Revista MultiAtual - ISSN 2675-4592

PROJETO DE SUSTENTABILIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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Cíntia Nazaré Oliveira Pires

Professora na Educação Infantil pela rede municipal do Rio de Janeiro RJ; Mestranda em Educação – Universidade do Estado do Rio de Janeiro; cintiaarielle@yahoo.com.br

 

Dandara Lorrayne do Nascimento

Professora de Matemática – IFMG campus Arcos; Mestranda em Modelagem Matemática e Computacional – CEFET MG; dandaralno@gmail.com


RESUMO: Muitas vezes a criança pode ser excluída do acesso às práticas que direcionam para a conscientização social, na formação de seres críticos e modificadores, aprendizagem de fatos, conceitos, atitudes, valores e desenvolvimento de suas competências. Este estudo teve por objetivo acompanhar um projeto de sustentabilidade voltado para crianças de dois anos de idade inseridas em turmas de maternal. Com o tema “Sustentabilidade também é coisa de criança”, a pesquisa foi qualitativa por se aproximar da realidade dos indivíduos, sendo realizada durante todo o segundo semestre de 2019. Percebe-se que a participação da família em projetos oportuniza ações democráticas de sucesso e resultados favoráveis ao pleno desenvolvimento da criança, além de despertar no adulto interesses pelo meio ambiente e na preservação de um mundo melhor para seus descendentes. Percebe-se a importância da motivação e de práticas que corroboram a sustentabilidade, visto os relatos posteriores às atividades repassados pelos pais e responsáveis dos estudantes. Conclui-se que o projeto é bem sucedido e alcançou os objetivos propostos tendo sido reconhecido pela Secretaria Municipal de Educação e ganhado destaque em suas redes sociais.

 

Palavras-chave: Projeto escolcar. Educação Infantil. Docente.

 

ABSTRACT: Often the child can be excluded from access to practices that lead to social awareness, in the formation of critical beings and modifiers, learning facts, concepts, attitudes, values ​​and developing their skills. This study aimed to accompany a sustainability project aimed at two-year-old children in nursery classes. With the theme “Sustainability is also a child's thing”, the research was qualitative because it is closer to the reality of individuals, being carried out throughout the second semester of 2019. It is noticed that the participation of the family in projects enables successful democratic actions and results favorable to the child's full development, in addition to arousing interests in the adult in the environment and in the preservation of a better world for their descendants. The importance of motivation and practices that corroborate sustainability can be seen, given the reports after the activities passed on by the parents and guardians of the students. It is concluded that the project is successful and reached the proposed objectives having been recognized by the Municipal Department of Education and gained prominence in its social networks.

 

Keywords: Schooling project. Child education. Teacher.

 

 

1.            Introdução

 

            A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é muito importante para o desenvolvimento das crianças. Para Vinha e Welcman (2010),

 

a vivência de uma situação qualquer, a vivência de um componente qualquer do meio determina qual influência essa situação ou esse meio exercerá na criança. Dessa forma, não é esse ou aquele elemento tomado independentemente da criança, mas, sim, o elemento interpretado pela vivência da criança que pode determinar sua influência no decorrer de seu desenvolvimento futuro (VINHA; WELCMAN, 2010, p. 683-684).

 

Neste sentido, foi realizado um projeto, denominado “Sustentabilidade também é coisa de criança”, que surgiu da necessidade de formar cidadãos conscientes e críticos capazes de modificar o meio em que vivem. Reduzir o consumo excessivo através da brincadeira e do lúdico. Pois, é também na Educação Infantil que temos a oportunidade de desenvolver nas crianças uma personalidade moral voltada para o meio ambiente. E, através delas despertar no adulto a consciência de deixar um mundo melhor para seus descendentes. Currie (2000) salienta que, 

 

Devemos trabalhar sempre os seguintes conceitos: a consciência pessoal visando à responsabilidade particular para com o Meio ambiente; a observação detalhada; a organização; a análise; a comunicação; o uso da imaginação e da criatividade; o estabelecimento da segurança  e da autonomia na aprendizagem, promovendo uma visão integrada do mundo em que vivemos (CURRIE, 2000, p. 36).

 

O artigo 255 da Constituição Federal Brasileira de 1988, ao estabelecer que: “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” nos leva a refletir e indagar enquanto educadores sobre a nossa atitude perante o outro, a empatia e o respeito mútuo ao próximo (BRASIL, 1988).

Dessa forma, a pesquisa teve como problema central questionar o mundo em que vivemos e que estamos deixando para os nossos descendentes a partir das vivências proferidas as crianças na educação infantil.

            De acordo com Paro (2002, p.7) a escola é “apropriação da cultura humana produzida historicamente” partindo da análise sobre o seu presente, sobre o que já está posto no cotidiano escolar enquanto meta de ação e, com vislumbre num futuro melhor, preencher lacunas, com a intenção de gerir uma educação pública, laica e de qualidade.

 

Nessa perspectiva, o projeto político-pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos por todos os envolvidos com o processo educativo da escola (VEIGA, 1995, p. 12).

 

A gestão democrática se caracteriza pela força da transformação, estimulando sempre a construção coletiva no sentido de desenvolver valores e sentimentos, próprios de seres humanos com caráter, capazes de nortear suas ações.  Logo, faz-se necessário redefinir novos pontos de partida na transposição dos obstáculos, redimensionando a prática pedagógica, de forma que esta atenda àquilo que a maioria deseja. Gadotti, (2000, p.71) analisa que, “construir o projeto pedagógico de uma escola é mantê-la em constante estado de reflexão e elaboração numa esclarecida recorrência às questões relevantes de interesse comum e, historicamente, requeridos”.

 Neste sentido, este estudo descreve qualitativamente o projeto “Sustentabilidade também é coisa de criança” voltado para alunos da educação infantil do Espaço de Educação Infantil (EDI) situado na zona oeste do Rio de Janeiro.

 

2.            Metodologia de pesquisa

 

Esta abordagem ocorreu entre os meses de julho e dezembro do ano de 2019. O tema proposto para o projeto foi “Sustentabilidade também é coisa de criança”, realizado no Espaço de Educação Infantil situado na zona oeste do Rio de Janeiro, foi possível acompanhar as atividades que ocorreram em 19 turmas entre berçário, maternal e pré escola, sendo crianças oriundas das classes populares.

As turmas de educação infantil são compostas por Professor de Educação Infantil (PEI), Professor Adjunto de Educação Infantil (PAEI) e Agente de Educação Infantil (AEI) nas turmas de berçário e maternal. Já nas turmas de pré escola somente o Professor de Educação Infantil. Foi possível verificar em algumas turmas Agente de Apoio a Educação Especial (AAEE) e estagiários que atendiam diretamente crianças com deficiência. As atribuições são iguais com diferença em termos. Na prática em sala de aula todos exercem a mesma função.

Este estudo possui uma abordagem qualitativa, pois possui “interesse amplo e parte de uma perspectiva diferenciada da adotada pelos métodos quantitativos. Dela faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador com a situação objeto de estudo” (NEVES, 1996, p.01).

Foram confeccionados materiais lúdicos de acordo com as festividades do mês de julho, agosto, setembro, outubro e novembro, utilizando materiais recicláveis, como forma de conscientizar as crianças sobre a importância da reciclagem.

 

3.            Desdobramento do projeto sustentabilidade

 

No carnaval de 2019 foi proposto aos responsáveis da turma de maternal, a participação de uma oficina em que cada turma confeccionaria um brinquedo pedagógico junto ao responsável reutilizando materiais de reciclagem. Porém, a procura foi baixa. Em uma das turmas, apenas 8% dos familiares compareceram a oficina. Foi realizado chocalho utilizando garrafa de água e as tampas da garrafa.

Diante da dificuldade em motivar as famílias sobre a importância de um mundo sustentável foi criado o projeto “sustentabilidade também é coisa de criança” para que elas se tornassem porta vozes e levassem a conscientização às suas famílias.

 

3.1 Primeiro momento: festa do projeto sustentabilidade

 

No mês de julho, no ano de 2019, foi realizada a festa da sustentabilidade dando início ao projeto com a participação das famílias.

Para as danças, foram produzidos chocalhos com garrafas de água e boi bumbá com garrafa pet e bambolê. Para algumas brincadeiras, foram utilizadasgarrafas pet, latas de leite e rolos de papel higiênico, demonstrando que muitas brincadeiras podem ser divertidas e realizadas com as crianças de forma dinâmica sem muito custo.

Laços para o cabelo foram confeccionados com tampinhas de garrafa e alguns tecidos. Esses laços (Figura 1) foram distribuídos de brinde para a comunidade escolar.


Figura 1: Laços para cabelos.

 

3.2 Primeira atividade: descarte adequado do lixo

 

É importante ressaltar que nessa atividade as turmas se dividiram em ações que se entrelaçavam e ao mesmo tempo garantiam o contato direto com a natureza e as crianças.

O tema dessa abordagem foi sobre o descarte de lixo. De acordo com Silva (2007, p. 11)

 

O lixo é um elemento presente na vida de qualquer pessoa, sendo um ótimo tema a ser trabalhado com os alunos, de forma interdisciplinar, objetivando a conscientização e a mudança de atitudes dentro e fora da sala de aula. Assim, a educação ambiental na escola assume um papel preponderante para a formação do sujeito e sua inserção social, propiciando-lhe um agir com consciência e atitude perante os problemas do meio ambiente.

 

 A turma do maternal iniciou com as questões ambientais e a importância do descarte correto do lixo, porém todas as turmas seguiram essa mesma estratégia. Em sala a docente usou uma música apresentada pelo Aquarela Kids utilizando o “Sapo Zé” que mostra que lixo não deve ser jogado no chão de maneira divertida.[1]

Após essa atividade alguns familiares dos estudantes deram um retorno positivo, relatando que as crianças disseram em casa que não se pode jogar lixo no chão.

 

3.3 Segunda atividade: campanha do óleo

 

Segundo Tiriba (2010) muitos espaços são privilegiados para a produção do conhecimento,

 [...] pois não apenas as salas de aula, mas todos os lugares são propícios às aprendizagens: terreiros, jardins, plantações, criações, riachos, praias, dunas, descampados; tudo que está entorno do bairro, a cidade, seus acidentes geográficos, pontos históricos e pitorescos, as montanhas, o mar... Além de se constituírem com espaços de brincar livremente e relaxar, estes locais podem também ser explorados como lugar de ouvir histórias, desenhar e pintar, espaços de aprendizagem, em que se trabalha uma diversidade de conhecimento (2010, p.9)

 

            Neste sentido, as turmas de pré escola iniciaram a campanha do óleo solicitando aos responsáveis que ao invés de descartar o óleo de maneira inapropriada, que fosse colocado em garrafa pet e entregue na escola.

            Com a quantidade que foi entregue, a docente realizou uma oficina ensinando aos responsáveis a transformar o óleo em sabão e amaciante, além de fazer a troca do óleo por detergente em que as crianças ficaram felizes ao participarem desse momento e entregar o detergente na cozinha da própria unidade escolar (Figura 2).

Figura 2: Troca do óleo em detergente.

 

3.4 Terceira atividade: Semana da Educação Infantil

 

Anualmente a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-RJ) promove a Semana da Educação Infantil. Nessa semana, os responsáveis pelas crianças matriculadas na rede são convidados a participarem da rotina da unidade escolar. O objetivo é conscientizar que a educação infantil deixou o aspecto assistencialista.

Um grande exemplo são as creches que antes as crianças ficavam em horário integral, as vagas eram destinadas aos responsáveis que tinham função laborativa e hoje as crianças permanecem quatro horas e meia.

Outro entendimento é que as crianças aprendem através da brincadeira e interação com o outro. É através do lúdico que os docentes devem realizar o seu planejamento e estratégias para atuar junto as crianças. Diferente das outras etapas, não é permitido uso de folhinhas ou “dever de casa” na educação infantil do município do Rio de Janeiro. A pauta inclusive já foi tema de prova discursiva em concurso público para professor de educação infantil em 2015.

Dessa forma, na Semana da Educação Infantil, foram realizadas atividades ao ar livre, oficinas, apresentação musical e teatral das crianças, enfatizando assuntos relacionados ao projeto político pedagógico. Além disso, foi servido almoço para que os responsáveis avaliassem a merenda fornecida na unidade escolar.

Segundo Tiriba (2010, p.2), “Creches e pré-escolas são espaços privilegiados para aprender-ensinar porque aqui as crianças colhem suas primeiras sensações, suas primeiras impressões”. Neste sentido, a dimensão ambiental não poderia estar ausente, ou a serviço da dimensão cultural, ambas deveriam estar absolutamente acopladas.

 

3.5 Quarta atividade: desfile cívico

 

No desfile cívico é o momento em que todas as unidades escolares apresentam seu projeto umas às outras e para a sociedade. As crianças levaram cartazes falando da importância da reciclagem, do descarte correto do lixo e do reaproveitamento dos alimentos.

De acordo com Vasconcellos (2006, p. 146), “a valorização das atividades recreativas e contemplativas junto à natureza é devido ao caos urbano e a natureza identificada como princípio de ordem ecológica” e que devido a esse caos, o homem passa a estabelecer uma relação com a natureza como se essa fosse um objeto, que pertence ao homem, sem fazer parte dele.

O Espaço de Educação Infantil convidou a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB) e o gari Sorriso, ícone do carnaval carioca conhecido mundialmente pelo seu sorriso encantador e o samba nos pés após os desfiles de carnaval na Apoteose. O mesmo vinha com a sua vassoura sambando, varrendo e sorrindo, ficando conhecido como o gari Sorriso. A seguir, pela Figura 3, pode-se observar um dos momentos do desfile.

Figura 3: Desfile cívico – gari Sorriso

 

3.6 Quinta atividade:  dinâmicas no mês de outubro

 

Em outubro, muitas escolas costumam fazer festas e comprar presentes. Entretanto, o Espaço de Educação Infantil decidiu fazer o presente tanto das crianças quanto das educadoras que comemoram o dia dos mestres e funcionalismo público.

Para confeccionar os presentes, foram aproveitadas 457 latas, 194 caixas de leite, 40 tampinhas de garrafa pet, 6 caixas de papelão, 4 caixas de ovos, vários encartes de mercado e diversos outros materiais. A seguir, pela Figura 4, podemos ver as lembranças confeccionadas.

Figura 4: lembrança feita para os professores

 

A intenção da Equipe de Direção foi de reaproveitar as latas de Mucilon que seriam descartadas, visando produzir um item decorativo e útil ao mesmo tempo para as educadoras do EDI.

As professoras da pré escola decidiram fazer para as crianças, “pés na lata” visando também produzir um resgate de uma brincadeira antiga e bastante divertida, como representa a Figura 5.

Figura 5: pés na lata

 

As professoras do maternal II decidiram confeccionar um jogo de memória utilizando caixa de papelão. O objetivo foi trabalhar a concentração das crianças, jogos e regras. Pela Figura 6, podemos ver o jogo confeccionado.

Figura 6: jogo da memória

 

As professoras do berçário e maternal I que atuam com crianças de 6 meses e 2 anos e 11 meses, respectivamente, decidiram criar fantoches de caixa de leite. Cada professora escolheu um tema que tinha relacionamento com que as crianças gostavam e identificavam. A docente do berçário se inspirou na música "Coelhinho Fufu", que faz uma alusão aos cuidados que devemos ter uns com os outros. Uma das professoras do maternal se inspirou na música “o sapo não lava o pé” enquanto a outra na música do “jacaré”. E, assim foram criados fantoches de coelho, sapo e jacaré com caixas de leite (Figura 7). Os responsáveis foram alertados para a importância das brincadeiras livres para o desenvolvimento pleno das crianças. Para Meirelles (2014, p.64),

 

Na natureza, as crianças são solicitadas a agir de dentro para fora, pois há apenas sugestões do que, como e por que fazer algo. Ao contrário dos brinquedos prontos, ou da televisão, que já possuem forma, função e conteúdo definidos, os elementos da natureza convidam a criança a agir ativamente no mundo, transformando a matéria a partir de sua imaginação e ação. Assim, de um tronco nasce um carrinho; de um sabugo, uma boneca; de uma folha de bananeira, uma cabana. Ao transformar a matéria-prima, a criança produz cultura.

 

Figura 7: coelhos, sapos e jacarés construídos com materiais recicláveis.

 

3.7 Sexta atividade:  desafio pedagógico

 

            Em uma das turmas de maternal, a professora resolveu lançar um desafio aos responsáveis, com o objetivo de avaliar a participação deles nas atividades.

            Visto que,  a educação é um dever da família e principalmente verificar o cuidado da comunidade escolar em relação ao meio ambiente e valores culturais. De acordo com Tuan (2012, p. 139-140),

 

Na vida moderna, o contato físico com o próprio meio ambiente natural é cada vez mais indireto e limitado a ocasiões especiais. [...] O que falta às pessoas nas sociedades avançadas (e os grupos hippies parecem procurar) é o envolvimento suave, inconsciente com o mundo físico, que prevaleceu no passado, quando o ritmo da vida era mais lento e do qual as crianças ainda desfrutavam. [...] A natureza produz sensações deleitáveis à criança, que tem mente aberta, indiferença por si mesma e falta de preocupação pelas regras de beleza definidas. O adulto deve aprender a ser complacente e descuidado como uma criança se quiser desfrutar poliformicamente da natureza.

 

            A docente organizou a plantação de sementes de girassóis no potinho de iogurte em sala de aula, conforme mostra a Figura 8. Posteriormente, conversou com as crianças sobre a importância de se preservar e cuidar da natureza. As crianças tiveram a oportunidade de sentir a terra e tocar na semente de girassol. Para Barbieri (2012, p.116)

 

A natureza traz em si desafios físicos e estéticos que mobilizam as crianças a se aventurar. A lama, a areia as pedras, seus formatos e cores, seus pesos, temperaturas; as plantas, suas folhas, sementes, troncos e talos, raízes com diferentes texturas, cheiros, cores e tamanhos; e os animais que habitam esses lugares: os insetos com seus ruídos peculiares, suas cores e formatos; os diferentes relevos, as topografias: rios montes, barrancos, planícies. Enfim, um universo de possibilidades a serem observadas e investigadas, a serem brincadas, que nos levam ao sentimento de comunhão. Somos parte da natureza, e podemos e devemos nos religar a ela.

 

Figura 8: plantando girassóis

 

 As crianças levaram para casa os potes com os girassóis plantados para continuarem cuidando até que florescesse. Também ficou a critério dos responsáveis se quisessem plantar uma árvore ao ar livre numa praça e fotografar este momento junto a criança. Em seguida, postar no facebook da unidade escolar afirmando que havia aceitado o desafio. Todos os responsáveis concordaram em participar do desafio em que ficou acordado que as crianças ganhariam um brinquedo feito com material reutilizável. A seguir, pela Figura 9, podemos ver uma postagem feita, em rede social, pelos responsáveis de uma das alunas. 

Figura 9: desafio aceito!

 

O brinquedo de material reutilizável foi o bilboquê, feito com garrafa pet e cápsula de café que foi entregue as 8 crianças que participaram do desafio. Alguns pais que não participaram alegaram que não tinha facilidade as redes sociais e outros que o girassol não cresceu.

            Em outra turma, a docente construiu a árvore de natal com caixas de papelão e enfeites doados pela família das crianças. Segundo a gestora da unidade escolar, o enfoque trabalhado com as crianças foi a questão da sustentabilidade. Desde cedo, os educandos já compreendem a relação entre o ser humano e o meio ambiente. O objetivo principal é a busca pela conscientização do indivíduo e, consequentemente, de toda comunidade para as práticas sustentáveis. Pela Figura 10, podemos ver a construção da árvore.

 

Figura 10: passo a passo da construção da árvore de natal.

 

4.            Considerações finais

 

O projeto trouxe possibilidades de as crianças vivenciarem a natureza em seu tempo e espaço, minimizando o consumismo gerado pela mídia e principalmente conectando ao outro. Para Foucault (1992, p. 306) se a linguagem exprime, não o faz na medida em que imite e reduplique as coisas, mas na medida em que manifesta e traduz o querer fundamental daqueles que falam.

Muitas vezes torna-se eficaz abdicar da arrogância de querer administrar a vida das crianças de forma enérgica e criar elo com elas. Deleuze (1968, p. 116), aponta que "basta saber para saber que sabemos".

Os responsáveis da turma de maternal investigada durante a pesquisa demonstraram satisfação ao desconstruir a ideia e a realidade de uma vida entre paredes e participar do processo de construção de conhecimento das crianças. [2]

Além disso, ressaltamos que este projeto recebeu reconhecimento da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e ganhou grande destaque em suas redes sociais, devido a interação dos pais e responsáveis dos alunos. Isso mostra a importância da educação, tendo o estudante como centro no ensino.

 

Referências Bibliográfica

 

BARBIERI, S. Interações: onde está a arte na infância? São Paulo: Blucher, 2012.

 

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

 

CURRIE, K. Meio Ambiente: Interdisciplinaridade na prática. Campinas-SP, Papirus, 2000.

 

DELEUZE, G. Spinoza Et le problème de L'Expression. Paris: Les Éditions de Minuit, 1968.

 

FOUCAULT. M. As palavras e as coisas. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

 

GADOTTI, M. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

 

MEIRELLES, R. Org. Território do brincar diálogo com escolas. Territórios do brincar. 2014. Disponível em: http://territoriodobrincar.com.br/wpcontent/uploads/2014/02/Territ%C3%B3rio_do_Brincar_-_Di%C3%A1logo_com_Escolas-Livro.pdf Acessado em: 01/03/20. Acesso em 22 out. 2020.

 

NEVES, J. L. Pesquisa Qualitativa – características, usos e possibilidades. Caderno de pesquisas em administração, v. 01, n. 03, p. 01-05, 1996.

 

PARO, V. H. Gestão democrática da escola pública. 3º edição, São Paulo: Ática, 2002.

 

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TIRIBA, L. Crianças da natureza: Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis, Rio de Janeiro: NIMA/PUC-Rio, 2010.

 

TUAN, Y. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. (Tradução de Lívia de Oliveira). Londrina: Eduel, 2012.

 

VASCONCELLOS, T. Crianças em trilha na natureza: jogos de percurso e reencantamento. Revista do Departamento de Psicologia – UFF, v. 18 – n. 2, p. 143 – 162,  2006.

 

VEIGA, I. P. A. Projeto Político Pedagógico: uma construção possível. Campinas: Papirus, 1995.

 

VINHA, M. P.; WELCMAN, M. Quarta aula: a questão do meio na pedologia, Lev Semionovich Vigotski. Psicol. USP, São Paulo, v. 21, n. 4, p. 681-701, 2010.



[1] O vídeo está disponível no Youtube através do link: https://www.youtube.com/watch?v=1qbTY5kMaic

 

[2] O Espaço de Educação Infantil teve seu projeto divulgado pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, podendo ser acessado através do link: http://www.rio.rj.gov.br/web/rioeduca/exibeconteudo/?id=10284075&fbclid=IwAR2z75w1ssH1LAEFUAuFNiBkEkI5hyQRnjxvNELtyWulKgxB7gk6LqObV0Y

 


Recebido em 22 de outubro de 2020
Publicado em 18 de dezembro de 2020


Como citar este artigo (ABNT)

PIRES, Cíntia Nazaré Oliveira. NASCIMENTO, Dandara Lorrayne do. Projeto de Sustentabilidade na Educação Infantil. Revista MultiAtual, v. 1, n. 8, 18 de dezembro de 2020. Disponível em: https://www.multiatual.com.br/2020/12/projeto-de-sustentabilidade-na-educacao.html

PROJETO DE SUSTENTABILIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL PROJETO DE SUSTENTABILIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL Reviewed by Revista MultiAtual on dezembro 04, 2020 Rating: 5
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