Revista MultiAtual - ISSN 2675-4592

A IMPORTÂNCIA DA BASE DA NEUROCIÊNCIAS NA AFETIVIDADE NO ÂMBITO ESCOLAR: UM ALUNO EMOCIONAL E UMA ESCOLA RACIONAL

💢 Artigo em PDF

 

Thais Teixeira Nopres [1]

Pós-graduada em Língua Portuguesa pela Faculdade Souza Marques, em Gestão Escolar pela Faculdade Campos Elíseos, em Neurolinguística, Educação Especial Inclusiva e Neuropsicopedagogia pelo Centro de Ensino Superior Dom Alberto. Professora.

 E-mail: thaisnopres@yahoo.com.br

 

 

 

RESUMO

 

Numa sociedade que tudo é fragmentado tem-se uma perspectiva em que a Razão não deve ser separada da emoção, diante deste questionamento encontra-se uma situação bastante conflituosa, pois desde pequenos somos ensinados a separara a razão da emoção. O presente trabalho destaca a importância da Neurociência que nos traz um olhar para o emocional dentro do contexto escolar uma vez que se tem bases contribuídas de que a escola não é um local de Afeto e Amor. Tendo em vista de que a escola é o local de envolvimentos de sentimentos e emoções, partindo desta análise este trabalho envolverá o tema Razão e Emoção como contribuição para a aprendizagem do sujeito. A neurociência mostrará como o sujeito / aluno é repleto de experiências emocionais que acarretam diretamente na aprendizagem e que na escola é local onde está inserido estabelecendo relações de afetos. Dessa forma, este artigo desenvolve um olhar para o aluno que é parte de um todo repleto de emoções que geram as suas racionalidades.

 

 

PALAVRAS-CHAVE: Neurociência. Razão. Emoção. Afeto. Integração. Escola

 

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

O presente trabalho constitui-se como uma proposta de reflexão sobre as bases emocionais das crianças na sociedade atual, principalmente, voltada para as emoções vividas e trabalhadas na escola por meio da Educação.

É, nesse sentido, conforme anunciamos no título desse trabalho, que debruçarmo-nos sobre a perspectiva dualista e a perspectiva emocional, subjacentes, respectivamente, no ensino das crianças na instituição escolar.

Nesse enquadre político-cultural dualista de que somos racionais e não, emocionais que são formuladas as perspectivas das crianças e que reproduzem isso como realidade, crescendo dentro de uma perspectiva dualista, separatista e dicotômica.

Daí nos deparamos atualmente com jovens e adultos que não conseguem lidar com as frustrações, decepções, perdas e tantos outros sentimentos, pois não foram ensinados a compreender e entender as emoções.

Diante disso, encontra-se a importância de falar acerca da emoção na escola, pois a escola é a nossa segunda comunidade. No entanto, é na escola que as crianças vão conhecer certos sentimentos nunca explorados e sentido antes.

Então por que não falar dessas emoções na escola? Por que falar de amor, de medo, de tristeza, de ansiedade? São sentimentos e devem ser abordados, explicados e respeitados.

Ao longo deste trabalho abordaremos visão cartesiana; sociedade e escola; professor e aluno; razão e emoções, mostrando uma reflexão acerca do tema deste trabalho.

            Nesse sentido, a metodologia principal utilizada, nesse trabalho, é de cunho qualitativo, pois teremos um trabalho pautado na riqueza de dados e fontes.

O trabalho está organizado em 3 partes, esperando agrupar as ideias de acordo com uma pauta de reflexão. No capítulo 1, apresentaremos à introdução na qual mostraremos o tema deste trabalho. Já na parte 2 abordaremos razão x emoção e seus conceitos; e finalizaremos com uma breve análise sobre uma perspectiva emocional na escola. 

Diante do exposto anteriormente, esperamos contribuir para as reflexões acerca da importância das emoções na construção bases emocionais da criança no contexto escolar.

 

 

2 DESENVOLVIMENTO

 

            Neste tópico abordaremos a perspectiva que constituiu a sociedade atual que é a visão cartesiana-dualista que discorre do emocional x racional em contrapartida traremos perspectivas que divergem da visão dualista, neste caso, as abordagens da inteligência socioemocionais. Este trabalho evidenciará essas abordagens dentro do contexto escolar.

 

 

2.1 BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO DA VISÃO CARTESIANA

 

 

Cabe, dessa forma, ainda brevemente, uma explanação sobre o conceito de dualismo ou cartesianismo. O cartesiano surge com o filósofo René Descartes que, no século XVI, postulou a separação da razão e da emoção, bem como da mente e do cérebro e, também, da mente e do corpo do sujeito.

Esse conceito dicotomizar significa dividir algo em duas partes. Então  dicotomizar é separar, logo podemos levantar uma reflexão acerca da emoção e razão, que nos foi ensinado desde criança a separar essas terminologias, pois ao pensarmos numa pessoa emocional, logo a consideremos fraca e se ela for racional a consideramos forte, desconsiderando todo o contexto do sujeito, todas as suas experiências.

Segundo Francisco Porfírio relata que Descarte afirma que a razão e todo o conhecimento racional que são inatos ao ser humano, dependendo do nível de inteligência de cada um e de como usamos a racionalidade, ou seja, a razão e a inteligência para o filosofo que são responsáveis para um bom domínio emocional.

Diante desta visão nos deparamos com o estudioso Damásio que contrapõe a visão dualista cartesiana, pois segundo o Neurocientista defende que as emoções são indispensáveis para a vida emocional. Logo é o emocional que nos difere uns dos outros.

Segundo Damásio, a natureza e a extensão do nosso repertório de respostas emocionais não dependem exclusivamente do nosso cérebro, mas da sua interação com o corpo, e das nossas próprias percepções do corpo. Ainda em Damásio que nos diz que há certas decisões que são evidentemente feitas pela própria emoção.

Como vimos, segundo estudos recentes não há como separar a razão da emoção. Logo essa análise reflexiva influenciará diretamente na contexto social do sujeito. Então, utilizando esse conceito de integração mente e corpo e razão e emoção, analisaremos dentro do contexto aluno e escola e de como influencia diretamente nas bases emocionais da sociedade.

 

2.2 A QUESTÃO DA INTERAÇÃO NA NEUROCIÊNCIA E NA NEUROPLASTICIDADE.

 

Muito tem-se discutido, recentemente, acerca do cérebro humano e suas capacidades. A neurociência visa compreender as capacidades cerebrais e como o cérebro humano se organiza para adquirir novos conhecimentos e reorganizar os conhecimentos cognitivos, ou seja, os conhecimentos de mundo.

Os conhecimentos cognitivos correspondem à capacidade, que o ser humano tem de arquivar informações e experiências vividas por ele. Se, em algum momento, é necessário utilizar uma dessas informações, que já foram vivenciadas, o sistema nervoso central ativa essas experiências e consegue manter ligações com o “novo saber” adquirido, gerando, assim, um novo conhecimento.

Para haver um melhor entendimento, a Neurociência utiliza a Neuroplasticidade como fonte de confirmação. A neurocientista, Relvas (2007, p.32) define a plasticidade cerebral como:

 

a capacidade de organização do sistema nervoso diante do aprendizado e/ou lesão. Essa organização se relaciona à modificação de algumas conexões sinápticas. Além disso, mostra que o sistema nervoso central (SNC) possui uma habilidade adaptativa e pode modificar sua organização estrutural própria e funcional.

 

A Neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro humano possui para modificar-se ou reorganizar-se devido às suas necessidades. Isso ocorre ao longo da trajetória humana, quando ocorre o processo de aprendizagem. A aprendizagem é o estímulo para os neurônios organizarem-se e expandirem-se, modificando a capacidade de organização neurofuncional.

O desenvolvimento da Neuroplasticidade dá-se por meio de novas experiências, ocorrendo um rearranjo das redes neuronais. Essa conexão acontece no Sistema Nervoso Central. Se em algum momento, houver a perda entre estas conexões, os neurônios conseguem fazer a ligação de forma individual, mas lembrando de que este processo é espontâneo e gradual.

Se uma pessoa necessita utilizar novas formas de aprendizado, vemos que é possível. Dessa forma, os neurônios irão adaptar-se e transformar esse novo aprendizado em uma nova capacidade. Logo, a parte afetada irá se modificar, com a ajuda da plasticidade cerebral, para haver uma nova aprendizagem.

O cérebro tem a capacidade de se renovar, isso é conhecido como neurogênese, que são o nascimento de novos neurônios, mesmo após ter sofrido uma lesão cerebral.

A Neurociência tornou-se um instrumento fundamental e facilitador para a aprendizagem. No processo de aprendizagem ocorre a interação entre educador – educando – e seus conhecimentos de mundo, tendo em vista que essa relação de interação acontece em um ambiente propício a isso, que é sala de aula. Nesse local, é onde acontecem expectativas, trocas de experiências e aprimoramento dos saberes. 

Com isso, percebe-se que o cérebro humano é um inteiro, necessitando das experiências físicas (corpo) para se reorganizar e, também, das experiências mentais. Então, a relação mente e corpo é essencial para a aprendizagem, pois observamos que o cérebro depende destas relações, para manter o funcionamento dos neurônios, que se modificam ou assumem a capacidade de se expandir e acrescentar novos conhecimentos.

 Os neurônios são reorganizáveis e assumem funções de outras áreas cerebrais, passando a suprir uma função que antes não era utilizada por eles.  Dessa maneira, o educador terá esse instrumento que pode contribuir, largamente em suas aulas e na compreensão de que cada aluno é único.

No que diz respeito à Neurociência ser vista como facilitadora da aprendizagem, citamos Relvas (2007, p.35) que menciona em seu livro Neurociência e educação:

 

Que a plasticidade é importante na aprendizagem, pois as áreas do cérebro que são destinadas à função específica podem assumir outras funções quando necessárias, além da interdisciplinaridade cerebral, quando o conhecimento de uma área é aproveitado em uma outra área. Por exemplo: o ritmo que é desenvolvido por uma música é aproveitado na leitura, na escrita e nos conceitos matemáticos.

 

É sabido que a aprendizagem é um processo cognitivo adquirido, gradualmente, pois os indivíduos estabelecem ligações próprias e acrescentam informações ao longo de sua vida.

Neste processo, percebemos que cada aluno tem uma capacidade evolutiva e cada cérebro tem seu momento de absorção das informações. Compreendemos que alguns alunos têm mais facilidade de aprender um determinado conteúdo e outros não. Isso acontece porque cada sujeito precisa ter seu próprio tempo e o cérebro humano precisa ser estimulado para tornar o processo de aprendizado mais harmonioso e amadurecido.

Segundo a professora Almeida (2012. Apud, Salla, 2012)

 

Ao professor cabe se alimentar das informações que surgem, buscando fontes seguras, e não acreditar em fórmulas para a sala de aula criadas sem embasamento científico. "A Neurociência mostra que o desenvolvimento do cérebro decorre da integração entre o corpo e o meio social. O educador precisa potencializar essa interação por parte das crianças".

 

Observamos que a aprendizagem precisa de estímulos e, em sala de aula, o professor é o principal provocador de estímulos para seus alunos.

 

 

2.3 A INTERAÇÃO AFETO E COGNIÇÃO

 

 

Na subseção anterior, abordamos a questão da Neuroplasticidade e suas contribuições para estabelecer a relação do processo de aprendizagem, mostrando como os nossos neurônios organizam-se para a aprendizagem por meio do desenvolvimento cerebral. Agora, reportaremo-nos, de maneira breve, à organização cerebral, que está direcionada à parte da aprendizagem do ensino de língua. Nesse sentido, conforme falamos na subseção relacionada à Neuroplasticidade, torna-se bem ilustrativo tratar do cérebro humano, ainda que brevemente..

Observamos que o cérebro há anos tem sido fonte de pesquisas, pois, através dele, o ser humano desenvolve a capacidade de aprendizagem e aprimoramento.

Segundo Relvas (2007, p.45),

 

o encéfalo se encontra no crânio, ele é formado por bulbo raquidiano, hipotálamo, corpo caloso, córtex cerebral, tálamo, formação reticular, cerebelo e hipófise. As partes do encéfalo que serão utilizadas para a análise serão o córtex cerebral, o mesmo é constituído por células neuroglias e neurônios e é dividido em lobos cerebrais que asseguram a coordenação entre a chegada de impulsos sensitivos, sua decodificação e associação, até a atividade motora de resposta.

 

Vejamos algumas partes do cérebro e percebemos como elas estão interligadas:

  Lobo Frontal – É responsável por aspectos do comportamento humano, como fala memória imediata e as funções motoras.

 Lobo temporal – Esta área se responsabiliza pela recepção e decodificação de estímulos auditivos e visuais.

  Lobo parietal – A principal relação é com a interpretação.

  Lobo occipital – São as decodificações visuais.

  Cerebelo – Esta área está ligada com a coordenação de movimentos voluntários e involuntários.

Diante de uma breve explicação sobre funcionamento do cérebro percebemos que todas as suas partes estão interligadas. De acordo com as considerações de Relvas (2007), o grande problema é que há um conflito entre os estudos de nossa inteligência emocional e a racionalidade, ou seja, ainda perdura a visão cartesiana que postula a separação entre “emoção e razão” na ciência.  

Mais uma vez, reportamo-nos ao neurocientista Damásio (1996), que nos mostra que há uma interação “mente e corpo”, “razão e emoção”, não sendo possível separá-los, pois o raciocínio humano é formado por emoções. Entendemos esse como um argumento a favor da indissociabilidade entre cognição e afeto.

 

 

2.4 A NEUROCIÊNCIA E  DESCONTRUÇÃO DA VISÃO CARTESIANA NA EDUCAÇÃO

 

Primeiramente, para entender este tópico, precisamos compreender o conceito de neurociência e visão interacionista. A neurociência é a ciência cujos estudos visam compreender as capacidades do cérebro humano. Já o interacionismo é o estudo que visa a integração do sujeito. Então o que isso tem a ver com a Razão e Emoção com Escola e Aprendizagem?

O cenário educacional tem ganhado um novo olhar a partir do surgimento das Neurociências e o interacionismo, pois a partir desses estudos tem se compreendido mais acerca do ser humano no que se refere ao desenvolvimento cerebral. Daí nos deparamos com pesquisas que envolvem a educação, aprendizagem, e o desenvolvimento das emoções.

Até pouco tempo, pouco se sabia da nossa mente devido a esses estudos e pesquisas vem interagindo e compreendendo melhor o desenvolvimento do pensamento e da mente humana.

Neste tópico, nos debruçaremos na contribuição na Integração da emoção para aprendizagem e de como ela está incorporada na vida do sujeito, pois como vimos não há razão sem emoção. 

A escola e aprendizagem, por muito tempo, foram pautadas na perspectiva de Descartes que separa a razão da emoção, mas com a Neurociência e o interacionismo tem nos mostrando que o nosso corpo está interligado com a nossa mente que está elencada nas experiências vividas. Diante disso vemos o quão difícil é separar a Razão da Emoção.

Neste momento, cabe, citarmos Damásio (1996), que nos traz à ideia de interação mente e corpo, a chamada tese da mente corporificada, ou seja, a mente não pode ser separada do corpo.

Segundo o neurocientista Damásio (1996), as experiências físicas não podem ser separadas da mente, portanto, mente e corpo são uma única força, que atuam integradamente na vida do sujeito.

A visão interacionista da linguagem bem como da neurociência, mostra-nos que nossas vivências são envolvidas de sentimentos, que exercem forte influência sobre cada pessoa.

 Entretanto, o neurocientista Damásio (1996, p.276) afirma que os sentimentos exercem grande influência sobre a razão. Cabe, também, mencionarmos Maturana (2002, p.13) que nos reporta uma metáfora para abordar essa questão. Maturana mostra-nos que uma situação de competição esportiva não é sadia porque as emoções que surgem por meio da vitória de um, é a derrota do outro.

Logo, os sentimentos que são gerados durante uma competição são de raiva, inveja, rivalidade, disputa e entre outros. Dessa maneira, seria a emoção que comandaria esses impulsos, não havendo contribuição da razão. Com isso, no caso de uma competição, a razão para Maturana (2002) está, paralelamente, ligada à emoção.

Por tudo isso que foi exposto, anteriormente, no que diz respeito à razão e emoção, o sujeito possui o racional linkado ao emocional, ou seja, cada pessoa é repleta de sentimentos e emoções. Além disso, Damásio (1996, p.278) destaca que:

 

Em um nível prático, a função atribuída às emoções na criação da racionalidade tem implicações em algumas das questões com a nossa sociedade se defronta atualmente, entre elas a educação e a violência. Devo dizer que os sistemas educativos poderiam ser melhorados se insistisse na ligação inequívoca entre emoções atuais e os cenários de resultados futuros, e que a exposição excessiva das crianças à violência na vida real, nos noticiários e na ficção audiovisual desvirtua o valor das emoções na aquisição e desenvolvimento de comportamentos sociais adaptativos. O fato de tanta violência gratuita ser apresentada sem enquadramento moral só reforça sua ação dessensibilizadora.

 

            Com isso, percebemos que o sujeito não consegue separar o racional do emocional. Nesse sentido, a razão e emoção completam-se, uma vez que os sentimentos exercem uma sobrecarga no indivíduo. Ainda em Maturana (2002) que declara que somos seres racionais, mas vivemos em uma cultura que desvaloriza as emoções (...) e não nos damos conta de que todo sistema racional tem um fundamento emocional.

            Diante disso, mais uma vez, percebemos que separar a razão da emoção não faz sentido, pois as bases emocionais do sujeito são construídas por sentimentos.

Damásio (1996, p. 276) aborda que razão e emoção dependem uma da outra:

Os sentimentos parecem depender de um delicado sistema com múltiplos componentes que é indissociável da regulamentação biológica; e a razão parece, na verdade, depender de sistemas cerebrais específicos, alguns dos quais processam sentimentos. Assim pode existir um elo de ligação em termos anatômicos e funcionais, entre razão e sentimentos e entre esse e o corpo.

 

 

            Logo, o sujeito é considerado um ser racional, mas que constrói sua vida por meio das emoções, transformando-as em experiências. Desse modo, o sujeito estabelece sentido, a partir da interação entre suas experiências junto  à mente e ao corpo.

 

 

3.  ESCOLA EMOCIONAL X ESCOLA RACIONAL

 

 

            Neste tópico iremos abordar o contexto escolar na visão da Razão x Emoção. Bem, como vimos a nossa cultura foi pautada na separação entre Razão e Emoção e lógico de alguma forma influenciaria na Educação e consequentemente na escola.

Por muito tempo, deparamo-nos com a dificuldade de integração entre aluno e escola, muito compreensível, pois viemos de uma visão separatista, de uma educação excludente que não considera as experiências de mundo dos alunos.

Segundo Cunha (2017, p. 30),

Percebe-se que, quando se fala em fracasso na educação , é porque durante décadas o afeto ficou fora da sala de aula, proporcionando o tecnicismo, a dicotomia entre razão e emoção, o reducionismo arbitrário e aferição do valor do conhecimento mais pelo seu individulístico poder ter de trânsito no mundo do que pelo seu poder de satisfação pessoal no compartilhar de saberes.

 

Diante disso percebe-se que o afeto e as emoções se tornam cada vez mais importantes na vida do sujeito/ aluno, pois os são impregnados de experiências de mundo/ emoções que de alguma forma vai interferir na convivência ou na própria aprendizagem, pois somos emocionais, os sentimento interferem diretamente na vida de cada pessoa.

A grande problemática é que a escola permaneceu por muito tempo dentro dessa perspectiva de dicotomização/ separação em que era aluno x professor x escola. Para ratificar esta afirmação embasamo-nos em Cunha (2017, p. 23), que nos mostra que

 

Durante anos, a escola permaneceu engessada em uma cama, com tudo ao redor ultrapassando-a em uma velocidade díspar. Ela ajudou a construir o desenvolvimento social, tecnológico e humano, sem, entretanto, conseguir acompanhá-lo.  Exigirá de nós, educadores, um esforço bem maior para atualizá-la às mudanças que reordenaram o tempo e o espaço em que vivemos, não somente nos aspectos materiais e científicos, mas também afetivos, em razão das sensíveis alterações dos núcleos familiares sociais.

 

Daí a importância de trabalhar as emoções nas Escolas, em que professores sejam capacitados em tendências emocionais para promover uma aprendizagem mais integradora e relacionada as vivências de mundo dos alunos. Os alunos são seres integrantes das sociedades e é na escola que muitos vão se deparar com sentimentos e emoções nunca experimentadas antes.

Então será possível ainda permanecemos na visão de Descartes de separar a mente do corpo e a razão das emoções. Devemos quebrar paradigmas e desconstruir visões para desenvolvermos um melhor trabalho nas escolas.

Ainda em Cunha (2017, p.39)

 

O foco que concentramos nas nossas emoções, positivos ou negativas, interfere no cognitivo. O desequilíbrio emocional influencia o gerenciamento dos Pensamentos. Para um adulto, torna-se demasiadamente difícil o controle das emoções por meio apenas do esforço mental.  Para criança, é altamente improdutivo.  Somente pelo afeto e amor, ela poderá editar as lembranças negativas, melhorando seu aprendizado.

           

Como vimos, é de extrema importância trabalhar o emocional na vida escolar, pois enquanto crianças conseguimos transformar nossas experiências, logo percebemos a importância da emoção para a aprendizagem, pois é a partir do entendimento do afeto e do amor que vamos estruturando as nossas experiências de mundo.

Cabe, mencionar que Cunha aborda que (2017, p.39)

 

as emoções são importantes para a saúde psíquica. Somos um ser social e afetivo. Afetivo, principalmente, porque nos relacionamos uns com os outros. A nossa primeira forma de aprendizagem tem pelas redes sociais, que sempre estarão conosco. Ainda que deixemos de estudar, ler, assistir à televisão e ir à escola, continuaremos a aprender pela convivência.

 

 

Daí entendermos a importância da escola que visa o emocional, que qualifica seus profissionais para uma abordagem mais emocional e afetiva em que os sentimentos devem ser amplamente discutindo e abordados com os alunos, mostrando a necessidade e envolvimento das escola, desconstruindo a abordagem dualista e dicotômica e trazendo uma abordagem integradora emocional e realista para a escola.

 


CONCLUSÃO

 

O estudo realizado, ao longo dos tópicos, tratou do binômio Razão x Emoção e de como as emoções são importantes na vida do sujeito.

Também foi percebido que a visão separatista de ensino é muito comum e vem pautada a partir de antigos questionamentos sobre racionalidade e sentimentos uma vez que eram desconsideradas as experiências de mundo de cada pessoa.

Foi percebido que essa abordagem separatista vem sendo descontruída com os estudos da Neurociência que comprova cientificamente as bases emocionais da mente humana  e também com interacionismo que nos mostrou que somos parte de um todo, que as nossas experiências vividas são importantes para a construção dos futuros adultos.

Além disso, observou-se que por muito tempo a escola se manteve engessada, mas que ela tem um papel fundamental para a vida emocional dos alunos que é por meio do afeto e do amor que podemos descontruir o negativo.

Daí a importância da entendermos a relação Razão x Emoção, pois não existe racionalidade sem as emoções, sem os sentimentos, somos integrados e únicos, pautados e repletos de sentimentos.

Dessa maneira, acreditamos que os aspectos afetivos são grandes aliados para um melhor funcionamento da aprendizagem dentro do contexto escolar.

Este trabalho teve por finalidade abordar de forma reflexiva de como a aprendizagem e a escola estão inseridas dentro do binômio Razão e Emoção.  

 


 

REFERÊNCIAS

 

 

CARVALHO, Julia. “O homem está evoluindo para conciliar a emoção e a razão”. Disponível: https://veja.abril.com.br/ciencia/o-homem-esta-evoluindo-para-conciliar-a-emocao-e-a-razao-diz-antonio-damasio/Acesso em: 10/08/2020

 

CUNHA, Eugênio. Afeto e Aprendizagem. Rio de Janeiro: Wak Ed. 2017

 

DAMÁSIO, Antônio R. O erro de Descartes. São Paulo: Companhia das letras, 1.ed.. P.276 a 283. 1996.

 

MATURANA, Humberto. Emoções e Linguagem na educação e na política. 3.ed. Belo Horizonte: UFMG, p.11 a 18 e p. 58 a 66. 2002.

 

MORIN, Edgar. Universo do conhecimento. Conferência proferida na Universidade São Marcos, São Paulo, 2005.

 

MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 2.ed Cortez,p.41 a 43. 2011.

 

PORFÍRIO, Francisco. René Descartes .Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/filosofia/rene-descartes.htm Acesso em : 10/08/2020

 

RELVAS, Marta Pires. Neurociências e educação. Rio de Janeiro: Walk, 1ª ed p.20 a 42..2007.

 

RELVAS, Marta Pires.  Estudos Neurocientíficos. Conhecimento Prático de Língua Portuguesa. Escala. São Paulo, v.47 n1- p.50 a 55. 2013.

 

TOMAZ, Carlos; GIUGLIA, Lilian G. no.  A razão das emoções: um ensaio sobre "O erro de Descartes" Disponível  em : https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413294X1997000200013&lng=pt&tlng=pt  Acesso em: 10/08/2020.




Recebido em 21 de outubro de 2020
Publicado em 26 de março de 2021


Como citar este artigo (ABNT)

NOPRES, Tgais Teixeira. A Importância Da Base Da Neurociências Na Afetividade No Âmbito Escolar: Um Aluno Emocional E Uma Escola Racional. Revista MultiAtual, v. 2, n.3. (Número Especial - Neurociências), 26 de março de 2021. Disponível em: https://www.multiatual.com.br/2021/03/a-importancia-da-base-da-neurociencias.html
A IMPORTÂNCIA DA BASE DA NEUROCIÊNCIAS NA AFETIVIDADE NO ÂMBITO ESCOLAR: UM ALUNO EMOCIONAL E UMA ESCOLA RACIONAL A IMPORTÂNCIA DA BASE DA NEUROCIÊNCIAS NA AFETIVIDADE NO ÂMBITO ESCOLAR:   UM ALUNO EMOCIONAL E UMA ESCOLA RACIONAL Reviewed by Revista MultiAtual on março 25, 2021 Rating: 5
Tecnologia do Blogger.