DOI: 10.5281/zenodo.19768292

 

Luiz Gustavo Santos da Silva

Doutor em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente, realiza estágio de pós-doutoramento na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Email: gustavofirmina@gmail.com


 

RESUMO

Analisa os impactos da formação continuada de professores/as para as relações étnico-raciais, a partir do Programa AFROUNEB, desenvolvido na Universidade do Estado da Bahia. A pesquisa, de natureza qualitativa, mobiliza a metodologia da história oral de vida e baseia-se nas narrativas de seis docentes da educação básica, considerando suas trajetórias, experiências e práticas pedagógicas. O objetivo consiste em compreender de que modo a formação repercute nas práticas docentes, nas concepções de cultura e diferença e na constituição das subjetividades dos/as professores/as. Parte-se do pressuposto de que a formação continuada não se limita à transmissão de conteúdos, mas envolve processos de ressignificação do fazer docente e de construção de novos sentidos para a atuação pedagógica. Os resultados indicam que a formação continuada atua como dispositivo de deslocamento epistemológico, tensionando práticas eurocentradas e promovendo reconfigurações no currículo e nas estratégias de ensino. Contudo, tais processos são atravessados por resistências institucionais, precariedades estruturais e disputas simbólicas no interior da escola, evidenciando limites à consolidação de práticas antirracistas. Conclui-se que a formação para as relações étnico-raciais deve ser compreendida como campo de disputas, no qual se articulam saberes, experiências e projetos políticos de educação, apontando para a necessidade de políticas mais amplas e integradas.

Palavras-chave: Formação continuada. Relações étnico-raciais. Epistemicídio.