Revista MultiAtual - ISSN 2675-4592

A UTILIZAÇÃO DE TICs NA EDUCAÇÃO BÁSICA E O ENSINO HÍBRIDO

💢 Artigo em PDF


Antônio Augusto Rocha Athayde

Aluno de pós graduação em Docência IFMG/ Arcos

 

Thomas Jeferson Oliveira de Aquino

Aluno de pós graduação em Docência IFMG/ Arcos

 

Patricia Ferreira Santos Guanãbens

Professora Orientadora IFMG/Arcos

 

 

Resumo

O uso de tecnologias e recursos educacionais digitais como ferramenta de aprendizagem, tem como objetivo tornar a educação mais conectada com as atuais necessidades dos docentes, estudantes e toda a comunidade escolar, facilitando o desenvolvimento de competências para alunos e professores mediante às necessidades da sociedade do século XXI. A utilização de tais ferramentas traz inovações para que as atividades educacionais sejam mais alinhadas às vocações, aos desejos e às realidades de cada um. Historicamente no Brasil, as políticas públicas voltadas para a inserção de tecnologias da informação e comunicação (TIC) nas escolas vêm sendo planejadas desde a década de 1990, a partir a popularização do computador que se tornara acessível tanto para as empresas, famílias e para instituições de ensino. Com o objetivo de analisar como a tecnologia da informação pode ser usada como ferramenta de apoio para o ensino aprendizagem, foi desenvolvido o presente trabalho, que analisou diversos trabalhos científicos a respeito desta temática. As Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs possibilitam que as aulas presenciais ou o modelo de Ensino Hibrido possam ser realizadas a distância onde professor e aluno se conectam em uma sala virtual e se comunicam através de áudio e vídeo. A tecnologia da informação atinge as mais diversas áreas do conhecimento. O professor terá papel fundamental no ensino  e aprendizado, e poderá auxiliar ainda mais a inclusão dos computadores, na era digital.  Concluiu-se que a tecnologia da informação  é altamente presente em nossas vidas e a assumindo assim grande  importância como ferramenta de apoio pedagógico, tendo em vista que a integração das TICs na educação é um grande desafio a ser enfrentado pela comunidade escolar e faz parte de uma evolução no sistema educacional do país e que possibilita um trabalho mais dinâmico, e eficiente na construção do ensino-aprendizagem do educando.

Palavras-chave: Comunicação, Conhecimento, Educação, Ensino, Tecnologias

 

Abstract

The use of digital educational technologies and resources as a learning tool, aims to make education more connected with the current needs of teachers, students and the entire school community, facilitating the development of skills for students and teachers through the needs of the society of the XXI century. The use of such tools brings innovations so that educational activities are more aligned with the vocations, desires and realities of each one. Historically in Brazil, public policies aimed at the insertion of information and communication technologies (ICT) in schools have been planned since the 1990s, starting with the popularization of the computer that had become accessible both to companies, families and institutions education. In order to analyze how information technology can be used as a support tool for teaching and learning, this work was developed, which analyzed several scientific works on this theme. Information and Communication Technologies - ICTs allow face-to-face classes or the Hybrid Teaching model to be carried out remotely where teacher and student connect in a virtual room and communicate through audio and video. Information technology reaches the most diverse areas of knowledge. The teacher will have a fundamental role in teaching and learning, and will be able to further assist the inclusion of computers in the digital age. It was concluded that the existence of information technology in our lives is clear and its importance as a pedagogical support tool, considering that the integration of ICTs in education is a great challenge to be faced by the school community and is part of a evolution in the educational system of the country and that allows a more dynamic and efficient work in the construction of the student's teaching-learning.

Keywords: Communication, Knowledge, Education, Teaching, Technologies

 

1INTRODUÇÃO

 

O uso de Tecnologias da Informação e Comunicação - TICs como ferramentas digitais no processo de ensino e aprendizagem tornou-se necessário na atualidade,  haja vista a interação global e imediata por meio de diferente dispositivos de comunicação. A utilização de tecnologias está além das formas de comunicação e permite a obteção de informações rápidas, transações financeiras, monitoramento de ambientes e/ou pessoas, dentre outros.

O uso das TICs nas escolas tem por objetivo tornar a educação conectada com as atuais necessidades de acesso a informações, dos docentes, estudantes e toda a comunidade escolar, permitindo o desenvolvimento de atividades e acesso às plataformas e material digitais por alunos e professores. A utilização de tais ferramentas traz inovações para que as atividades educacionais promovam a aprendizagem significativa, alinhada às tecnologias atuais.

Segundo a Base Nacional Comum Curricular - BNCC:

No novo cenário mundial, reconhecer-se em seu contexto histórico e cultural, comunicar-se, ser criativo, analítico-crítico, participativo, aberto ao novo, colaborativo, resiliente, produtivo e responsável requer muito mais do que o acúmulo de informações. Requer o desenvolvimento de competências para aprender a aprender, saber lidar com a informação cada vez mais disponível, atuar com discernimento e responsabilidade nos contextos das culturas digitais, aplicar conhecimentos para resolver problemas, ter autonomia para tomar decisões, ser proativo para identificar os dados de uma situação e buscar soluções, conviver e aprender com as diferenças e as diversidades. (BRASIL, 2017, p14)

A BNCC aponta que, para a escola oferecer uma educação que faça sentido para o aluno que nasceu no século XXI, devem-se explorar os aspectos relacionados ao seu desenvolvimento físico, psicológico e social. Ao ensinar, o professor deve utilizar elementos que façam parte do meio sociocultural do aluno, para que seja possível se aproximar cada vez mais de seu universo e para que sua aprendizagem se torne significativa. De acordo com Moreira (2012, p.2), a aprendizagem significativa se caracteriza pela interação entre conhecimentos prévios e conhecimentos novos, o autor propõe que essa interação é não literal e não arbitrária. Nesse processo, os novos conhecimentos adquirem significado para o sujeito e os conhecimentos prévios adquirem novos significados ou maior estabilidade cognitiva.

Historicamente no Brasil, as políticas públicas educacionais voltadas para a inserção de Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs nas escolas vêm sendo planejadas desde as décadas de 1970 e 1980, quando o desenvolvimento de novas tecnologias digitais e da eletrônica se tornou um fator marcante, o governo observou a necessidade de criar órgãos responsáveis pela coordenação e política nacional de informática, tais como a SEI – Secretaria Nacional de Informática. Nessa época, sob influência de países como Estados Unidos e França, a Tecnologia Educacional começou a se desenvolver e o Ministério da Educação (MEC), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e outros órgãos propuseram políticas para as primeiras investigações na área (SILVA, 2009).

Na década de 90, mais precisamente em 1997, o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo) foi criado pelo MEC, para promover o uso da tecnologia como ferramenta de enriquecimento pedagógico no ensino público fundamental e médio. De acordo com a apresentação do programa disponível no site do MEC, o Proinfo foi apresentado como:

[...] um programa educacional com o objetivo de promover o uso pedagógico da informática na rede pública de educação básica. O programa leva às escolas computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais. Em contrapartida, estados, Distrito Federal e municípios devem garantir a estrutura adequada para receber os laboratórios e capacitar os educadores para uso das máquinas e tecnologias. (BRASIL, 2007, p.3)

O ProInfo foi um projeto do Governo Federal e teve como plataforma a integração da tecnologia à escola. Surgiu para atender a necessidade criada pela rápida evolução tecnológica e a disponibilização da internet que criou uma revolução na rapidez e facilidade de acesso à informação e criação de conteúdos. Seu objetivo foi a incorporação das TICs ao ambiente de aprendizagem como ferramenta pedagógica para a melhoria da qualidade do ensino e qualificação profissional dos professores. Em 2007, o projeto passou por uma reestruturação e de acordo com o Decreto nº 6.300, o governo estabelece:

Art. 1o O Programa Nacional de Tecnologia Educacional - ProInfo, executado no âmbito do Ministério da Educação, promoverá o uso pedagógico das tecnologias de informação e comunicação nas redes públicas de educação básica. Parágrafo único. São objetivos do ProInfo:

I - promover o uso pedagógico das tecnologias de informação e comunicação nas escolas de educação básica das redes públicas de ensino urbanas e rurais;

II - fomentar a melhoria do processo de ensino e aprendizagem com o uso das tecnologias de informação e comunicação;

III - promover a capacitação dos agentes educacionais envolvidos nas ações do Programa;

IV - contribuir com a inclusão digital por meio da ampliação do acesso a computadores, da conexão à rede mundial de computadores e de outras tecnologias digitais, beneficiando a comunidade escolar e a população próxima às escolas;

V - contribuir para a preparação dos jovens e adultos para o mercado de trabalho por meio do uso das tecnologias de informação e comunicação; e

VI - fomentar a produção nacional de conteúdos digitais educacionais. (BRASIL, 2007, p.3)

Segundo Kalinke (1999, p.15), os avanços tecnológicos estão sendo utilizados praticamente por todos os ramos do conhecimento. As descobertas são extremamente rápidas e estão à nossa disposição com uma velocidade nunca antes imaginada. A internet, os canais de televisão a cabo e aberta, os recursos de multimídia estão presentes e são disponíveis em uma parcela significativa da sociedade. Tudo isso faz com que os alunos estejam cada vez mais informados, atualizados e participantes deste mundo globalizado.

Os avanços da globalização fizeram o Governo Federal, por meio do MEC, modernizar e adequar o sistema educacional brasileiro à nova realidade do mundo tecnológico e globalizado. Através da normatização por leis, decretos e documentos fundamentais que norteiam e padronizam a educação no âmbito nacional, para sua adequação sócio-cultural e garantia de sua qualidade. Embora as tecnologias sejam utilizadas em sala de aula há muitas décadas,, estudos realizados por Lévy (2000, p.22) indicam o uso das tecnologias como o computador, seus softwares educacionais e, principalmente, a internet  possibilitaram novas abordagens em sala de aula, ampliando o campo de atuação do professor.

É importante ressaltar a utilização das tecnologias pelo professor como uma ferramenta dentro do contexto da disciplina, para que elas sejam aliadas à sua metodologia, tornando a aula mais atrativa e dinâmica.

O presente estudo tem como objetivo analisar maneiras como as TICs podem ser usadas em sala de aula, seja na utilização de softwares e aplicativos ou através do acesso a internet, pelos professores e alunos sendo ferramentas de apoio para o processo de ensino e aprendizagem e para aplicação do Modelo de Ensino Híbrido.

 

1.1 LEIS, PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR E INCENTIVO AO USO DE TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO.

 

Para compreender o sistema educacional brasileiro é necessário se familiarizar com as Leis, Parâmetros e Bases Curriculares que regem, orientam e normatizam a implantação de currículos nas escolas, quetêm por objetivo padronizar a educação em território nacional. Em todos esses documentos, a TIC é apontada como uma ferramenta de uso imprescindível para a educação conectada com a contemporaneidade.

Quanto ao uso da tecnologia na sala de aula, os Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Básica, apontam que:

Como qualquer ferramenta, devem ser usadas e adaptadas para servir a fins educacionais e como tecnologia assistiva; desenvolvidas de forma a possibilitar que a interatividade virtual se desenvolva de modo mais intenso, inclusive na produção de linguagens. Assim, a infraestrutura tecnológica, como apoio pedagógico às atividades escolares, deve também garantir acesso dos estudantes [...] às possibilidades da convergência digital. Essa distância necessita ser superada, mediante aproximação dos recursos tecnológicos de informação e comunicação, estimulando a criação de novos métodos didático-pedagógicos, para que tais recursos e métodos sejam inseridos no cotidiano escolar. (BRASIL, 2013).

Em 2014, a Lei nº 13.005/20147 promulgou o Plano Nacional de Educação (PNE), que reitera a necessidade de estabelecer e implantar diretrizes pedagógicas para a educação básica e uma base nacional comum dos currículos, com direitos, objetivos, competências e habilidades a serem desenvolvidas durante o processo de aprendizagem dos alunos no que se refere a cada ano do Ensino Fundamental e Médio (BRASIL, 2014).

Em dezembro de 2017, o Conselho Nacional de Educação (CNE) e o MEC aprovaram e homologaram a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. Por sua vez, o documento para o Ensino Médio foi homologado no dia 14 de dezembro de 2018, pelo Ministério da Educação. A partir de então, a BNCC se tornou uma referência única para a Educação Básica em todas as escolas públicas e privadas do território nacional.

A BNCC é um documento de caráter normativo que estabelece conhecimentos, competências e habilidades esperados que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade básica, bem como os objetivos de aprendizagem que se deseja alcançar. A construção deste documento, coordenada pelo CNE, aconteceu ao longo dos anos, por meio de discussões, consultas públicas, seminários e redação colaborativa. A BNCC não deve ser considerada um currículo da Educação Básica, mas ela tem como finalidade nortear a construção dos Currículos Estaduais e Municipais e também auxiliar na elaboração do Plano Político Pedagógico e do currículo das escolas.

Considerando as particularidades, características sociais e culturais da localidade de cada instituição de ensino, a BNCC possui uma base comum que determina as competências, habilidades e conteúdos que devem ser ensinados, independentemente de onde as crianças, os adolescentes e os jovens moram ou estudam. E, uma parte diversificada que complementa a base comum através da insersão de novos conteúdos aos currículos, relacionada à realidade local da escola bem como as atualidades socioculturais que fazem parte do cotidiano dos alunos.

Os currículos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos (BRASIL, 1996).

Atualmente, a Base Nacional Comum Curricular é o documento normativo e norteador da educação no Brasil, a qual sintetiza as orientações de todos marcos legais no que se diz ao direito a educação no país.

A Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 205, reconhece a educação como direito fundamental compartilhado entre Estado, família e sociedade ao determinar que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho." (BRASIL, 1988).

Sobre o uso das tecnologias como uma ferramenta pedagógica do professor e do aluno no processo de ensino aprendizagem, a BNCC propõe que as tecnologias devem ser um meio pelo qual a educação pode inserir e preparar o aluno para a utilização das tecnologias em uma sociedade em constante mudança, proporcionando a inclusão social no mercado de trabalho e preparando os jovens para futuras profissões que farão uso das tecnologias digitais como ferramenta de trabalho.

Na BNCC, o termo “tecnologia” é mencionado em todo o documento referente à etapa do Ensino Médio, sempre fazendo alusão de sua utilização como ferramenta para o desenvolvimento de compentências e habilidades em todas as áreas do conhecimento (linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; e ciências da natureza e suas tecnologias).

Para o Ensino Médio, a tecnologia assume especial relevância, pois:

...dada a intrínseca relação entre as culturas juvenis e a cultura digital, torna-se imprescindível ampliar e aprofundar as aprendizagens construídas nas etapas anteriores. Afinal, os jovens estão dinamicamente inseridos na cultura digital, não somente como consumidores, mas se engajando cada vez mais como protagonistas. Portanto, na BNCC dessa etapa, o foco passa a estar no reconhecimento das potencialidades das tecnologias digitais para a realização de uma série de atividades relacionadas a todas as áreas do conhecimento, a diversas práticas sociais e ao mundo do trabalho. (Brasil, BNCC, 2017, p. 474)

 

            Uma das competências gerais da Educação Básica destacada pela BNCC diz que os alunos devem “Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais.” (Brasil, BNCC, 2017, p. 9).

Essa competência evidencia a relevância das tecnologias digitais no âmbito pedagógico, importantes para o desenvolvimento e para o processo de aprendizagem do aluno de forma crítica e criativa, oportunizando a construção do seu conhecimento e apropriação de tal ferramenta para uso em sua vida pessoal e profissional.

Conclui-se, portanto que as tecnologias estão diretamente ligadas à educação e são ferramentas fundamentalmente respaldada por leis e diretrizes curriculares que incentivam e indicam seu uso como prática pedagógica no processo de ensino-aprendizagem, tanto no ambiente escolar como fora dele, pois se trata de um recurso que permeia a sociedade globalizada em que vivemos. Tal fato alimenta discussões a respeito das práticas e metodologias para o uso das tecnologias na escola; do cenário escolar que favoreça o uso das tecnologias; competências dos educadores para o uso das mesmas; elaboração de um plano de aula que utilize as tecnologias como ferramenta de ensino e avaliação. 

Fundamentado nas legislações que amparam o uso da tecnologia na Educação Básica, haja vista seu potencial como ferramenta pedagógica, as TICs são apontadas como ferramentas facilitadoras para o aprendizado do aluno, de maneira que a formação na Educação Básica proporcione embasamento teórico e prático para utilização de aparatos tecnológicos e digitais na trajetória educacional e profissional.

 

1.2. ENSINO HÍBRIDO.

 

O ensino na atualidade, não exige que o aluno esteja presente dentro de uma sala de aula concreta com lousa, cercada por paredes, repleta de carteiras e cadeiras e com a presença de alunos e professores. As TICs possibilitam que as aulas presenciais possam ser realizadas a distância, professor e alunos se conectam em uma sala virtual e se comunicam através de áudio e vídeo. A interação pode acontecer em tempo real entre professor e aluno, simulando uma aula presencial convencional, ou por meio da disponbilização de materiais como textos, videoaulas, animações e a realização de fóruns, chats e interações assíncronas.

Entre o tradicional modelo de ensino presencial e o ensino a distância, surge o ensino híbrido. Segundo Moran (2017, apud YAEGASHI, 2017, p. 23), as características do Ensino Híbrido são a mistura do ensino presencial com o digital, se utilizando das TICs como ferramentas de ensino. Esta junção possibilita a flexibilização do local de aula, do tempo de execução e do planejamento didático. As aulas na Modalidade de Ensino Híbrido, tem o potencial de estimular o aprendizado dos alunos através da proposição de desafios na resolução de problemas, criação de projetos desde os de simples execução até os mais complexos, tanto em grupo como individualmente. O autor sugere que essa aprendizagem deva ser mediada por professores que orientem cada aluno em atividades que promovam um contato direto com exemplos teóricos e práticos. O professor deve supervisionar o andamento do processo de aprendizagem do aluno através das devolutivas e resoluções que podem ser postadas e compartilhadas em uma plataforma digital.

Sobre o Modelo de Ensino Híbrido o autor ainda defende a utilização de metodologias e didática que incorporem as TICs nas aulas.

1) O modelo blended, semipresencial, misturado, em que nos reunimos de várias formas – física e digital – em grupos e momentos diferentes, de acordo com a necessidade, com muita flexibilidade, sem os horários rígidos e planejamento engessado; 2) Metodologias ativas: aprendemos melhor através de práticas, atividades, jogos, projetos relevantes do que da forma convencional, combinando colaboração (aprender juntos) e personalização (incentivar e gerenciar os percursos individuais) e 3) O modelo online com uma mistura de colaboração e personalização, em tempo real e através de multiplataformas digitais móveis. (Moran, 2017)

O ensino híbrido é defendido por especialistas como Lilian Bacich (2015) como uma mistura metodológica que impacta a ação do professor em relação ao ensino e a ação dos estudantes no tocante a situações de aprendizagem. Assim, o ensino pode ocorrer de modo on-line e presencial com combinações de atividades off-lin,. considerando-se que  A sala de aula ou os demais espaços escolares precisam ser pensados pelo professor de maneira que se integrem a partir das atividades que os alunos irão realizar” (p´.107).

O material didático pode ser constituído de livros, artigos, links de sites, fóruns, vídeos, sendo disponibilizado pelo professor, antes ou após a aula e enviado por e-mail ou compartilhado em uma plataforma digital.

Sobre o contexto da educação contemporânea e do uso das tecnologias em sala de aula, é possível perceber sobre a importância da “leitura do mundo”, que hoje, com acesso à tecnologia, possibilita a todos os envolvidos no processo educacional, uma leitura crítica e transformadora da escola e da sociedade. Tais tecnologias utilizadas como complemento alternativo às aulas presenciais trouxeram inovação educacional a um setor que esteve enraizado durante décadas no ensino tradicional, avesso a mudanças.

Para a realização do Modelo de Ensino Hibrido, que é um novo paradigma que está sendo adotado nos últimos 10 anos nas Redes de Educação Pública e Privada do país, o MEC e as Secretarias Estaduais de Educação oferecem respaldo através do preparo e auxílio para a gestão escolar, professores e alunos. Tais políticas públicas educacionais de apoio à utilização de TICs como ferramentas pedagógicas no processo de ensino e aprendizagem podem ser acessadas através de plataformas digitais de domínio público, sem fins lucrativos por professores da Rede Pública de Ensino.

Algumas plataformas de Ensino Híbrido para capacitação dos professores e alunos são oferecidas pelo MEC e Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, por exemplo:

·         Centro de Mídias SP (CMSP)[1]: é uma plataforma digital em forma de aplicativo para celular e computador da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para contribuir com a formação dos profissionais da Rede e ampliar a oferta aos alunos de uma educação mediada por tecnologia, com conectividade com o Youtube, Google Classroom dentre outras ferramentas digitais.

·         Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB)[2]: O Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) é uma associação sem fins lucrativos, criada em 2016, com o intuito de promover a cultura de inovação na educação pública brasileira.Atua em apoio à formulação de políticas públicas, desenvolvendo conceitos, prototipando ferramentas e articulando os atores do ecossistema do ensino básico.

·         Plataforma AVAMEC[3]: É um ambiente virtual colaborativo de aprendizagem que permite a concepção, administração e desenvolvimento de diversos tipos de ações formativas, como cursos a distância, complemento a cursos presenciais, projetos de pesquisa, projetos colaborativas e diversas outras formas de apoio educacional à distância ao processo ensino e- aprendizagem.

·         EFAPE: Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação “Paulo Renato Costa Souza” (EFAPE)[4] é uma iniciativa pioneira no país. A plataforma foi criada em 2009 como parte do Programa “Mais Qualidade na Escola”, e tem como propósito o desenvolvimento profissional dos servidores da SEDUC-SP, com foco na atuação prática e incorporando as novas tecnologias como ferramentas da formação continuada.

Tais modificações no sistema escolar e educacional, como a adoção de um novo método de ensino, novas ferramentas e um novo ambiente de aprendizagem, aconteceram de uma maneira repentina e ainda estão em fase de adaptação. É preciso repensar o espaço do professor e dos alunos. Assim, considera-se o tema abordado nesse artigo importante e necessário para educadores, para alunos e para demais personagens que estão envolvidos com o processo educacional. É notável que o Ensino Híbrido seja, assim, um caminho novo a ser percorrido pelos educadores e alunos, capaz de criar novas possibilidades de melhorias na educação brasileira.

 

1.3 CONTEXTUALIZANDO: A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NA EDUCAÇÃO.

 

Atualmente é impossível ignorar o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação - TICs devido a seus diversos recursos, como: celulares, computadores, tablets, e outros. As TICs aproximaram pessoas, encurtaram distâncias, e permitiram a troca de saberes em tempo real, e, neste sentido, temos como exemplo os e-mails, as chamadas de vídeo, as vídeo-aulas, etc tornando possível e eficiente a atividade humana em todos os seus campos. A globalização trouxe para a sociedade uma tecnologia da informação cada vez mais veloz e prática e tem exigido pessoas capacitadas, inteligentes e com maior e melhor discernimento,.TESSARO et al, 2018.

Considerando que deva acontecer integração entre cognitivo e afetivo; entre intuitivo e educativo, para que o indivíduo seja capaz de apresentar soluções em situações-problema, Piaget (1996), propõe que ensino e aprendizagem, leva a uma construção social. Nesta construção, é importante atentar às questões econômicas, políticas e sociais e como essas reflexões sobre isso acontecem para que o ensino e aprendizagem possa propiciar possibilidades de emancipação do indivíduo (TESSARO et al, 2018).

Para que a escola ofereça as condições adequadas à formação do indivíduo, segundo Romero (2005), a mesma deve ser realizada com a utilização de meios e recursos de informatica, por isso a importância da adoção de TICs como ferramenta de apoio no processo de ensino e aprendizagem. Assim, a escola estará mais apta a cumprir seu papel de formar cidadãos atualizados, habilitados e capazes de atuarem no mercado de trabalho competitivo e na própria sociedade, Perrenoud (2000).

 

2 REFERENCIAL TEÓRICO.

 

2.1 TECNOLOGIA E RECURSOS DA INFORMAÇÃO.

 

O que diferencia a espécie humana das outras espécies é a sua capacidade de desenvolver diferentes tipos de tecnologias de acordo com  Sancho (1990, p., apud TESSARO et al, 2018, p.3). A tecnologia é, em suma, o uso do conhecimento para obter resultados práticos, um instrumento usado para facilitar a sobrevivência do homem. Kenski (2004).

Conforme afirma Adam Silva (2015): “a Tecnologia da Informação é um conjunto de atividades e soluções envolvendo hardware, software, banco de dados, e redes que atuam no sentido de facilitar o acesso, análise e gerenciamento de informações.”.Castells (1999), afirma que a sociedade atual como um todo precisa da tecnologia da informação, isso se deve ao fato de hoje, a informatização atingir as mais diversas áreas do conhecimento e estar muito mais presente no cotidiano das pessoas, mesmo quando elas não a percebem.

No entanto, em meio à era digital, e pleno crescimento da tecnologia da informação, uma grande parcela da população desconhece a importância da tecnologia. Ainda há acesso restrito a toda essa informação, concebendo os chamados “analfabetos digitais” (TAPSCOTT, 2000). As pessoas que não possuem acesso a computadores, disputam de forma desigual um espaço no mercado de trabalho e na sociedade.

A utilidade das TICs permeia a maioria dos setores estruturais de uma organização, uma vez que a tecnologia apresenta os seguintes fatores de alinhamento: mensurar benefícios organizacionais; suportar objetivos organizacionais; eliminar barreiras de tempo e distância; programar atividades organizacionais; compartilhar recursos; tornar a organização mais competitiva; dar consistência aos planos organizacionais; potencializar estratégias; capacitar pessoas; obter vantagens competitivas; gerar estratégias de sucesso com visão organizacional (REZENDE, 2002). ,Dessa maneira, entendemos a importância de proporcionar ao aluno o contato com elas desde a escola até a sua iniciação no mercado de trabalho.

 

2.2 ENSINO E APRENDIZAGEM E AS TICs NA EDUCAÇÃO

 

Jean Piaget (1975) apresentou magníficas contribuições sobre a construção do saber  como os mecanismos que interferem ou não nesta construção, as influências educativas que chamam atenção para os processos individuais e que procuram observar como cada indivíduo aprende promovendo a relação das conexões oferecidas pelo ensino. Sendo assim, a educação deve acontecer em torno de três mecanismos: o cognitivo, o sociocultural e o político. O cognitivou, ou seja, o aprendizado acontece quando é realizada a integração entre cognitivo e afetivo, ou seja, dois sentimentos que quando somados resultam na aquisição do conhecimento. A integração sociocultural do aluno baseia-se na formação de valores, atitudes que fazem desse indivíduo um ser social. No entanto, o processo de ensino e aprendizagem deve ser compreendido como uma política no ambito educacional no sentido de politizar o aluno.

Partindo desse princípio, concebe-se que o conhecimento é uma construção social, assim, torna-se necessário examinar os interesses econômicos, políticos e sociais que as diferentes formas de conhecer podem refletir (TESSARO et al, 2018).

De acordo com Moran (2007), o educador deve almejar um domínio contínuo e crescente das tecnologias, sem perder o foco da educação, cuja ação deve submeter o aluno à busca de conhecimento cultural, pedagógico, dentro dos padrões curriculares, com a tecnologia utilizada como recurso facilitador para a democratização e construção do conhecimento. De forma que a tecnologia da informação pode alavancar a construção do conhecimento, através do rápido acesso às informações que, com a união dos três mecanismos de aprendizagem, por onde a pessoa sintetiza o conhecimento e, associar os estímulos cognitivos com a agilidade de busca oferecida pela tecnologia da informação e comunicação.

É indispensável a formação e capacitação profissional docente acerca de novas tecnologias educacionais, pois quando estas são utilizadas de maneiras inteligentes, produz intensa democratização de conhecimento e de produção. Mas, não somente o domínio e bom uso das tecnologias, como também o planejamento adequado é necessário. Segundo Moran (2007), é importante estabelecer metas adequadas na escolha de atividades procurando clareza nos objetivos, compreensão dos alunos, uso de de instruções repetidamente, essas e outras atitudes que podem ser tomadas pelos professores e que potencializam a aprendizagem. Ao observar todo avanço digital, é inevitável perceber a necessidade de uma escola informatizada, que adotem as TICs como ferramenta para o processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Romero (2005), a escola precisa levar em consideração além do aprendizado da leitura e da escrita, a leitura e produção de outras linguagens.

Em 2005 um estudo sobre a infraestrutura das escolas brasileiras, aponta que de 23 mil escolas de Ensino Médio, 59% dispunham de computadores com acesso à Internet. Porém, em 2012 demonstrou que o uso do computador nas escolas públicas é rudimentar, porque apesar do número de escolas públicas com computador conectado à internet ter crescido de 92% para 100% entre 2010 e 2011, apenas 4% das salas de aula possuem computadores (TESSARO et al, 2018).

De acordo com Porto (2006), o acesso a tecnologias como a Internet e aos computadores, tablets, notebooks modernos não ocorre para todos, e isso gera uma exclusão das pessoas mais pobres.

Pozzo (2001) reflete, que quando se fala de escola, é quase que automático sermos remetidos ao papel que ela tem de formação de cidadãos que estejam atualizados, habilitados e capazes de atuarem num mercado de trabalho altamente competitivo, que cobra conhecimento, assim destaca: “A informatização do conhecimento tornou muito mais acessíveis todos os saberes”.

É fato, que o professor, durante anos, vem desenvolvendo uma prática pedagógica prioritariamente, dando aula, passando conteúdo na lousa, corrigindo os exercícios e provas dos alunos. Mas este cenário começou e continua a ser alterado já faz algum tempo, com a chegada de computadores, internet, vídeo, projetor, câmera, e outros recursos tecnológicos nas escolas. Nesse sentido, é necessário que o professor se aproprie do manejo das tecnologias e faça seu uso em sala de aula, a fim de cumprir efetivamente o papel social da escola e oferecer ao aluno ferramentas tecnológicas para o processo de ensino e aprendizagem, PRADO (2010).

Na nova jornada de inclusão dos computadores como ferramenta tecnológica e método didático, o professor terá seu papel mais importante do que nunca no processo de ensino e aprendizagem, ele será o mediador entre o uso técnico do computador e da realização de pesquisas, por exemplo, antes eram feitas na biblioteca consultando os livros e hoje em dia utilizamos a internet, como tecnologia da informação e ferramenta tecnológica.

A Teoria Construtivista de aprendizagem diz que o aluno é o construtor do conhecimento aprendendo a partir da sua interação com o objeto a ser estudado. Perrenoud (2000) defende o uso das tecnologias no processo de ensino e aprendizagem, numa visão construcionista, é o aluno que constrói seu conhecimento, por meio de experimentações realizadas no computador.

Assim, pode-se deduzir, conforme diz Wertsch (1998), que um indivíduo que pertença a um grupo social que não utiliza informática não aprenderá sobre ela, ou pior, ao não aprender sobre ela, torna-se excluído das comunidades que a utilizam.

Almeja-se destacar que apresentar o computador para os alunos na escola os desafia para o aprendizado. Segundo estudos de Vygotsky (2003), o cérebro é um órgão que se adapta às novas necessidades sem sofrer alteração física. Neste sentido, é necessário que os professores “saibam incorporar e utilizar as novas tecnologias no processo de aprendizagem exigindo-se uma nova configuração do processo didático metodológico tradicionalmente usado em nossas escolas” (MERCADO, 1999, p. 14). A inovação não está restrita ao uso da tecnologia, mas também à maneira como o professor vai se apropriar desses recursos para criar projetos e métodologias pedagógicas.

 

 

2.3 ISOLAMENTO SOCIAL E O ENSINO REMOTO.

 

No ano de 2020, uma catástrofe epidemológica de tamanho ainda imensurável atingiu o planeta Terra. Um vírus letal chamado Covid-19 (Corona Vírus), paralizou o mundo exigindo que a população mundial entrasse em quarentena e/ ou isolamento social. Uma doença que até então era desconhecida, ceifou a vida de milhares de pessoas ao redor do mundo. O Brasil, um país de extensão continental, registrou um dos maiores números de casos de contágio e óbitos. Para o enfrentamento desta situação, as TICs se apresentaram como uma ferramenta importantíssima para a continuidade do desenvolvimento dos setores de serviços fundamentais, dentre os quais a educação e pesquisa fazem parte. Segundo o Secretário Geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE, Angel Gurriá:

Tecnologias digitais e modelos de negócios e práticas de trabalho em evolução estão ajudando nossas economias e sociedades a evitar uma paralisação completa. Agora, mais do que nunca, vamos sendo "digital". Mas a crise também expôs os riscos de exacerbar as vulnerabilidades e desigualdades em nossas sociedades - nem todo indivíduo ou empresa está equipado com as habilidades ou os meios para usar ferramentas digitais. (GURRIA, Angel, Panorama da Resposta Global à Covid-19, Caderno Cris-Fio-Cruz, 29/07/2020).

 

Hoje, o uso de tecnologias digitais se tornou necessário em todos os segmentos da sociedade global. No Brasil, o cenário da educação pós-descoberta da Covid conta com o ensino remoto e a  tecnologia, mais do que nunca, passou a fazer parte da rotina escolar.

Estabelecimentos de Ensino – creches, escolas, universidades – estão com suas atividades escolares presenciais suspensas, o que atinge milhões de estudantes em todo o país. Apesar de o fato ser terrível e estar prejudicando o ensino e a aprendizagem, a suspensão das aulas é medida essencial para se evitar a propagação da contaminação, tendo em vista que a escola é um ambiente de natural contato. (PASINI et al, 2020).

 

Escolas de ensino regular dos quatro cantos do globo precisaram, às pressas, readequar as aulas ao ensino a distância para que o aprendizado pudesse continuar. Em meses, a necessidade fez a educação dar um salto tecnológico que demoraria décadas. Agora, quando vislumbramos um cenário pós-pandemia, o ensino híbrido em sala de aula é um modelo que será uma tendência a ser seguida.

Muitos autores são otimistas e defendem que as TICs são uma realidade do mundo contemporâneo, e a sociedade, inclusive os sistemas educacionais, precisam se adaptar. A geração de alunos da atualidade, é um novo perfil de estudante que tem desafiado os professores. Os autores abaixo discorrem sobre a nova realidade do ambiente escolar e as expectativas dessa geração tecnológica.

As redes de aprendizagem digital permitem expandir a aprendizagem escolar muito para além dos seus muros. A interação e colaboração a distância é hoje uma realidade e são necessárias novas abordagens pedagógicas para poder tirar proveito educativo da comunicação e acesso à informação virtualizada. (MEIRINHOS, 2015, p. 3) São desenvolvidas novas expectativas de liberdade, flexibilidade em relação ao momento e ao local da prática, uma necessidade de instantaneidade que se opõe às práticas culturais tradicionais. (SANTAELLA, 2010, p. 21)

As redes de computadores oferecem uma perspectiva muito diferente do computador isolado. Rompe-se o isolamento tradicional das salas de aula, abrindo-as para o mundo. Permitem a comunicação entre as pessoas eliminando as barreiras do espaço e tempo, identidade e status social. (ADELL, 1997, p. 18)

A maioria das críticas se baseia em desconfiança e medo, geralmente por parte de pessoas mais velhas. Esses temores talvez sejam compreensíveis. A nova rede, nas mãos de uma nova Geração Internet tecnologicamente preparada e com uma mentalidade comunitária, tem o poder de abalar a sociedade e derrubar autoridades em várias áreas. [...] a vida como nós a conhecemosse torna diferente. (TAPSCOTT, 2010, p. 17).

 

A evolução tecnológica e o surgimento das TIC’s não é um fato novo, ela vem acontecendo há décadas e de maneira exponencial, as tecnologias se atualizam constantemente, a capacidade de processamento de informação de computadores, celulares e dispositivos tecnológicos aumenta a cada ano, mas a utilização de todos esses artefatos no ambiente de sala de aula, não acompanhou a rapidez dessa evolução, uma grande parcela dos professores da atualidade enraizaram sua metodologia e didática de aula no ensino tradicional e ignoraram o uso das TIC’s como ferramenta de esino e aprendizagem. Então surge o paradigma: como ensinar uma geração de alunos “nativos digitais” sem fazer uso das tecnologias atuais?

A Geração Z também tem sido chamada de “nativos digitais”, “Geração Net”, “e-generation”, “Homo sapiens digitalis”, “iGen”, “Post-Millennials” entre outros nomes. Os nativos digitais são aqueles nascidos após 1995, quando o uso da internet se intensificou no globo e começaram a fazer parte do meio infantil, tecnologias como Wi-Fi, smartphones, tablets, jogos on-line e serviços virtuais de comunicação e socialização (MEIRINHOS, 2015).

Embora 80,6% das escolas públicas brasileiras tenha laboratório de informática, apenas 46% dos professores utilizam o computador para fins educativos. Esse número é expressivo quando comparado ao levantamento de 2011, que aferiu 22% (INEP, 2014; BARBOSA, 2014). Essas e outras evidências mostram que os professores estão preocupados em incorporar as novas TICs a sua prática pedagógica e esse processo se intensificou nos últimos anos.

O atraso na inserção das TIC’s nas escolas afetou adaptação repentina de professores e alunos na utilização dessas para realização do ensino-remoto devido ao isolamento social ocasionado pela pandemia. Problemas como falta de conecção com a internet, falta de treinamento para utilização de plataformas de ensino on-line, dentre outros fatores causaram uma crise na educação do país.  O ensino remoto não está atingindo um nível satisfatório de adesão dos alunos que estão em suas casas e não participam das aulas à distância nem entregam suas tarefas, por ainda não estarem adaptados à utilização das TICs na prática das atividades escolares.

No dia 28 de abril deste ano, o (CNE) editou uma resolução com diretrizes referentes ao período de suspensão do ensino presencial e à volta às aulas no contexto da pandemia. O documento criado pelo CNE fala de diversidade de atividades no ensino remoto, ações de acolhimento e avaliações diagnósticas no retorno às aulas presenciais. O texto foi aprovado pelo MEC no dia 1º de junho.

As estratégias de ensino a distância têm sido importantes para a redução dos efeitos negativos do distanciamento temporário, mas as evidências indicam que lacunas de diversas naturezas serão criadas sem a interação presencial.

A falta de adesão dos alunos ao ensino remoto provoca a ampliação de desigualdades, é importante entender que a disposição de recursos tecnológicos é diferente entre os distintos perfis socioeconômicos dos alunos e que aqueles alunos em situação de vulnerabilidade social tendem a se afastar da escola nesse período.

Quando o assunto é ensino a distância, as pesquisas apontam que o trabalho dos professores tem papel significativo para assegurar uma boa experiência, independentemente da solução utilizada. Por isso, diante do cenário atual, a utilização das TICs durante esse periodo de pandemia, deixará um legado para a educação no país, Daqui para a frente, o ensino mediado por diferentes tecnologias se integrará de vez ao ensino presencial. Cabe às esferas governamentais oferecer subsídio e capacitação para os professores e alunos integrarem as TICs como ferramenta pedagógica em sala de aula.

 

 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS.

 

Este estudo analisou o respaldo das leis e políticas educacionais no Brasil quanto à utilização de TICs como ferramenta pedagógica e para a realização do Modelo de Ensino Híbrido.

Foram enfatizados os apontamentos de autores especialistas no processo de ensino e aprendizagem, bem como registros sobre o Modelo de Ensino Híbrido como alternativa para o uso das TICs em sala de aula,  incluindo também sua relação com o ensino remoto em tempos de isolamento social, devido à Pandemia do Covid-19. Destaca-se a importância da utilização da tecnologia como ferramenta aliada dos professores e alunos na sala de aula para a construção do conhecimento e na imersão dos alunos no cotidiano tecnológico, tendência cada vez maior no mercado de trabalho.

Conforme Perrenoud (2000) constatou, a tecnologia da informação atinge as mais diversas áreas do conhecimento e deve estar atrelada ao papel da escola de transformar cidadãos de forma que estejam atualizados, habilitados e capazes para atuarem no mercado de trabalho e na própria sociedade. Dessa forma, o professor tem papel fundamental no ensino e aprendizado, e também deverá utilizar tecnologias digitais, além de conduzir e mediar o processo de utilização das tecnologias na educação.

Hoje em dia, o uso efetivo da tecnologia nas escolas, principalmente nas salas de aula, ainda é um privilégio de uma parcela restrita de docentes e alunos. É preciso investir em infraestrutura e capacitar profissionais para atuarem no desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem, e superarem as dificuldades para utilização das TICs. O surgimento repentino de uma situação de isolamento social impôs um novo modelo de sala de aula e serviu como adaptação para a imersão em uma nova realidade educacional onde a tecnologia se fez uma ferramenta de ensino imprescindível para que a o sistema educacional não parasse de funcionar.

Por fim, é notável a existência da tecnologia da informação em nossas vidas, assim como a importância dela na educação, como ferramenta de apoio ao trabalho pedagógico, para que torne a aprendizagem um trabalho mais dinâmico, prazeroso e eficiente na conquista e construção do ensino e aprendizagem do aluno. Com este estudo, conclui-se que a integração das TICs na educação é um grande desafio a ser enfrentado pela comunidade escolar e faz parte de uma evolução no sistema educacional do país. Embora, o MEC venha planejando e indicando seu uso no currículo escolar há décadas, cabem ainda muitos ajustes quanto à adequação do ambiente e condições de recursos das escolas, bem como à formação profissional e mudança da praxis pedagógica, de forma a proporcionar ao aluno uma aprendizagem que utilize as tecnologias como meio de inclusão do mesmo em uma sociedade tecnológica.

 

4 REFERÊNCIAS.

 

 

BARBOSA, A. Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas brasileiras: TIC Educação 2013. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2014.

BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394/1996, de 20 de dezembro de 1996.

BRASIL. Decreto nº. 6.300, de 12 de dezembro de 2007. Dispõe sobre o Programa Nacional de Tecnologia Educacional-ProInfo. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 dez. 2007 a. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6300.htm>: Acesso em 30 jun. 2020.

BRASIL. MEC. Apresentação do programa Proinfo. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/proinfo/proinfo>Acesso em 30 jun. 2020.

BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 26 de junho de 2014. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13005.htm>. Acesso em 30 jun. 2020.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em 30 jun. 2020.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília (DF): Ministério da Educação, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em 30 jun. 2020.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares nacionais para a educação básica. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13448-diretrizes-curiculares-nacionais-2013-pdf&Itemid=30192>. Acesso em 30 jun. 2020.

CASTELLS, M. Fim de milênio: economia, sociedade e cultura. Trad. Roneide Venâncio Major. 6. ed. v. 1. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica: para uso dos estudantes universitários. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1983.

DALFOVO, Michael Samir; LANA, Rogério Adilson; SILVEIRA, Amélia. Métodos quantitativos e qualitativos: um resgate teórico. Revista Interdisciplinar Científica Aplicada, Blumenau, v.2, n.4, p.01-13, Sem II. 2008.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Ano da Publicação Original: 1996. São Paulo: Paz e Terra. A educação na cidade, 1991.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

GURRIA, Angel, Panorama da Resposta Global à Covid-19, Caderno Cris-Fio-Cruz,29/07/2020

https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/consolidado_15_-_v2_0.pdf Centro de Mídeas: https://centrodemidiasp.educacao.sp.gov.br/o-que-e-o-centro-de-midias/Fórum Economico Mundial: https://www.weforum.org/agenda/2020/03/3-ways-coronavirus-is-reshaping-education-and-what-changes-might-be-here-to-stay/

KALINKE, Marco Aurélio. Para não ser um Professor do Século Passado. Curitiba:Gráfica Expoente, 1999.

LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999;

MEIRINHOS, Manuel. Os desafios educativos da geração Net. Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación, n. 13, p. 125-129, 2015.

MERCADO, L. P. L. Formação continuada de professores e novas tecnologias. Maceió.

MORAN, J. M. Desafios na Comunicação Pessoal. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2007.

MOREIRA, M. A. O que é afinal aprendizagem significativa? Revista cultural La Laguna Espanha, 2012. Disponível em: http://moreira.if.ufrgs.br/oqueeafinal.pdf. Acesso em 30 jun. 2020

PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

PIAGET, Jean. A equilibração das estruturas cognitivas. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

PRADO. M. E. B. Bo. O aprender e a informática: a arte do possível na formação do professor. Disponível em http:/www.aprendendoinformatica.com.br//.

REZENDE, D. A. Tecnologia da informação: integrada a inteligência empresarial. São Paulo: Atlas, 2002. SILVA, Josselene Barbosa da.Estudo da influência de softwares educativos para o aprendizado de matemática, no desenvolvimento do raciocínio lógico de alunos no ensino fundamental I. 2009.

SANTAELLA, Lúcia. A aprendizagem ubíqua substitui a educação formal. Revista de Computação e Tecnologia da PUC-SP—Departamento de Computação/FCET/PUC-SP, vol. II, nº 1, 2010.

TAPSCOTT, Don. A hora da geração digital: como os jovens que cresceram usando a internet estão mudando tudo, das empresas aos governos. Rio de Janeiro: Agir Negócios, 2010. TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) – Faculdade Farias Brito, Ciência da Computação, Fortaleza – Ceará, 2009.

TESSARO,F.DE O, FAORO,R.R., MIRI,D.H., GILBERT,V.S., FRIZZO,P. V., FOCHESATTO,L.B., MATTE,J. CHAIS,C., GANZER,P.P., OLEA,P.M.. A Tecnologia da Informação na Educação: uma Revisão Bibliográfica. XVIII Mostra de Iniciação Cientifica- Programa de Pós Graduação em Administração UCS. 2018.

WERTSCH, J. V. A necessidade da ação na pesquisa sociocultural. In ; DEL RÍO, P.;

YAEGASHI, Solange e outros (Orgs). Novas Tecnologias Digitais: Reflexões sobre mediação, aprendizagem e desenvolvimento. Curitiba: CRV, 2017, p.23-35.Caderno fio Cruz OCDE.




[1]Centro de Mídias SP (CMSP) - site: https://centrodemidiasp.educacao.sp.gov.br

 

[2] Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) – site: https://cieb.net.br

 

[3] Plataforma AVAMEC³ - site: http://avamec.mec.gov.br

[4] EFAPE: Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação “Paulo Renato Costa Souza” (EFAPE) – site:http://www.escoladeformacao.sp.gov.br



Recebido em 30 de novembro de 2020
Publicado em 12 de fevereiro de 2021


Como citar este artigo (ABNT)

ATHAYDE, Antônio Augusto Rocha. AQUINO, Thomas Jeferson Oliveira de. GUANÃBENS, Patricia Ferreira Santos. A Utilização de TICs na Educação Básica e o Ensino Híbrido. Revista MultiAtual, v. 2, n. 2, 12 de fevereiro de 2021. Disponível em: https://www.multiatual.com.br/2021/02/a-utilizacao-de-tics-na-educacao-basica.html
A UTILIZAÇÃO DE TICs NA EDUCAÇÃO BÁSICA E O ENSINO HÍBRIDO A UTILIZAÇÃO DE TICs NA EDUCAÇÃO BÁSICA E O ENSINO HÍBRIDO Reviewed by Revista MultiAtual on fevereiro 14, 2021 Rating: 5
Tecnologia do Blogger.