DOI: 10.5281/zenodo.18525810

 

Celina da Rosa Santos Neta

Psicóloga, Mestranda em Ensino, scelinar@gmail.com

 

Dulce Mari da Silva Voss

Docente, Doutora em Educação, dulcevoss@unipampa.edu.br

 

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo analisar o tema da saúde mental no exercício da função de conselheira tutelar. O estudo decorre de uma pesquisa de caráter qualitativo em que os dados foram produzidos por meio de entrevistas com quatro conselheiras tutelares que atuam no município de Bagé, situado no Rio Grande do Sul (RS, Brasil). Na análise do conteúdo, feita com base nos relatos das conselheiras entrevistadas, buscou-se identificar os aspectos mais relevantes das condições de exercício e atuação na função, no que tange aos desafios e expectativas manifestadas por elas. Assim, a categorização dos relatos apontou que as conselheiras partilham os sentimentos de frustração, tristeza e revolta frente à gravidade dos casos de violência, negligência e abuso contra crianças e jovens que são denunciados e por elas atendidos. O estudo evidenciou que o exercício da função de conselheira tutelar no contexto pesquisado impõe um alto custo emocional e mental às profissionais e que, muitas vezes, esse sofrimento não é reconhecido ou tratado com a devida importância. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de políticas públicas voltadas ao cuidado com a saúde mental das conselheiras tutelares, não apenas como forma de preservar o bem-estar dessas profissionais, mas também como uma estratégia para garantir um atendimento mais adequado e eficaz às demandas recebidas e por elas atendidas. Assim, torna-se essencial um olhar mais atento e estruturado sobre as condições de trabalho e saúde mental oferecida a essas profissionais que desempenham um papel fundamental na proteção dos direitos de crianças e jovens em contextos de alta vulnerabilização social.

Palavras-chave: Crianças. Jovens. Conselheiras Tutelares. Cuidado. Saúde Mental.