Fernanda de
Oliveira Freitas
Mestranda do
Programa de Pós Graduação em Ensino da Universidade Federal do Pampa (Unipampa)
– Campus Bagé, Rio Grande do Sul, Brasil.fernandadof2.aluno@unipampa.edu.br
Dulce Mari da
Silva Voss
Doutora em Educação, docente do Programa de
Pós Graduação em Ensino da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) – Campus
Bagé, Rio Grande do Sul, Brasil. dulcevoss@unipampa.edu.br
RESUMO
O presente trabalho analisa as práticas de
leitura vivenciadas no âmbito do Programa Escola em Tempo Integral em uma
escola periférica da cidade de Bagé (RS, Brasil). Objetiva-se compreender a
leitura além da decodificação dos signos e assimilação de significados como
reforçado no ensino da Língua Portuguesa nos anos iniciais do ensino
fundamental. Para tanto, leva-se em consideração que as praticas de leitura
podem acontecer de diferentes maneiras, ainda que as escolas periféricas sejam
afetadas pelas mazelas da vulnerabilização social e marcadas pela precarização
das infâncias, também no sentido de limitar os processos de ensino e
aprendizagem à concepções universalizantes. Esse entendimento se sustenta nos
estudos de Kohan (2015) acerca da distinção entre o tempo chronos, no
qual a concepção da infância decorre do pensamento moderno que estabelece o
sentido universal de uma fase cronológica voltada à preparação para a vida
adulta, e o tempo aión, no qual são evidenciados modos particulares e
criativos de existências das crianças em cada contexto. Com base nos conceitos
de criação em Deleuze e Guattari (2010), e de experiência em Larrosa (2014),
afirma-se que as crianças da escola periférica que participaram das práticas de
leitura no Programa Escola em Tempo Integral, aqui apresentadas, experimentaram
encontros entre si e com os textos lidos em que, através da curiosidade e da
imaginação, efetuou-se leituras de mundo articuladas às leituras da palavra
(Freire, 1982). Daí porque dizemos que essas práticas tornaram-se experiências
de criação de um corpo educativo inventivo de leituras singulares.
Palavras-chave: Corpo educativo. Criação. Ensino de Língua Portuguesa. Escolas periféricas. Experiência.

