DOI: 10.5281/zenodo.18525702

 

Izaltino Ferreira Meireles Filho

Docente do Centro de Educação de Jovens e Adultos “Geraldo Moutinho” (CEM), da Prefeitura de Juiz de Fora.  Graduado em Educação Física; especialista em Educação Física Escolar;mestrando em Educação.  E-mail: izalt@uol.com.br

 

Jungley de Oliveira Torres Neto

Doutorando em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Mestre e graduado em Filosofia pela mesma instituição/UFJF. E-mail: jungleyjf@hotmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6710-2533

 

RESUMO

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) constitui-se como um espaço singular de formação humana, marcado por trajetórias interrompidas, experiências de vulnerabilidade e pela busca de sentido na escolarização. Nesse contexto, a Educação Física assume um papel que ultrapassa a dimensão técnica ou esportiva: ela se torna uma prática de resistência, inclusão e diálogo. Este artigo discute a relevância da Educação Física na EJA a partir de uma leitura dialógica e filosófica, fundamentada sobretudo na pedagogia de Paulo Freire e em concepções contemporâneas que compreendem o corpo como linguagem, experiência e expressão de mundo. A partir de vivências desenvolvidas no Centro de Educação de Jovens e Adultos Dr. Geraldo Moutinho (CEM), em Juiz de Fora/MG, busca-se problematizar o lugar da Educação Física na formação integral dos estudantes e refletir sobre os desafios da formação docente para atuar nessa modalidade de ensino. A análise evidencia que práticas corporais, quando orientadas por uma perspectiva crítica e inclusiva, fortalecem a autonomia, a autoestima e o protagonismo dos estudantes, possibilitando experiências significativas que rompem com modelos tradicionais de ensino centrados apenas na repetição ou na memorização. Ao valorizar o diálogo, a escuta e a participação ativa, a Educação Física contribui para transformar a sala de aula em um espaço de encontro, reconhecimento e construção coletiva de saberes. Do ponto de vista da formação docente, o estudo aponta que ainda há lacunas importantes: cursos superiores frequentemente oferecem uma preparação voltada ao esporte ou ao desempenho físico, deixando em segundo plano as competências pedagógicas, filosóficas e socioemocionais necessárias para a EJA. Assim, defender a Educação Física na EJA significa afirmar uma prática pedagógica que respeita as experiências de vida dos estudantes, reconhece a diversidade, promove inclusão e atua como força de resistência frente a modelos excludentes e tecnicistas. Conclui-se que a formação de professores para essa área exige uma compreensão ampliada de educação, baseada no diálogo, na humanidade e no compromisso ético com a transformação social. O artigo contribui, portanto, para ampliar o debate sobre práticas corporais na EJA e para fortalecer perspectivas formativas capazes de responder às demandas reais de jovens, adultos e idosos que retornam à escola em busca de dignidade e novos sentidos para suas trajetórias.

Palavras-chave: Educação Física. EJA. Formação docente. Inclusão. Práticas dialógicas.