Celina da
Rosa Santos Neta
Psicóloga, Mestranda em Ensino, scelinar@gmail.com
Dulce
Mari da Silva Voss
Docente, Doutora em Educação,
dulcevoss@unipampa.edu.br
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo analisar
o tema da saúde mental no exercício da função de conselheira tutelar. O estudo
decorre de uma pesquisa de caráter qualitativo em que os dados foram produzidos
por meio de entrevistas com quatro conselheiras tutelares que atuam no
município de Bagé, situado no Rio Grande do Sul (RS, Brasil). Na análise do
conteúdo, feita com base nos relatos das conselheiras entrevistadas, buscou-se
identificar os aspectos mais relevantes das condições de exercício e atuação na
função, no que tange aos desafios e expectativas manifestadas por elas. Assim,
a categorização dos relatos apontou que as conselheiras partilham os
sentimentos de frustração, tristeza e revolta frente à gravidade dos casos de
violência, negligência e abuso contra crianças e jovens que são denunciados e
por elas atendidos. O estudo evidenciou que o exercício da função de
conselheira tutelar no contexto pesquisado impõe um alto custo emocional e
mental às profissionais e que, muitas vezes, esse sofrimento não é reconhecido
ou tratado com a devida importância. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de
políticas públicas voltadas ao cuidado com a saúde mental das conselheiras
tutelares, não apenas como forma de preservar o bem-estar dessas profissionais,
mas também como uma estratégia para garantir um atendimento mais adequado e
eficaz às demandas recebidas e por elas atendidas. Assim, torna-se essencial um
olhar mais atento e estruturado sobre as condições de trabalho e saúde mental
oferecida a essas profissionais que desempenham um papel fundamental na
proteção dos direitos de crianças e jovens em contextos de alta
vulnerabilização social.
Palavras-chave: Crianças. Jovens. Conselheiras Tutelares. Cuidado. Saúde Mental.

