DOI: 10.5281/zenodo.19768273

 

Fernanda de Oliveira Freitas

Mestranda do Programa de Pós Graduação em Ensino da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) – Campus Bagé, Rio Grande do Sul, Brasil.fernandadof2.aluno@unipampa.edu.br

 

Dulce Mari da Silva Voss

 Doutora em Educação, docente do Programa de Pós Graduação em Ensino da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) – Campus Bagé, Rio Grande do Sul, Brasil. dulcevoss@unipampa.edu.br

 

RESUMO

O presente trabalho analisa as práticas de leitura vivenciadas no âmbito do Programa Escola em Tempo Integral em uma escola periférica da cidade de Bagé (RS, Brasil). Objetiva-se compreender a leitura além da decodificação dos signos e assimilação de significados como reforçado no ensino da Língua Portuguesa nos anos iniciais do ensino fundamental. Para tanto, leva-se em consideração que as praticas de leitura podem acontecer de diferentes maneiras, ainda que as escolas periféricas sejam afetadas pelas mazelas da vulnerabilização social e marcadas pela precarização das infâncias, também no sentido de limitar os processos de ensino e aprendizagem à concepções universalizantes. Esse entendimento se sustenta nos estudos de Kohan (2015) acerca da distinção entre o tempo chronos, no qual a concepção da infância decorre do pensamento moderno que estabelece o sentido universal de uma fase cronológica voltada à preparação para a vida adulta, e o tempo aión, no qual são evidenciados modos particulares e criativos de existências das crianças em cada contexto. Com base nos conceitos de criação em Deleuze e Guattari (2010), e de experiência em Larrosa (2014), afirma-se que as crianças da escola periférica que participaram das práticas de leitura no Programa Escola em Tempo Integral, aqui apresentadas, experimentaram encontros entre si e com os textos lidos em que, através da curiosidade e da imaginação, efetuou-se leituras de mundo articuladas às leituras da palavra (Freire, 1982). Daí porque dizemos que essas práticas tornaram-se experiências de criação de um corpo educativo inventivo de leituras singulares.

Palavras-chave: Corpo educativo. Criação. Ensino de Língua Portuguesa. Escolas periféricas. Experiência.