Revista MultiAtual - ISSN 2675-4592

AUTISMO: INCLUSÃO NA PRÁTICA DOCENTE DA EDUCAÇÃO BÁSICA

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Ieda Cicotti de Jesus

Pedagoga, acadêmica do curso de Pós-graduação lato sensu em Docência (IFMG - Campus Arcos). E-mail: iedacicotti@gmail.com

 

Rudvan Cicotti Alves de Jesus

Biólogo Licenciado, acadêmico do curso de Pós-graduação lato sensu em Docência (IFMG - Campus Arcos). E-mail: cicottijesus@gmail.com

 

Viviane Lima Martins

Doutora em Comunicação e Semiótica, licenciada em Letras, docente do curso de Pós-graduação lato sensu em Docência (IFMG - Campus Arcos). E-mail: viviane.martins@ifmg.edu.br

 

RESUMO

Este é um artigo de revisão da literatura que irá discutir a ação reflexiva da inclusão de alunos autistas nas escolas, e também as práticas pedagógicas e adequações das instituições de ensino, para que estes possam ser recebidos, além das condições e preparação dos professores, que se tornaram a peça fundamental de ensino e aprendizagem desses alunos. O texto irá dimensionar as dificuldades de inserção dos métodos perceptivos no âmbito educacional, com uma breve ênfase na possibilidade de trabalhar o ensino lúdico através de jogos e brincadeiras que possa favorecer o aluno no seu desenvolvimento cognitivo e motor, partindo da premissa, quando a criança no ensino básico, estuda tendo alguma relação de estimulo por meio de jogos, ela desenvolve uma melhor capacidade de absorção do conhecimento aplicado, nesse mecanismo de ensino-aprendizagem. Tais metodologias apresentam-se, para propor um melhor desenvolvimento nas técnicas e métodos de ensino dos professores, enfatizando como o aperfeiçoamento e/ou capacitação profissional diante uma formação continua é algo importante para o trabalho com a educação, bem como a readequação do currículo pedagógico, a fim de dar aos alunos autistas um desenvolvimento intelectual, associativo, como também favorecer aos portadores de deficiência (Auditiva, Sinestesia, Visual e Física), dando uma educação igual a todos.

 

PALAVRAS-CHAVES: Autismo; Inclusão; Práticas pedagógicas.

 

 

ABSTRACT

This is a literature review article that will discuss the reflexive action of including autistic students in schools, as well as the pedagogical practices and adaptations of educational institutions, so that they can be received, in addition to the conditions and preparation of teachers, who became the fundamental piece of teaching and learning for these students. The text will measure the difficulties of insertion of the perceptual methods in the educational scope, with a brief emphasis on the possibility of working the ludic teaching through games and games that can favor the student in his cognitive and motor development, starting from the premise, when the child in basic education, she studies with some stimulus relationship through games, she develops a better capacity for absorbing applied knowledge, in this teaching-learning mechanism. Such methodologies are presented, in order to propose a better development in the techniques and teaching methods of teachers, emphasizing how the improvement and / or professional training in the face of continuous training is something important for working with education, as well as the readjustment of the pedagogical curriculum. , in order to give autistic students an intellectual, associative development, as well as to favor the disabled (Auditory, Synesthesia, Visual and Physical), giving an education equal to all.

 

KEYWORDS: Autism; Inclusion; Pedagogical practices.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Durante anos a psicanalise enfatizou o papel da função materna e paterna no aparecimento do autismo e, hoje, sabe-se que o autismo é um transtorno invasivo, em que pesquisas científicas acreditam ser devido a alterações biológicas, hereditárias (ou não). De fato, o autismo é um conjunto de sintomas em que a capacidade para pensamentos abstratos, jogos, contatos sociais seriam totalmente prejudicados. A criança cria formas próprias de relacionamentos com o mundo exterior, não interagem normalmente com pessoas inclusive com próprios pais, e nem manuseiam objetos.

 

Ao tratarmos de inclusão de crianças com necessidades especiais, somos enviados ao campo da educação, pois ele está presente no dia-a-dia, defendida como para Todos, sem nenhum tipo de distinção, traçando diretrizes para que o processo inclusivo seja deflagrado. Contudo, percebe-se que dez anos após a implantação da Declaração de Salamanca, sobre princípios, políticas e práticas em Educação Especial, ainda caminhamos a passos lentos, pois se faz necessário derrubar muitos paradigmas, no intuito de preparar a sociedade para receber e aceitar a diversidade biopsicossocial. (DELLANI & MORAES, 2012, p. 3)

 

Tendo em vista que o processo de inclusão é bem maior que apenas inserir o aluno com necessidades especiais em sala de aula, é necessário se preocupar com os procedimentos da inclusão do mesmo no espaço e, principalmente com ação da prática docente, para com o aprendizado desse público.

Para Dellani & Moraes (2012), a inclusão engloba uma educação para todos, centrada no respeito e valorização das diferenças. Uma posição que reforça a necessidade do respeito à diferença, do conhecimento e do preparo para lidar com as potencialidades e limitações das pessoas.

O que faz necessário não apenas o preparo do profissional que irá estar lado a lado com essas crianças, mas também de toda a estrutura irá acompanhar as suas dificuldades, fornecendo-lhes materiais necessários para que de forma metodológica e também lúdica, visando a criar uma interação e, de tal forma, prender atenção de crianças portadoras da síndrome do autismo, para que tenham curiosidade do aprender e do conhecimento.

 

O autismo, também conhecido como transtorno autístico, autismo da infância, autismo infantil e autismo infantil precoce, é o TID mais conhecido. Nessa condição, existe um marcado e permanente prejuízo na interação social, alterações da comunicação e padrões limitados ou estereotipados de comportamentos e interesses. As anormalidades no funcionamento em cada uma dessas áreas devem estar presentes em torno dos três anos de idade. (KLIN, 2006, p. 4)

 

Perante a aprendizagem de autistas nas escolas, alguns professores demonstram dificuldades em ministrar aula, de modo que, o aluno participe das aulas de forma satisfatória.

A educação inclusiva é uma possibilidade de incluir pessoas com algum tipo de deficiência física, psíquica ou de outras características, em meio ao processo educacional, desenvolvendo suas potencialidades. Há classificações diferentes para cada deficiência, mental, cognitiva, físico e até mesmo deficiências múltiplas, quando um caso (exemplo) psicológico gera outros, cognitivo de aprendizagem, locomoção, assim o indivíduo tem múltiplas deficiências, mesmo que o problema originário tenha sido apenas um.

Para isso, é garantido pela Constituição Federal 1988, pelo seu artigo 205º, que menciona a educação como um direito de todos, estabelecendo a igualdade de condições de acesso e permanência na escola como um princípio, onde o estado tem por obrigação à implementação do serviço de atendimento educacional especializado, para pessoas com deficiência, no qual alunos que se enquadram nessa condição possa tem acesso a uma pedagogia diferencias aos demais e especifica para atender todas as deficiências especifica.

Para que se possa conceber a escola inclusiva, é necessário continuar trilhando um longo caminho, mas sabe-se que a escola é um imenso laboratório de ideias, conceitos e liberdade, pois nela que se pode criar e inventar, metodologias e técnicas de ensina e aprendizagem.

Este artigo trata-se de uma revisão da literatura, para o estudo em questão foram realizadas buscas de artigos científicos na base de dados do SCIELO (The Scientific Electronic Library Online), assim como em livros que tratavam do tema de forma geral e específica. Durante a pesquisa foram utilizados descritores da língua portuguesa: transtorno do espectro do autismo (TEA), inclusão, transtorno neurológico, práticas pedagógicas, desenvolvimento cognitivo.

 

 

INCLUSÃO DO AUTISTA NA EDUCAÇÃO E O PAPEL DA GESTÃO ESCOLAR

 

O autismo segundo Oliveira e Paula (2012, p. 54) são “[...] indivíduos que apresentam precocemente anormalidades qualitativas abrangentes e com diferentes graus de comprometimento”. Essas afetam o desenvolvimento de habilidades motoras, de interação social, comunicacional, comportamental dentre outros, dessa forma as características dos autistas podem variar de um indivíduo para outro.

Entretanto o aluno deve ser incluído no âmbito escolar, seja ele especial ou não, a escola não deve ser adequada a X ou Y e, sim a todos, mesmo havendo alunos com necessidades especiais. Nesse sentido, Lima afirma:

 

[...] a inclusão do aluno em casos especiais ou não, como pessoas no desenvolvimento da formação intelectual e comunicativa não se deve limitar a socialização do aluno no meio social e contextos escolares. [...] Hoje a maior preocupação na educação é a falta de conhecimento e ao mesmo tempo o acomodamento em partes de profissionais da área. (LIMA, 2005, p. 01).

 

Pensar em inclusão perpassa pelo olhar sobre as diferenças, ou seja, respeitar nas diferenças, já consolidadas na sociedade atual, nos referimos ao reconhecimento do outro, daquele que aos olhos de alguns parece “estranho” e, portanto, incomoda. Assim, é preciso

 

Entender a diferença não como algo fixo e incapacitante na pessoa, mas reconhecê-la como própria da condição humana ainda é muito distante e complexo [...] A diferença que se materializa não somente pela deficiência, mas também pelas diferenças de raça, sexo, religião, existe em todos nós, em todas as salas de aula, tendo alunos com deficiências ou não. (BOLSSON, 2017).

 

É valido lembra que a inclusão está ligada a todas as pessoas que têm as mesmas oportunidades dentro da sociedade. Mas, os excluídos socialmente são também os que não possuem condições financeiras dentro dos padrões impostos pela sociedade, além dos idosos, os negros os portadores de algumas deficiências físicos, como deficiente visual, auditivos, e mentais além do autista.

A escola deve prepara-se com material pedagógico, recursos humanos e demais ferramentas necessárias para atender e incluir o autista em meio à sociedade. Para isso:

 

A inclusão de pessoas com qualquer forma de impedimentos funcional de natureza biológica pressupõe a criação de uma pedagogia para a diversidade isso é uma pedagogia que orienta para criar vários caminhos possíveis de ensino, a fim de que a aprendizagem deles no decorrente leve cada pessoa a um processo amplo de formação humana (LIMA, 2005, p. 03).

 

Lembrando que a educação inclusiva não é colocada de forma neutra, ela resulta da expressão cotidiana na conjuntiva social e cultura das relações em que o homem desenvolve entre eles por meio da interação e do diálogo. Neste, entende-se que a educação inclusiva é, então, um direito também do homem com dificuldades físicas, Síndrome Down ou autismo, inalienável, inseparável de natureza biofísico ou biopsicossocial do ser humano, determinado pelo (Capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases Lei nº 9.394/96) sobre o direito educacional a todos com algum tipo de necessidade em especial.

A Declaração de Salamanca (ano?) foi e é, sem dúvida, um marco na trajetória da educação para pessoas com necessidades especiais, mesmo que na versão brasileira encontra-se o termo “integrar”, cujo significado é “adentrar a um meio”, no caso “adicionar o deficiente a um meio (escolar)”. Porém, ao se falar em educação inclusiva, esse termo não dá conta da necessidade real da situação, pois incluir, além de integrar, é fazer com que o deficiente tenha possibilidades de desenvolver-se, interagir com o meio, fazer parte do processo.

Mesmo havendo na Lei 9.394/96 Lei de Diretrizes de Base da Educação Nacional, o Capítulo V que ampara pessoas com necessidades educativas especiais no sistema público de ensino, dentre eles o autista, a educação pública oferta a educação especial e reconhece as necessidades especiais adversas, sem, no entanto, oferta-la de maneira qualitativa, pois, há professores despreparados, falta recursos financeiros materiais adequados, dentre outras necessidades para uma educação de qualidade para às pessoas com necessidades especiais.

Cabe às escolas receberem e buscar meios estruturais, pedagógicos, desde a mudança e readequação do currículo pedagógico, ao aperfeiçoamento profissional dentre mais recursos que garanta inclusão do autista em sala de aula e no processo educativo.

 

O currículo é um dos aspectos centrais a ser levado em conta quando se procura realizar alterações na escola no sentido da inclusão. Existe, por parte das escolas, uma dificuldade em alterá-lo e ele acaba sendo usado como uma das justificações para se manter a escola como está. Desta forma, o currículo pode ser visto como um dos obstáculos à Inclusão. (NASCIMENTO, 2008, p. 8)

 

Os alunos atendidos através da educação especial devem ter suas condições respeitadas, seu tempo de aprendizagem, e o modo como aprendem, logo é de responsabilidade do docente saber trabalhar, envolver-se com atividades que possibilitem esse desenvolvimento.

Para lidar com tais situações é necessário o professor ter formação (previa e continuada) e estar apto a trabalhar com alunos com deficiência, dentre as possibilidades de atuação é importante que faça parceria com a família no intuito de melhor conhecer as causas dos problemas e caminharem junto em prol dos mesmos objetivos.

 

O LUGAR DO PROFESSOR: ESPECIFICIDADES NA FORMAÇÃO

 

Nessa perspectiva da especificidade, a formação continuada do docente pode ajudar a melhorar, cada vez mais, a sua prática em sala de aula e espaço escolar, apoiando os discentes no desenvolvimento de suas construções, a qual se produz através de sua própria imaginação. A aprendizagem é um processo fundamental da vida, todos aprendem, e é a aprendizagem que desenvolve os comportamentos humanos necessários à sobrevivência, como também lapida a personalidade, e maneiras de vidas peculiares, visto que cada indivíduo é o que é pelo que aprende. A partir da máxima “todos podem aprender”, nos cabe pensar na formação continuada do professor para lidar com a diversidade em sala de aula.

A formação de professores vem sendo alvo de grandes estudos e, em geral, tem revelado muitas fragilidades e insatisfações, quer no âmbito das políticas de formação, quer na atuação dos professores de instituições formadoras. Assim, a reflexão sobre o processo de ensino aprendizagem na inclusão, também faz parte a preocupação de formação de profissionais adequados para atuarem com esse nível de público que tem necessidades especiais.

 

A convivência com as crianças na escola, seja em sala de aula, seja nos momentos de interação social e lazer, possibilita a percepção de uma variabilidade e diversidade enorme de características que os educandos podem apresentar. Os professores e o ambiente escolar são referências determinantes para a vida e o desenvolvimento da criança e do adolescente. Na escola, os alunos passam diariamente horas sob o olhar de educadores treinados a acompanhar sua aprendizagem e socialização. Portanto, não é raro que as primeiras dúvidas sobre o desenvolvimento da criança sejam levantadas pelos educadores da criança ou do adolescente. (BRUNI; GADIA; MARCO; et. al., 2013, p. 6)

 

Neste processo, é válido apontar uma formação inicial como a primeira fase de uma diferenciada e longa ação de desenvolvimento profissional, no qual exige novos parâmetros para a formação de professores, especificamente para atuarem nesta área, priorizando a reflexão, a criação e a execução de propostas pedagógicas.  Assim, diante essa perspectiva, o professor que participa de seu próprio conhecimento, e pode favorecer na construção do desenvolvimento cognitivo de outro público, a exemplo, o aluno autista que, supostamente, enfrentam dificuldades de compreensão nos procedimentos de aprendizagem.

Para este, Leite (2011) todos os tipos de cursos e estudos proposto ao professor, devem ser organizando de forma a possibilitar ao mesmo, antes de tudo, a superação de seu a comodismo, substituindo-o por outros que é o intuito da formação continuada, a qual lhe assegura, defronte à inclusão, uma base ativa e reflexiva, para o desenvolvimento de um trabalho profissional seguro, com posição e atuação continuada.

Corroborando com esse, Perrenourd (2008) fala do pressuposto estudo que, leva a discutir sobre a formação continuada do professor, o qual, busca garantir ao público na inclusão, uma educação com maior preparo, vindo de um profissional de nível mais elevado, que debate, compreende e garante um maior domínio mediante a sua prática de ação, adequando com base na ciência do ensino, e da técnica da profissionalização docente.

Dessa forma, espera-se, também, preparar o professor para o trabalho com a inclusão, repensando na formação continua do docente de modo a proporcionar ao mesmo, um exercício adequado, de maneira que, o coloque atualizado ao ensino contemporâneo, de modo a se aproximar da perspectiva que lhe permite aprender a lidar com a complexidade e diversidades de situações reais, com que se confrontam diariamente os professores.

 

[...] às diferentes etapas da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), é requerida formação específica e adequação das competências e habilidades para os futuros professores, no atendimento às DCN, para cada uma dessas etapas, considerando-se a garantia do domínio dos conhecimentos previstos para a conclusão da escolaridade básica. (LEITE; RIBEIRO; LEITE; ULIANA;, 2018, p. 729)

 

A velocidade dessas mudanças leva-nos a repensar na formação do profissional de educação de hoje. As novas políticas mundiais adquirem natureza multicultural, mas parecem não empreender um olhar mais apurado, a ponto de desenvolverem movimentos que busquem captar diferentes perspectivas de mundo, capazes de contribuir para sociedades mais justas e democráticas.

Como base nessas mudanças e perspectivas de inclusão e a busca de melhorias para os professores como cursos de formação continuada, e outras formas de intervenção, foram então realizadas experiências e sugestões de como trabalhar com autistas.

 

Levando em consideração o grau de comprometimento social e como afeta a vida dos indivíduos autistas, vários métodos de intervenção foram criados a fim de se promover a comunicação. Alguns dos métodos mais comuns de intervenção são: TEACCH (Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits Relacionados com a Comunicação), PECS (Sistema de Comunicação por Figuras) ABA (Análise aplicada do comportamento) e intervenções fonoterapêuticas (GRACIOLI E BIANCHI, 2014, p. 128).

 

Assim, o contexto educacional atual, possibilita a inclusão de todas as diferenças que são inseridas no processo educacional, mas muitas não veem contempladas suas subjetividades como componente fundamental para uma verdadeira construção educacional. Entre elas estão a das pessoas comumente chamadas deficientes, pessoas com deficiência, portadoras de necessidades educativas especiais, dentre outros termos.

Sobre isso, Libâneo (2016) fala que a articulação entre a formação inicial ou continua do professor é vinculada a contextos de trabalho, ou seja, à possibilidade de pensar nas disciplinas com base a que se pede para o desenvolvimento voltado para a prática de ensino. São decorrência de formação continua, feitas na unidade educativa de acordo com os saberes e as experiências de cada professor. Assim, articula-se a formação inicial ou não, pois ambas vinculam-se aos contextos da modalidade e interação de ensino entre a prática formativa de trabalho docente, além de, ser responsabilidade do profissional que é compromissado com seu trabalho, é o mesmo que, consisti na organização e função do processo crescente na escola.

A formação continuada surge como ação específica, ligada principalmente para dar auxílio aos professores no início de carreira; já para os professores próximo da aposentadoria, atua como uma atualização e/ou capacitação. A importância da educação continuada relaciona-se aos novos procedimentos voltados para o ensino-aprendizagem na inclusão. Atualmente muitos profissionais enfrentam algum tipo de dificuldade, quando se trata do ensino na prática com o público diagnosticado com autismo, tais dificuldades estão associadas pela falta de experiência e conhecimento diante os procedimentos contemporâneos para trabalhar com esse nível de aluno.

Dentre os procedimentos, um passo importante é perceber, identificar se o aluno é autista ou não através do diagnóstico que acompanha o registro de matricula. Para essa primeira identificação, não se deve levantar suspeitas como: “Atraso na aquisição da linguagem”; “Risos e movimentos pouco apropriados e repetitivos”; “Presença de respostas anormais a barulhos e tato”; “Rigidez no comportamento e rotinas” dos quais somente um profissional apropriado pode descrever e registrar esses relatos, de fronte a este, (BRUNI, GADIA, MARCO, et. al., 2013, p. 6), fala que, essa parte, em sala de aula, o professor não pode está observando esses e outros comportamentos da criança, na tentativa de identificar se o aluno pode, ou não, for “Autista”, para esse, existe vários outro procedimento vindo de outros profissionais específicos para essa analise e ou diagnóstico.

Lidar com pessoas requer conhecimentos e estratégias distintas porque, cada ser humano tem suas particularidades, fragilidades, potencialidades dentre outras características. A escola e os professores devem estar preparados para contribuir significativamente para com a clientela, assim, todos têm de preparar-se para atender e educar sua clientela, seja ela qual for.

Assim, o processo de formação inicial passa acontecer com uma nova visão voltada para a reflexão da prática, para com isso, cumprir a sua tarefa de construir os saberes necessários à superação da dicotomia teoria e prática e na relação com o cotidiano do autista no espaço escolar.

De fronte a este processo, o papel do professor é contribuir como profissional, estimulando o desenvolver de novos meios na realização do trabalho pedagógico com reflexão lúdica sobre sua própria prática. Nessa perspectiva da reflexão lúdica em prática, a formação docente deve estender ao longo da carreira, assim como deve desenvolver métodos voltados, especificamente, para atender o público na inclusão escolar.

 

JOGOS E BRINCADEIRAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

 

A criança tem características próprias e precisa percorrer todas as etapas de seu desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional. É responsabilidade do educador, na educação infantil, ajudar a criança a ampliar, de fato, as suas possibilidades de ação, proporcionando jogos e brincadeiras que possam contribuir para o seu desenvolvimento psicomotor, psicossocial e para a educação. A atividade lúdica é de suma importância para o desenvolvimento da criança, para a suas atividades intelectuais e, por isso, é indispensável na pratica educativa e interatividades associativas.

Contudo, o saber escolar deve ser valorizado socialmente, e a alfabetização deve ser um processo dinâmico e criativo, nas ações através de jogos, brinquedos, brincadeiras, músicas, teatros entre outros. Sendo, que a brincadeira é uma linguagem natural da criança e é importante que esteja presente na escola, desde a educação infantil, para que, diante essas ações, os alunos possam ser espontâneos obtendo facilidades de se colocar e expressar através de suas atividades lúdicas, como afirma Santo (1997, p. 28) o lúdico é possibilitar a criança brincar enquanto estuda, lhe favorecendo ao desenvolvimento de suas perspectivas social, cultural, afetiva, criativa e histórica. Logo,

 

É na brincadeira que a criança se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário. A criança vivência uma experiência no brinquedo como se ela fosse maior do que a realidade, o brinquedo fornece estrutura básica para mudanças das necessidades da consciência da criança. (VYGOTSKY, 1992, pg.117)

 

É através da brincadeira que, a criança ultrapassa seu comportamento no cotidiano, desenvolvendo habilidades e experiências, conforme a nova exigência de cada brincadeira.

O jogo e a brincadeira são por si só, uma situação de aprendizagem. Também é através do brincar e do jogar que, a criança desenvolve a linguagem, o pensamento, a socialização, a iniciativa e a autoestima, preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios, se preparando para participar na construção de um mundo melhor.

Dessa forma, os jogos e brincadeiras auxiliam os discentes na aprendizagem, principalmente na educação integral, assim, podem dar conta de suas atividades cotidianas fazendo parte de uma manifestação social-histórica do movimento humano. Este processo fará com que as crianças sintam gosto em investigar e problematizar as práticas, presente no seu dia a dia, facilitando-os para uma melhor compreensão e desenvolvimento de seus estudos. Tanto para Vygotsky (1984) como para Piaget (1975), o desenvolvimento não é linear, mas evolutivo e, nesse trajeto, a imigração se desenvolve. Uma vez que a criança brinca, ela desenvolve sua capacidade para determinado tipo de conhecimento, e dificilmente perde esta capacidade, porque é um conceito que ficará registrado em seu consciente.

É com a formação destes conceitos que se dá a verdadeira aprendizagem, e é no brincar que, está um dos maiores espaços para a formação dos próprios conceitos. Mediante a este conceito, Negrini (1994, p.19) fala das contribuições que as atividades lúdicas possibilitam no desenvolvimento integral da criança, favorecendo poderosamente em seu crescimento por um todo, e que todas as dimensões estão intrinsecamente vinculadas: a inteligência, a afetividade, a motricidade e a sociabilidade. Afirmando ainda que, essas qualidades são inseparáveis, sendo a afetividade a que constitui a energia necessária para a progressão psíquica, moral, intelectual e motriz da criança.

Dessa forma, como afirma Brasil (1998, pg. 32) “Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal”, sendo que o educar, no processo educativo, auxilia no desenvolvimento da capacidade das crianças aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Sabe-se que a educação não apresenta neutralidade, e a mesma não ocorre de maneira isolada, sendo necessário fazer levantamento de um modo geral, do qual leva em consideração a criança.

Nesta perspectiva, é importante ressaltar que a gestão escolar deva estar apta, a atuar de forma participativa e significativa nos procedimentos de inclusão do aluno no âmbito escolar. Tais estratégias auxiliam a gestão, não somente para inserção do aluno com diagnóstico de autismo, mas também percalça o objetivo de promover o bem estar de todas as crianças, entre elas, as que, de alguma forma, foram mais atingidas pela exclusão diante os processos educativos.

No entanto, tende a haver a influência no contexto social da alfabetização, mediante o processo e aprendizagem na educação infantil, por meio da contribuição de jogos brincadeiras, para que haja um bom desenvolvimento na criança, assim como a interação da mesma ao cotidiano. E é por meio de atividades lúdicas, construídas através dos jogos e brincadeiras, que as crianças com autismo podem ter um melhor desenvolvimento no que se diz, mobilidade da aprendizagem.

Desta maneira, foi possível demonstrar de como a forma do pensar do sujeito releva a detrimentos entre outras estratégias que são propostas para o ensino na inclusão.

De fronte a essa realidade, a inclusão define que, os gestores administrativos de cada instituição devem ser responsáveis pela implementação educacional de sua escola, a qual deve estar aberta para dar suporte ao atendimento de todos, que buscam um crescimento diante o ensino aprendizagem. Em outras palavras, a democracia em si, precisa se fazer parte de toda sociedade que envolve o espaço educativo, assim como toda a equipe diretiva e corpo docente. E isso se faz mediante um diálogo entre todos os membros, e não somente um simples grupo centralizado individualmente no espaço da direção, esquecendo o meio ambiente escolar, o qual prepara o sujeito para atuar em sociedade.

 

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Recebido em 17 de novembro de 2020
Publicado em 08 de janeiro de 2021


Como citar este artigo (ABNT)

JESUS, Ieda Cicotti de. JESUS, Rudvan Cicotti Alves de. MARTINS, Viviane Lima. Autismo: Inclusão na Prática Docente da Educação Básica. Revista MultiAtual, v. 2, n. 1, 08 de janeiro de 2021. Disponível em: https://www.multiatual.com.br/2021/01/autismo-inclusao-na-pratica-docente-da.html
AUTISMO: INCLUSÃO NA PRÁTICA DOCENTE DA EDUCAÇÃO BÁSICA AUTISMO: INCLUSÃO NA PRÁTICA DOCENTE DA EDUCAÇÃO BÁSICA Reviewed by Revista MultiAtual on janeiro 08, 2021 Rating: 5
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