Izaltino
Ferreira Meireles Filho
Docente do Centro de Educação de Jovens e Adultos
“Dr. Geraldo Moutinho” (CEM), da Prefeitura de Juiz de Fora/MG, desde 1994,
atuando na Educação de Jovens e Adultos e em processos formativos voltados à
educação de sujeito adultos. Graduado em Educação Física (1990), possui
especialização em Educação Física Escolar e é mestrando em Educação. Desenvolve
práticas pedagógicas voltadas à promoção da saúde, à qualidade de vida e à
valorização das experiências corporais no contexto da EJA. Seus interesses de
pesquisa concentram-se em currículo, práticas corporais escolares, metodologias
pedagógicas inclusivas e formação docente para atuação em contextos educativos
marcados pela diversidade. E-mail: izalt@uol.com.br
RESUMO
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) configura-se
como um espaço educativo atravessado por histórias de vida marcadas por
interrupções escolares, desigualdades sociais e múltiplas experiências
corporais construídas fora do ambiente formal de ensino. Nesse cenário, o
currículo de Educação Física demanda uma abordagem que ultrapasse concepções
restritas ao desempenho físico ou à reprodução de práticas esportivas
tradicionais. Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre o currículo da
Educação Física na EJA, compreendendo-o como um campo de produção de sentido,
linguagem e experiência corporal. Ancorado em referenciais da educação crítica
e em abordagens que reconhecem o corpo como dimensão histórica, cultural e
existencial do sujeito, o estudo discute como as práticas corporais podem
contribuir para a formação integral de jovens, adultos e idosos. A partir de
experiências pedagógicas desenvolvidas no contexto da EJA, problematiza-se o
lugar da Educação Física como espaço de escuta, reconhecimento das trajetórias
dos educandos e construção de vínculos com o cuidado de si e do outro. A
análise evidencia que currículos sensíveis à realidade dos estudantes favorecem
processos educativos mais inclusivos, promovendo autonomia, participação e
valorização das experiências de vida. Do ponto de vista da formação docente, o
artigo aponta a necessidade de superar modelos formativos excessivamente
tecnicistas, defendendo uma preparação que articule dimensões pedagógicas,
éticas e humanas, indispensáveis à atuação na EJA. Conclui-se que repensar o
currículo da Educação Física nessa modalidade significa afirmar uma educação
comprometida com a dignidade, o diálogo e a transformação social, em
consonância com as demandas concretas dos sujeitos que retornam à escola em
busca de novos sentidos para suas trajetórias.
Palavras-chave: Educação Física. Educação de Jovens e Adultos. Currículo. Experiência corporal. Formação docente.

