Luiz
Gustavo Santos da Silva
Doutor em Educação pela
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente, realiza estágio de
pós-doutoramento na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Email:
gustavofirmina@gmail.com
RESUMO
Analisa os impactos da formação
continuada de professores/as para as relações étnico-raciais, a partir do
Programa AFROUNEB, desenvolvido na Universidade do Estado da Bahia. A pesquisa,
de natureza qualitativa, mobiliza a metodologia da história oral de vida e
baseia-se nas narrativas de seis docentes da educação básica, considerando suas
trajetórias, experiências e práticas pedagógicas. O objetivo consiste em
compreender de que modo a formação repercute nas práticas docentes, nas
concepções de cultura e diferença e na constituição das subjetividades dos/as
professores/as. Parte-se do pressuposto de que a formação continuada não se
limita à transmissão de conteúdos, mas envolve processos de ressignificação do
fazer docente e de construção de novos sentidos para a atuação pedagógica. Os
resultados indicam que a formação continuada atua como dispositivo de
deslocamento epistemológico, tensionando práticas eurocentradas e promovendo
reconfigurações no currículo e nas estratégias de ensino. Contudo, tais
processos são atravessados por resistências institucionais, precariedades
estruturais e disputas simbólicas no interior da escola, evidenciando limites à
consolidação de práticas antirracistas. Conclui-se que a formação para as
relações étnico-raciais deve ser compreendida como campo de disputas, no qual
se articulam saberes, experiências e projetos políticos de educação, apontando
para a necessidade de políticas mais amplas e integradas.
Palavras-chave: Formação continuada. Relações étnico-raciais. Epistemicídio.

