, S√£o Jos√© dos Campos – S√£o Paulo, na tentativa de incluir todos desenvolveu um site voltado para o aluno surdo, com informa√ß√Ķes de acesso √† biblioteca, jogos, informa√ß√Ķes relevantes sobre o funcionamento da escola com a L√≠ngua Brasileira de Sinais e o uso da tecnologia integra e da autonomia ao aluno surdo. (Decreto N¬ļ 6.425 de 4 de abril de 2008 -  QEdu - Censo Escolar registrado sob o No. C√≥digo INEP 35436987, 2018). O ensino da Libras √© um conte√ļdo para todos e em todos os espa√ßos, pois o ensino utilizou-se dos materiais e recursos did√°ticos pedag√≥gicos planejados e estruturados para inclus√£o. Conforme publica√ß√£o do munic√≠pio a escola √© bil√≠ngue. (SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCA√á√ÉO Portaria n.¬ļ 117/SME/10)

A escola E. E. Profa. Castinauta de B. M. e Albuquerque situada na Rua Orlando de Oliveira – Bairro: Jardim S√£o Marcos - 13082-205 Campinas/SP. Pensando na quest√£o do estigma, do autoconceito no desenvolvimento s√≥cio emocional da crian√ßa deficiente oferece o projeto Biointera√ß√£o Animal.  (Decreto N¬ļ 6.425 de 4 de abril de 2008   QEdu – Censo Escolar registrado sob o No.C√≥digo INEP 35018818, 2018). A escola √© polo e disp√Ķe de sala de recursos para Educa√ß√£o Especial, materiais tanto da sala de atendimento Tipo I quanto Tipo II, conforme consta nas orienta√ß√Ķes da Secretaria de Educa√ß√£o Especial no Manual de orienta√ß√£o: Programa de Implanta√ß√£o de Salas de Recursos Multifuncionais, Resolu√ß√£o CNE/CEB n¬ļ 4/2009, conforme as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado.

O projeto foi amplamente discutido sugerido pelo professor de Biologia pela professora de Educa√ß√£o Especial e Psic√≥loga, com base na terap√™utica com animais mediadores na socializa√ß√£o e aprendizagem. A abordagem terap√™utica com animais √© amplamente abordada no meio acad√™mico por promover sa√ļde e bem-estar. (Projeto de Lei N° 4.455 de 19 de setembro de 2012). Entretanto como media√ß√£o pedag√≥gica a Terapia Assistida por Animais s√£o novos estudos.

Consta no Projeto Pol√≠tico Pedag√≥gico com o nome Biointera√ß√£o Animal e os estudos vem da Zooterapia e conta com animais treinados e aptos para essa media√ß√£o pedag√≥gica. A avalia√ß√£o dos resultados ocorre atrav√©s de registros realizados pelas crian√ßas quantificando sua progress√£o no projeto e a avalia√ß√£o qualitativa das rela√ß√Ķes sociais s√£o avaliadas na efetiva√ß√£o das rela√ß√Ķes observadas em momentos externo ao projeto como no intervalo entre relato dos familiares entre outros registros. √Č relevante apresentar Propostas Pol√≠ticas Pedag√≥gicas e sua flexibilidade para inclus√£o.  

 

3. PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA E SEUS RESULTADOS

 

A metodologia de pesquisa utilizada se inseriu numa abordagem descritiva, explorat√≥ria quantitativa, com quatro perguntas e com duas op√ß√Ķes de respostas para cada pergunta, sendo elas: concordo ou n√£o concordo. Os crit√©rios de participa√ß√£o foram servidores ligados √† educa√ß√£o. A elabora√ß√£o do question√°rio utilizou a ferramenta do Google Forms e foram enviados aos participantes que com livre consentimento, participa√ß√£o espont√Ęnea, contudo houve obrigatoriedade na coleta do endere√ßo de e-mail de cada participante. A coleta de dados da pesquisa fora realizada em 16 de outubro de 2019 e obteve 44 respostas na data realizada e permanece dispon√≠vel √† sociedade para consulta. Os resultados foram analisados quantitativamente considerando o maior percentual de concord√Ęncia. O quadro 1 traz as perguntas realizadas.

 

Quadro 1- Perguntas de opini√£o p√ļblica, Google Forms, 2019

1- Na sua opini√£o o ensino de Libras (L√≠ngua Brasileira de Sinais) deveria fazer parte da grade de conte√ļdos como √© o ensino do Ingl√™s?

2- A avaliação atualmente da criança surda e da criança ouvinte são iguais. Na sua opinião a avaliação com o uso da Tecnologia da Informação e Comunicação e seus multi recursos ou com uma avaliação impressa com recursos apropriados de imagens, Libras e Língua Portuguesa seriam formas de avaliação mais inclusão?

3- Você acredita que às crianças brasileiras tendo contado sistematizado com a Libras estaria dando base para inclusão social desde a sua formação e, com isso, reduziria o preconceito social?

4- A inclusão do surdo nos espaços sociais, sua inserção social e a cultura dos brasileiros seria ampliada com o ensino de Libras na educação básica?

Fonte: a autora (2019)

Para primeira pergunta os resultados foram de 92,9% para a op√ß√£o de que concordam que o ensino de Libras seja oferecido como conte√ļdo como √© o ensino da l√≠ngua inglesa e 7,1% n√£o concordam, Figura 1.

Figura 1 - Opini√£o p√ļblica em percentual sobre o ensino de Libras como conte√ļdo.

Fonte: a autora (2019)

Para a segunda pergunta os resultados foram de 95,2% para a opção de que concordam com a avaliação com recursos linguísticos amplos, seja impressa ou virtual e 4,8% não concordam, Figura 2.


Figura 2 - Opini√£o p√ļblica em percentual sobre a elabora√ß√£o das avalia√ß√Ķes pr√≥pria para o alunado surdo.

Fonte: a autora (2019)

 

Para a terceira pergunta os resultados foram de 97,6% para a opção de concordam que aprender a linguagem do surdo resultaria em redução do preconceito social, e 2,9% não concordam, Figura 3


Figura 3 – Opini√£o p√ļblica em percentual se o ensino de libras para todos no espa√ßo escolar resultaria na redu√ß√£o do preconceito social.


Fonte: a autora (2019)

 

Para a quarta pergunta os resultados foram de 95,1% para a opção de concordam que a inclusão se efetivaria, assim como a qualidade social ampliando a cultura de todos e 4,9% não concordam, Figura 4.


Figura 4 – Opini√£o p√ļblica em percentual o ensino da l√≠ngua brasileira de sinais durante o ensino b√°sico em rede regular ampliaria a inclus√£o, a inser√ß√£o e elevaria o n√≠vel cultural da sociedade.


Fonte: a autora (2019)

 

4.CONSIDERA√á√ēES FINAIS

 

O objetivo do artigo foi compreender algumas indaga√ß√Ķes referente ao material pedag√≥gico se incluiu os surdos. Diante dos impasses decorrente da a√ß√£o pr√°tica da inclus√£o na sala de aula, da incerteza dos profissionais e dos pais quanto a inclus√£o e o melhor desenvolvimento das crian√ßas com defici√™ncia no ensino regular. Sendo assim os objetivos da pesquisa foram alcan√ßados pela an√°lise da pesquisa e apura√ß√£o dos dados.

Na coleta dos dados no gr√°fico da Figura 1 para quest√£o referente ao ensino da Libras como conte√ļdo 92,9% concordam que melhoraria a qualidade do material pelo planejamento do ensino.  Os resultados para a quest√£o da Figura 2 sobre a elabora√ß√£o da avalia√ß√£o ter sua elabora√ß√£o com recursos lingu√≠sticos pr√≥prios para compreens√£o do surdo e com o uso das ferramentas das tecnologias os resultados formam de 95,2% como concordam com um processo avaliativo mais inclusivo. Para quest√£o da Figura 3 os resultados foram de 97,6% como concordam que ao ensinar a Libras para todos os alunos ouvintes e surdos proporcionaria melhor compreens√£o do diferente do novo pela cultura surda reduzindo o preconceito social. Na Figura 4 as respostas quanto a efetiva√ß√£o da inclus√£o atrav√©s do ensino sistematizado com material apropriado e em forma de conte√ļdo para todos resultou em 95,1% como concordam que melhoria as condi√ß√Ķes para efetiva√ß√£o da inclus√£o, da redu√ß√£o do preconceito por meio da cultura e elevaria a inser√ß√£o social envolvendo a todos pela aprendizagem.

H√° necessidade de melhores trabalhos de pesquisa, debates, aprofundamentos visando o ensino bil√≠ngue nas escolas, assim tamb√©m √© necess√°rio permanecer os est√≠mulos √†s iniciativas dos professores como pesquisadores relatando seus progressos, desafios, percep√ß√Ķes, para melhoria das pr√°xis na profiss√£o. A mudan√ßa s√≥cio hist√≥rica sobre a defici√™ncia est√° dada, √© necess√°rio avan√ßarmos nos estudos de melhorias dos recursos humanos e materiais e no uso das tecnologias como parte integrante da educa√ß√£o das gera√ß√Ķes visando uma sociedade mais humanizada e solid√°ria.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em 06 de agosto de 2020
Publicado em 01 de setembro de 2020


Como citar este artigo (ABNT)

BARRETO, Alexandra Gomes. BREMER, Cynara Fiedler. Inclus√£o dos Surdos na Rede de Ensino. Revista MultiAtual, v. 1, n.5., 01 de setembro de 2020. Dispon√≠vel em: https://www.multiatual.com.br/2020/08/inclusao-dos-surdos-na-rede-de-ensino.html
INCLUSÃO DOS SURDOS NA REDE DE ENSINO INCLUSÃO DOS SURDOS NA REDE DE ENSINO Reviewed by Revista MultiAtual on agosto 18, 2020 Rating: 5
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