DOI: 10.5281/zenodo.19768413

 

Izaltino Ferreira Meireles Filho

Docente do Centro de Educação de Jovens e Adultos “Dr. Geraldo Moutinho” (CEM), da Prefeitura de Juiz de Fora/MG, desde 1994, atuando na Educação de Jovens e Adultos e em processos formativos voltados à educação de sujeito adultos. Graduado em Educação Física (1990), possui especialização em Educação Física Escolar e é mestrando em Educação. Desenvolve práticas pedagógicas voltadas à promoção da saúde, à qualidade de vida e à valorização das experiências corporais no contexto da EJA. Seus interesses de pesquisa concentram-se em currículo, práticas corporais escolares, metodologias pedagógicas inclusivas e formação docente para atuação em contextos educativos marcados pela diversidade. E-mail: izalt@uol.com.br

 

RESUMO

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) configura-se como um espaço educativo atravessado por histórias de vida marcadas por interrupções escolares, desigualdades sociais e múltiplas experiências corporais construídas fora do ambiente formal de ensino. Nesse cenário, o currículo de Educação Física demanda uma abordagem que ultrapasse concepções restritas ao desempenho físico ou à reprodução de práticas esportivas tradicionais. Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre o currículo da Educação Física na EJA, compreendendo-o como um campo de produção de sentido, linguagem e experiência corporal. Ancorado em referenciais da educação crítica e em abordagens que reconhecem o corpo como dimensão histórica, cultural e existencial do sujeito, o estudo discute como as práticas corporais podem contribuir para a formação integral de jovens, adultos e idosos. A partir de experiências pedagógicas desenvolvidas no contexto da EJA, problematiza-se o lugar da Educação Física como espaço de escuta, reconhecimento das trajetórias dos educandos e construção de vínculos com o cuidado de si e do outro. A análise evidencia que currículos sensíveis à realidade dos estudantes favorecem processos educativos mais inclusivos, promovendo autonomia, participação e valorização das experiências de vida. Do ponto de vista da formação docente, o artigo aponta a necessidade de superar modelos formativos excessivamente tecnicistas, defendendo uma preparação que articule dimensões pedagógicas, éticas e humanas, indispensáveis à atuação na EJA. Conclui-se que repensar o currículo da Educação Física nessa modalidade significa afirmar uma educação comprometida com a dignidade, o diálogo e a transformação social, em consonância com as demandas concretas dos sujeitos que retornam à escola em busca de novos sentidos para suas trajetórias.

Palavras-chave: Educação Física. Educação de Jovens e Adultos. Currículo. Experiência corporal. Formação docente.